segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perfil - Woody Harrelson

O americano tranquilo 



Nascido no Texas em 1961, Woodrow Tracy Warrelson sempre soube que quis ser ator. Debandou-se para Ohio e depois para Nova Iorque com essa finalidade. Na grande maça, entrou para o elenco do sucesso da tv Cheers, mas o cinema só se viabilizaria para ele uma década depois. Foi em 1992, quando estrelou ao lado de Wesley Snipes a comédia Homens brancos não sabem enterrar, então com 31 anos, que Harrelson pôde ser visto por um grande público. Que gostou do que viu. Ainda com Cheers sendo exibido na tv americana, o ator emplacou outros dois grandes sucessos de público e crítica: Proposta indecente (1993) e Assassinos por natureza (1994). O primeiro filme, do mestre do erotismo no cinema americano Adrian Lyne, Harrelson é o marido de Demi Moore que aceita que sua mulher durma com Robert Redford pela quantia de um milhão de dólares. O filme, elegantérrimo, consolidou a carreira em ascensão de Moore e ajudou a tornar Harrelson conhecido de diretores importantes. Como, por exemplo, Oliver Stone que o chamou para viver um de seus personagens mais icônicos: Mickey Knox de Assassinos por natureza. O insano matador que cruza a América com a namorada maluquinha vivida por Juliete Lewis era o principal filme da década até o surgimento de Pulp Fiction alguns meses mais tarde naquele ano. Mas Milos Forman ficou impressionado com o apetite de Harrelson naquele filme e o chamaria para viver o polêmico criador da revista pornográfica Hustler na biografia que seria lançada em 1996. Antes disso, Harrelson voltou a contracenar com Wesley Snipes, então um astro do primeiro time hollywoodiano, em Assalto sobre trilhos (1995) em que ele e Snipes viviam dois policiais com rusgas com a lei, que se apaixonam pela mesma mulher – a então pouco conhecida Jennifer Lopez.

Woody e Juliette Lewis em cena do cult Assassinos por natureza: filmes decisivos no início da jornada no cinema... 


O Oscar que não veio
Antes de ser indicado ao Oscar por seu desempenho em O povo contra Larry Fynt, Harrelson mostrou que estava nessa pelo prazer e fez descoladas participações em Os simpsons e Spin city, divertida sitcom política que teve os talentos de Michael J. Fox e Charlie Sheen. O ano em que Harrelson brigou pela estatueta de melhor ator era particularmente difícil. O australiano Geoffrey Rush faturou por Shine-brilhante. Harrelson, no entanto, foi o favorito da crítica naquele ano. Pequenos papéis no cinema, em filmes como Mera coincidência (1997), Além da linha vermelha (1998) e EdTV (1999), foram entremeados com mais participações desencanadas em séries de tv como Ellen (primeiro programa de Ellen De Generes na tv) e Frasier.
Dramas policiais, como o recente Rampart que pode lhe valer nova indicação ao Oscar, foram propostas frequentes no final dos anos 90 e Crime em Palmetto (1998), acabou se configurando em um dos maiores salários de Harrelson na carreira até então. Cerca de U$ 1 milhão de dólares.
Aparentemente sem vocação para astro, Harrelson se encontrou nos ótimos papéis coadjuvantes que garimpava no inicio dos anos 2000, como o taradão de Tratamento de choque (2003) e o detetive inseguro de Ladrão de diamantes (2004). Mas também se destacava em pequenos papéis em produções mais gabaritadas, como Terra fria (2005), A última noite (2006) e The prize winner of defiance, Ohio (2005).
Ótimas aparições em filmes como Onde os fracos não têm vez (2007), Expresso transiberiano (2008) e O amor pede passagem (2008) ajudaram a cravar em Harrelson a imagem de ator confiável em qualquer situação ou circunstância.

Para uma boa (e sem malícias) introdução em Woody Harrelson

Assassinos por natureza
 Harrelson faz um assassino tão simpático quanto enlouquecido e dotado de um estranho e irresistível senso de humor.
 Zumbilândia
Harrelson faz um cara carente que vive enchendo o saco do nerd vivido pro Jesse Eisenberg
 Amizade colorida
Harrelson faz um gay machão que contraria todos os estereótipos sobre personagens homossexuais em comédias românticas


Woody em cena de Zumbilândia, que deve ganhar uma sequência e uma série de tv: ele faz o filme parecer melhor do que já é...



Woody dá uma palhinha em Amizade colorida...




Nova fase, velhas estratégias
Com O mensageiro (2009) lhe valendo sua segunda indicação ao Oscar – dessa vez por coadjuvante – Harrelson demonstrava que estava no controle de sua carreira e não a reboque do gosto dos outros. Neste mesmo ano, estrelou a fita indie Defendor, em que faz um sujeito estranho que sai vestido de super herói e tenta combater o crime. O filme, lançado meses antes do cult Kick ass, é ainda mais irônico - embora menos pop - do que o filme que tornou Hit girl uma musa nerd.
2009 foi mesmo um ano prolífero para Harrelson. Ele surgiu como um profeta do fim do mundo no distaster movie 2012 e como um expert em matar zumbis no deliciosamente histriônico Zumbilândia.
Esses papéis valeram ao ator uma iconografia toda particular. Com seu jeito caipira de macho bronco, Harrelson sabe rir de si mesmo. Foi o que fez em Amizade colorida, uma das comédias mais divertidas de 2011.
Alternando incursões dramáticas com sucessivas aparições cômicas, Harrelson especializou-se em roubar cenas. É um ator que sempre deixa boa impressão no espectador. Um trunfo e tanto. Muita gente que ganha milhões por aí não consegue a mesma proeza.
Sem ansiedade por protagonismos, já estrelou filmes que marcaram o cinema nos últimos 20 anos e pode conseguir sua terceira indicação ao Oscar – a segunda em três anos. Nada mal para um garoto de Midland, no Texas.

#WoodyHarrelsonfacts
 - É vegetariano
-Foi preso no distrito de Columbia, no estado de Ohio, em 1983, por condução perigosa
- No ano 2000, admitiu ser viciado em sexo
- É um defensor da legalização da maconha
- Steven Spielberg vetou seu nome para interpretar o protagonista de Beleza americana
-É amicíssimo de gente como Owen Wilson, Bill Murray e a banda de rock Red hot Chilli Peppers
- Declarou que votou em Christoph Waltz (Bastardos inglórios) para melhor ator coadjuvante em 2010, quando concorria ao Oscar por O mensageiro
- Já trabalhou com importantes cineastas como os irmãos Coen, Milos Forman, Spike Lee, Ron Howard, Terrence Malick e Oliver Stone  

5 comentários:

  1. O título não poderia ser mais apropriado Reinaldo. É isso que Woody passa para o público e fazendo todo tipo de papel do mais leve e despojado ao mais dramático. Ou participações menores nos mesmos níveis, assim ele rouba as cenas dos filmes sem modéstia.

    Sua careira teve altos e baixos (Assassinos Por Natureza, EdTv, Zumbilândia...), mas nem por isso deixou de ser um ator interessante.

    Sua fama não é por pouca coisa e as pequenas participações em grandes filmes (Onde Os Fracos Não Têm Vez) são notáveis.

    Parabéns pelo perfil.

    Abs.

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  2. Gosto das interpretações desse ator, considero-as seguras e muito pungentes. Não conheço muito de Woody, conheço seus filmes principais, inclusive os dois pelos quais concorreu ao Oscar. Dou especial importância para o filme de 1993, Indecent Proposal, no qual o ator provou-se firme na vertente dramática para, logo depois, desvincular-se da imagem romântica e adentrar seguramente a veleidade cruel de Natural Born Killers.
    Quanto a The Messenger e Zoombieland, acredito que são bons filmes e eles realmente me agradam, em especial o segundo, com o seu bom humor.

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  3. Woody Harrelson é um caso interessante de ator. A carreira dele é muito irregular, mas você vê que ele é um cara que nunca compromete a sua visão de arte. Os papeis que ele interpreta são sempre muito bons. Eu adoro as performances dele em "O Povo vs. Larry Flynt" e "O Mensageiro", que é um belíssimo filme.

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  4. Super bem sacado o título, Rei :)
    Gosto muito desse cara! E pensar que o Spielberg o vetou para o Beleza Americana... fiquei chocada! rsrs Não que o filme tenha tido um prejuízo incalculável, ms quem sabe poderia ter uma pegada até mais interessante. Enfim, nunca saberemos, rsrs

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  5. Rodrigo: Obrigado Rodrigo. Acho que a carreira dele teve mais altos do que baixos.
    Abs

    Luís:...E disse tudo. Obrigado pelo comentário.

    Kamila:Sinceramente Ka, não vejo irregularidade na carreira dele não. São opções muito bem planejadas. Os desempenhos sempre satisfatórios, os filmes sempre -no mínimo - bacanas... e por aí vai.
    bjs

    Aline: Pois é... Acho o veto um tanto extremo, mas realmente Kevin Spacey era uma pedida melhor!
    Bjs

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