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segunda-feira, 22 de março de 2010

Critica - O livro de Eli

Quando boas idéias não vingam

Existem boas idéias executadas com perfeição tão suntuosa que causam admiração eterna, outras que não são executadas a contento e acabam sendo diminuídas com o tempo. Há ainda, essencialmente no campo do cinema, aqueles filmes com idéias tão boas que eles se sustentam exclusivamente delas. Sem oferecer um desenvolvimento mais apurado dessas idéias. É o que ocorre com O livro de Eli (The book of Eli, EUA 2010). Um filme que reúne pelo menos duas boas idéias. A primeira delas, inegavelmente, é colocar Denzel Washington como um lobo solitário (e extremamente talentoso no manejo de armas) em um futuro pós-apocalíptico. A segunda, é fazer com que esse homem de passado ignorado seja o guardião de um dos símbolos mais importantes da história da humanidade. É aí que O livro de Eli falha em explorar plenamente seu potencial. Existe, é bem verdade, um comentário ralo sobre o poder da religião, na oposição das figuras de Eli e Carnegie (Gary Oldman). Sobre como homens mal intencionados se apropriam da representatividade divina para promover seus anseios. Paralelamente, existe a mensagem cristã (essa mais bem desenvolvida) de que o homem, além de instrumento divino, pode, sim, se comunicar com Deus.

Gary Oldman e Denzel Washington em cena de O livro de Eli: Os atores estão em um ótimo nível, mas o filme não os acompanha

O filme dos irmãos Hughes, porém, não consegue exceder as boas idéias que traz em seu cerne e materializá-las em um filme equilibrado e bem desenvolvido. Do jeito que ficou, O livro de Eli não decepciona. É ágil, tem uma concepção visual instigante, ação na medida certa e um Denzel Washigton, para variar, inspirado. Mas é um filme de ação e ficção científica comum. Com todo o peso que a palavra comum atribui a um filme do gênero de ação e ficção científica.