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sábado, 25 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - #oscarfacts

Onde eu assino no Guinness?
 A figurinista Catherine Martin acaba de registrar um pequeno recorde com as indicações de 2014. Depois de ser nomeada em 2002 pelo figurino e direção de arte de Moulin Rouge – amor em vermelho, e ganhar os dois Oscars, ela repete o mesmo feito (as indicações, ao menos) em 2014 por O grande Gatsby. Ambos os filmes dirigidos por Baz Luhrmann. Houve outras indicações no ínterim, mas o recorde em questão é que ninguém, além dela, conseguiu ser indicada por figurino e direção de arte ao Oscar no mesmo ano, pelo mesmo filme, duas vezes.

A figurinista disse que sempre trabalhará com Baz Luhrmann e é compreensível, já que a parceria tem dado certo. Martin também foi indicada ao Oscar pelo figurino do contestado Austrália (2008)

Woody Allen e o roteiro
Woody Allen já tem quatro Oscars e continua com fome. Sua coleção de indicações, especialmente como roteirista, continua crescendo e ele não dá pistas de que esse cenário vá mudar. Por Blue Jasmine, ele conseguiu sua 16ª indicação na categoria. A segunda em três anos, desempenho que não conseguia repetir desde o alvorecer dos anos 90.

A nova poderosa chefona

Em 2011, Scott Rudin conseguiu um feito raro. Foi indicado duplamente ao Oscar de melhor filme, por A rede social e Bravura indômita. Ali, como produtora executiva do filme dos Coen, estava Megan Ellison. Filha de um bilionário do setor de tecnologia, ela se anuncia uma figura prodigiosa no universo dos produtores independentes. Depois de emplacar A hora mais escura na disputa em 2013, ela chega em 2014 com dois filmes selecionados na categoria principal. Ela e o badalado Trapaça. Analistas da indústria já a colocam como pedra no sapato do todo poderoso Harvey Weinstein. Não obstante, ela foi capaz de atrair David O. Russell, que rodara O lado bom da vida sob a guarda de Weinstein, para fazer Trapaça no selo independente da Sony. Atuando como produtora há apenas três anos, ela conseguiu algo que apenas Weinstein, Rudin e Francis Ford Coppola, titãs da indústria, conseguiram em 85 anos de Oscar.

A descoberta de Abi

Todo ano o Oscar promove uma estrela. Ou melhor, eleva ao panteão das maiores estrelas do mundo aquelas figuras que não exatamente pertencem a este universo. Há sempre algum debutante na atuação em cena ou alguém de fora do mainstream. Em 2014 essas características se concentram todas em Barkhad Abi. Não só ele não era ator antes de chocar o mundo, e eclipsar ninguém menos que Tom Hanks em Capitão Phillips, como era motorista. Além de ser somali, o que invariavelmente diminui seu apelo em termos de premiações.
Mas aí está o Oscar revelando para o mundo, com toda a justiça, um ator intuitivo de incrível energia e muito futuro.

Os maiores hiatos
Alguns artistas voltam ao Oscar depois de longos anos. Claquete destaca os dois casos mais emblemáticos nas categorias de atuação.
Bruce Dern foi indicado a melhor ator coadjuvante em 1979 por Amargo regresso e volta a disputar a estatueta em 2014 como ator por Nebraska. São 35 anos entre uma indicação e outra. Julia Roberts recebeu seu Oscar em 2001 por Erin Brockovic – uma mulher de talento. Justamente quando foi indicada pela última vez, 13 anos atrás.

When Judi meets Cate

Cate Blanchett já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sexta indicação ao prêmio. Judi Dench já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sétima indicação ao prêmio. No ano em que Cate Blanchett conquistava sua primeira indicação, em 1999, como atriz por Elizabeth, Judi Dench, então em sua segunda indicação, conquistava seu primeiro Oscar, como coadjuvante por Shakespeare apaixonado. Em 2007 elas foram indicadas ao Oscar pelo mesmo filme, Notas sobre um escândalo. Cate como coadjuvante e Judi como protagonista. Agora, em 2014, elas se enfrentam pela primeira vez no Oscar na categoria de atriz. O favoritismo é de Cate, mas muita gente aposta que Judi pode surpreender.

When Amy meets Meryl

Outra sinergia esquisita ocorre entre Meryl Streep e Amy Adams. Elas já estrelaram dois filmes juntas. Por ambos os filmes, Meryl Streep foi indicada ao Oscar. Pelo primeiro deles, Amy também foi. Os filmes em questão foram Dúvida (2008) e Julie & Julia (2009). Meryl Streep foi indicada ao Oscar seis vezes nos últimos dez anos. O melhor desempenho entre intérpretes, tanto em categorias masculina como feminina. O segundo melhor desempenho? Amy Adams que chega à quinta indicação em nove anos. Em 2014 será a primeira vez que elas se enfrentam no Oscar.

A primeira vez a gente nunca esquece
Michael Fassbender falou, em setembro último, que não faria campanha por uma indicação ao Oscar como coadjuvante por 12 anos de escravidão. Fassbender, que fez muita campanha em 2012 por uma indicação por Shame, acabou indicado pelo trabalho e, tal como Joaquin Phoenix no ano passado, às custas única e exclusivamente de seu trabalho em 12 anos de escravidão. Ator de muitos recursos e muito versátil, Fassbender que já merecia uma indicação ao Oscar desde Shame, deve voltar muito à festa da Academia. Mas o sabor da primeira vez fica.

A primeira esnobada a gente nunca esquece
Outro que goza de sua primeira indicação, e já na posição de favorito ao prêmio, é Matthew McConaughey. Só que McConaughey teve que amaciar a carne. Depois de uma consolidada carreira como galã de comédias românticas, o ator deu um giro de 180º em sua carreira que muitos pagavam para ver até onde iria. E pode ir ao Oscar e além, como sugerem seus créditos para os dois próximos anos. Nesta dourada jornada, McConaughey foi solenemente ignorado por performances arrasadoras em filmes como Killer Joe, Magic Mike e Amor bandido.

Agora vai?
Roger Deakins é um dos maiores perdedores da história do Oscar. Em todas as categorias, mas entre os diretores de fotografia a coisa fica mais chata. Todo ano ele recebe menção aqui no #oscarfacts de Claquete sob a expectativa de que o ano em questão pode ser, finalmente, o da redenção. Não deve ser em 2014, no entanto, que Deakins sairá da fila. Indicado pela arrebatadora fotografia de Os suspeitos, configurando sua quarta indicação em seis anos, suas chances são menores do que em outros anos. A indicação de Deakins é a única de Os suspeitos e há toda a celebração em cima da fotografia de Gravidade, de Emmanuel Lubezki, outro que nunca ganhou o Oscar, mas pode conquistá-lo em sua sexta indicação.

O fator Hanks                                                                 
Tom Hanks, que era dado como certeza na categoria de melhor ator por Capitão Phillips, acabou de fora e levou analistas da indústria a se depararem com a seguinte pergunta: a Academia superou Tom Hanks? Sim, porque desde 2001, o ator não é indicado ao Oscar, mesmo tendo apresentado meia dúzia de atuações mais do que dignas de nomeações. A hipótese permanece sem uma elaboração aceitável, mas parece que grande parte da Academia considera que os dois Oscars cedidos de maneira consecutiva no início dos anos 90 já qualificam distinção suficiente a Hanks na história e que não seria preciso elevá-lo a uma “Meryl Streep entre os homens”.


Quem foi mais esnobado? 
Leonardo DiCaprio tem dez indicações ao Globo de Ouro e em 2014 conquistou sua quarta nomeação ao Oscar. Tom Hanks, por seu turno, ostenta oito nomeações ao Globo de Ouro e apenas uma a mais que DiCaprio no Oscar, apesar das duas consagradoras vitórias. Claquete faz a análise das análises, quem desses dois grandes atores americanos foi mais esnobado pela Academia?


Leonardo DiCaprio está mesmo com tudo ou por fora, dependendo da perspectiva. DiCaprio, no crivo de Claquete, apresenta mais performances dignas de indicação ao Osca ( e que não foram nomeadas) do que o venerável Tom Hanks. Foram oito os trabalhos de DiCaprio solenemente ignorados pela Academia e seis os desempenhos de Hanks que foram excluídos do Oscar. Atenção para um detalhe: os trabalhos esnobados estão com o ano de seu lançamento e os trabalhos nomeados com o ano da nomeação.


Scorsesiano

Ao que parece, Martin Scorsese caiu de vez nas graças da Academia. Embora esta ainda lhe deva uns três Oscars, para fazer jus à grandeza do cineasta americano, a academia tem destacado Scorsese mais do que qualquer outro cineasta do cinema atual contemporâneo. Dos anos 2000 para cá, Scorsese realizou seis longa-metragens ficcionais. Ele foi indicado ao Oscar de direção por cinco deles. Só ficou de fora por Ilha do medo (2010), que é um de seus melhores trabalhos de direção em todos os tempos, mas o filme é, também, uma homenagem aos filmes de terror B; o que minou suas chances na academia.
De qualquer maneira, Scorsese é o cineasta mais indicado ao Oscar de direção nos últimos 15 anos. Uma distinção justa para um dos maiores diretores de todos os tempos. Ao todo, Scorsese tem 11 indicações ao Oscar. Oito delas como diretor.


Rancor ou verdade? 
Robert Redford disse que acabou de fora da corrida pelo Oscar por que o estúdio responsável por Até o fim, a Lionsgate, não acreditou no filme e não fez campanha. A fala de Redford, que disse que seria ótimo ser indicado, mas que não fica triste por não ter conquistado essa que seria sua primeira indicação ao prêmio como ator, escancara uma das principais características de toda a corrida pelo Oscar. A força das campanhas. Por trás da indicação de Leonardo DiCaprio, está o fato de que o ator se engajou na campanha por O lobo de Wall Street, do qual também é produtor. DiCaprio, vale lembrar, não costumava se engajar nas campanhas pelo Oscar.
A declaração de Redford, no entanto, vale para ele também. Redford tem o tipo de estatura na indústria que não precisa da sombra do estúdio.

Ator e produtor
Leonardo DiCaprio e Brad Pitt concorrem ao Oscar como produtores de O lobo de Wall Street e 12 anos de escravidão respectivamente. Ano passado, George Clooney e Ben Affleck ganharam o Oscar como produtores de Argo. Pitt concorreu no ano anterior como produtor dos filmes A árvore da vida e O homem que mudou o jogo. Não se fazem mais atores como antigamente em Hollywood e neste caso, isso é uma boa notícia. 

American darlings

Alexander Payne e David O. Russell travam uma batalha particular no Oscar 2014. A briga é pelo posto de quem é o maior darling da composição atual do colegiado da Academia. Ambos costumam colecionar indicações como roteirista e diretor, Payne ainda assombra como produtor. Mas isso é o de menos. Ambos foram indicados ao Oscar pelos seus últimos três trabalhos. Payne tem ligeira vantagem. Além de ter mais indicações (7 contra 5), venceu duas vezes – pelos roteiros de Sideways (2004) e Os descendentes (2011). Russell, no entanto, conseguiu o feito de ter seus atores principais indicados nas quatro categorias principais por dois anos seguidos. Demolidores de estatísticas nas hostes do Oscar, os dois se enfrentam pela primeira vez na categoria de direção. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Claquete 4 anos - Os favoritos do editor

Quatro atores

Bradley Cooper

Bradley Cooper era um ator que já tinha minha atenção desde seus primeiros trabalhos como coadjuvante de Jim Carrey e da dupla Owen Wilson e Vince Vaughn, mas ele explodiu junto com o surgimento de Claquete. O primeiro Se beber, não case! revelava um cara mais cool do que se supunha e com força suficiente para ser leading man. Nunca desconfiei de seu potencial e quis o destino que nesses quatro anos de blog, Cooper redesenhasse completamente seu status em Hollywood. A indicação ao Oscar por O lado bom da vida em 2013 é prova definitiva de que meus instintos estavam certos. 

Michael Fassbender

Ele despontou em 2008 com Hunger, mas foi em Bastardos inglórios – um dos melhores filmes do ano de nascença de Claquete – que Fassbender mostrou que além de talento reunia todos os elementos para ser um dos atores mais interessantes do cinema contemporâneo. Seus trabalhos subsequentes em X-men: primeira classe, Shame, Um método perigoso, Jane Eyre e Prometheus foram igualmente hipnóticos. O alemão de ascendência irlandesa é um dos achados do cinema nesses quatro anos de Claquete.

Ryan Gosling

Há um culto a Ryan Gosling por aí. Mas, verdade seja dita, o ator fez por merecer. Nesse espaço de tempo em que Claquete existe, nenhum outro ator foi tão intenso em cena e feliz na escolha de seus projetos. Gosling brilhou nos ótimos Tudo pelo poder, Drive, Namorados para sempre, O lugar onde tudo termina e Amor a toda prova, configurando-se como um dos pilares da cobertura do blog nos últimos anos.

George Clooney

Tudo bem que ele é um de meus atores preferidos, mas Clooney pediu licença a minha predileção e fez por merecer sua vaga aqui. Duas indicações ao Oscar e filmes tão diversos como Amor sem escalas, Os descendentes, Tudo pelo poder, Um homem misterioso e O fantástico Sr. Raposo. Além, é claro de produzir filmes interessantes como Argo. Foi um período prolífico para Clooney que cada vez mais ratifica seu nome como um dos maiores do cinema americano em todos os tempos. 

Quatro atrizes

Rooney Mara

Ela literalmente foi revelada com o blog no ar. Seu primeiro papel no cinema foi no remake de A hora do pesadelo, mas foi David Fincher quem lapidou essa joia do cinema americano. Primeiro em A rede social e depois na versão americana de Os homens que não amavam as mulheres. Agora, com trabalhos agendados com Terrence Malick e Stephen Daldry, e com uma indicação ao Oscar na bagagem, Mara é uma realidade.

Jennifer Lawrence

Esse tesouro Claquete viu crescer. Desde a impressionante atuação em Inverno da alma, que valeu a primeira indicação ao Oscar, Lawrence tem sido alvo constante do blog. E não é para menos. Poucas jovens atrizes combinam um dedo tão bom para escolher projetos com um talento visceral e tão bem encorpado. O Oscar que ganhou esse ano é apenas o começo de sua história.

Carey Mulligan

Outro caso de atriz revelada nos primórdios do blog. Mulligan, no entanto, já soa veterana em 2013. Depois de trabalhar com newcomers originais (Steve McQueen em Shame e Nicolas Winding Refn em Drive), com diretores pop (Baz Luhrmann em O grande Gatsby e Oliver Stone em Wall Street – o dinheiro nunca dorme), a atriz parece mais do que uma aposta certeira do blog.

Meryl Streep

Outro caso de preferência pessoal minha que fez valer sua menção nessa postagem especial. Nesses quatro anos em que existe Claquete, Meryl Streep foi indicada ao Oscar duas vezes, ganhou sua terceira estatueta, e impôs recorde sobre recorde de bilheteria em sua carreira. Além de estrelar nada mais, nada menos do que cinco filmes neste espaço de tempo.


Quatro blockbusters

Sherlock Holmes
Típico filme de férias, o filme de Guy Ritchie não é a oitava maravilha do mundo, mas cumpre a proposta de reinventar o personagem preservando suas principais características.   

X-men: primeira classe
Nenhum blockbuster foi tão longe durante os quatro anos do blog. É de longe o filme mais político e bem fundamentado do cinemão americano recente e uma aventura de encher os olhos.

Os vingadores
É sonho de menino realizado. Pena que o filme não sobrevive à idealização, mas ainda assim é um entretenimento de respeito.

Guerra mundial Z
O filme estrelado por Brad Pitt é de longe o blockbuster mais cativante de 2013, ano em que Claquete completa quatro anos.

Quatro perfis feitos pelo blog
Essa é uma de minhas seções preferidas, embora eu as faça muito pouco. Até para não banalizar a grandeza que é perfilar um nome do cinema. É lógico que precisam ser feitas as ressalvas de um perfil feito à distância, mas sempre procuro afinar o olhar no escopo que faço dos perfilados em Claquete.

Publicado em 20/10/2011
Publicado em 13/04/2011
Publicado em 27/10/2010
Publicado em 27/01/2010

Quatro Tira-teimas
Um olhar sobre as duas grandes turmas da comédia da primeira década dos anos 00.
Publicado em 28/08/2011

O desempenho das duas editoras de HQ nos cinemas
Publicado em 24/04/2011

Dois dos maiores mestres do cinema em um embate crepuscular em Claquete
Publicado em 31/12/2010

As duas beldades que marcam uma das maiores rivalidades não declaradas do mundo das celebridades duelam no blog.
Publicada em 29/05/2010

Quatro Davids

David Fincher
Com dois filmes nesse espaço de quatro anos (A rede social e Os homens que não amavam as mulheres), Fincher continuou cativando com seu cinema cerebral e de perfeição técnica e narrativa.
David Fincher segue como um dos principais realizadores contemporâneos
David Cronenberg
Um método perigoso e Cosmópolis são dois dos melhores filmes que há sobre psicologia e capitalismo respectivamente. Claquete deu a devida ênfase a esses brilhantes trabalhos nesse intervalo de quatro anos de um dos maiores autores do cinema moderno.

David O.Russell
Se houve um diretor que se cacifou no cinema americano nesses quatro anos, esse diretor é David O.Russell. Hoje, um cineasta do mais alto pedigree, o diretor dos excelentes O vencedor e O lado bom da vida – filmes devidamente dimensionados pelo blog – deixou para trás os tempos de diretor estrelinha.

David S.Goyer
Nenhum roteirista teve seu passe mais valorizado que Goyer, responsável por toda a trilogia do cavaleiro das trevas e do novo O homem de aço. Ele também se experimentou na TV e na direção, mas é como o homem forte das superproduções (a Warner já anunciou que se um filme da Liga da justiça for escrito será por ele) que Goyer se resolveu.
Quatro filmes surpreendentes
Aqui eu destaco filmes que não suscitavam as melhores das expectativas em mim ou que até despertavam alguma expectativa, mas que as subverteram completamente se mostrando filmes muitos melhores e bem adensados do que eu supunha.

Guerreiro
Outro filme que eu estava interessado em assistir, mais por se passar no universo do MMA (modalidade esportiva da qual sou fã) do que por qualquer outra razão. Mas o filme é de uma força dramática ímpar com personagens muito bem delineados.
Pôster de Guerreiro, um dos surpreendentes filmes resenhados no blog nesses quatro anos
Os miseráveis
Estava desconfiado com Tom Hooper. O discurso do rei é quadradão e o trailer do filme não me empolgou, mas fui arrebatado no cinema. O filme é de uma profundidade maravilhosa e o elenco está em estado de graça. A direção de Hooper, para queimar mais minha língua, torna Os miseráveis um filme muito melhor.

Arrasta-me para o inferno
Eu já esperava me divertir à beça com esse filme, mas essa volta de Sam Raimi ao terrir é muito melhor do que se poderia imaginar. Não à toa, o filme acabou figurando na minha lista de melhores de 2009.
O Grande Gatsby
Era um dos que desconfiava severamente dessa versão de Baz Luhrmann para o clássico de Fitzgerald. No fundo, queria gostar do filme porque gosto do cinema de exuberâncias do australiano. Mas nem precisei fazer concessões. O grande Gatsby é um filme poderoso e cativante, de maneira muito particular, mas que se impõe como experiência cinematográfica envolvente.

Quatro Insights
Uma análise da linguagem e dos interesses do cineasta iraniano Abbas Kiarostami
Publicada em 25/11/2012

Um olhar sobre filmes que colocam o sexo, e nossa relação com ele, na ordem do dia
Publicada em 25/03/2012

Claquete, dois anos atrás
Publicada em 12/07/2011

Uma análise sobre quem deve postular, de fato, a autoria de uma produção cinematográfica
Publicada em 09/01/2011


Quatro postagens em Claquete que merecem ser descobertas

Uma seção Insight que pretende dar dimensão ao tema
Publicado em 06/06/2010

A extinta seção Ponto crítico ouviu o crítico de cinema Heitor Augusto discorrer sobre a filmografia de Almodóvar por força da estreia de Abraços Partidos em 2009
Publicado em 23/11/2009

Almodóvar: sempre presente em Claquete


Outra seção extinta em um grande momento. Uma ressonância da pobreza da crítica de cinema vigente especialmente na internet
Publicado em 21/06/2011

Os 25 melhores filmes da década: apêndice partes I e II
Duas postagens especiais e complementares que dão um fecho a um dos especiais mais ousados, completos e satisfatórios já feitos pelo blog
Publicado em 22/05/2010

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cenas de cinema


Cosmético ou fonte da juventude?
O site Madamenoire apresentou uma lista original e muito surpreendente. Elencou diversas celebridades que parecem ser bem mais jovens do que aparentam. Entre os destaques figuram Jim Parsons, o Sheldon de The big bang theory que nem aqui nem na China parece ter os 39 anos que sua identidade apontam; o cantor e ator Jared Leto que, pasmem, já tem 40 anos; a diva da comédia Elizabeth Banks que tem 38 anos; Keanu Reeves que tem incríveis 47 anos; e, claro, Johnny Depp que apesar de ostentar 48 anos, manteve o look de trinta e poucos.

Keanu Reeves em foto do primeiro semestre deste ano: sem fantasma de tiozinho...


Tudo azul em Forks
Vem aí o último filme da saga Crepúsculo e, como se isso em si já não bastasse, a promoção de Amanhecer – parte 2 ainda traz na bagagem as reminiscências da crise conjugal vivida por Robert Pattinson e Kristen Stewart. Reconciliados, os pombinhos se juntaram ao vértice ficcional do triangulo amoroso que vivem nas telas, Taylor Lautner, em uma entrevista que deram para a MTV americana. Riram, fizeram piada e se disseram saudosos dos personagens, mas felizes por estarem concluindo a saga que projetou-os internacionalmente. Robert Pattinson falou até sobre sexo. Mas tudo dentro do contexto de Edward e Bella. “Foi horrível”, disse o rapaz. “Bill (Condon, o diretor), você estragou tudo para mim”, prosseguiu Kristen. Hummm...

À MTV americana, o trio riu, riu e riu: na ficção foi tudo ruim, já na vida real...


A sarjeta da fama

Em uma excelente matéria publicada na edição de novembro da revista Serafina, o jornalista Vinícius Donola retrata a vida de um punhado de personagens que se perderam do sonho que os guiou à Hollywood. A matéria apresenta pessoas que vivem fantasiadas de super-heróis e outros personagens célebres do cinema na calçada da fama em Los Angeles em busca de gorjetas e oportunidades. Com bom humor, a reportagem ilustra tanto a desilusão quanto o companheirismo que emerge desse paradoxo tão cativante para quem lê. A matéria pode ser conferida aqui.

A mulher maravilha, Jennifer Wenger, alvo de uma paixão platônica do super- homem Christopher Dennis, passou a deixar a capa em casa porque escondia o que os turistas queriam ver...


Novo filão
Harvey Weinstein, famoso e famigerado produtor de cinema, sempre investiu na Broadway. Mas sempre com parcimônia, afinal, era um homem do cinema. Mas, segundo reportagem do New York Times, essas são águas passadas. Weinstein assumiu a principal cadeira na produção de diversos musicais, inclusive uma versão para “Em busca da terra do nunca”, orçada em U$ 11 milhões e que recebeu cotação cinco estrelas. Setores da Broadway estão otimistas quanto ao toque de midas de Weinstein que, indagado pela reportagem do New York Times sobre a revigorada disposição de investir em teatro, saiu-se com essa: “The show must get better”.

Bardem rules

Todo mundo adora quando um trocadilho funciona! Javier Bardem principalmente. Foi dele a ideia de seu vilão em 007- operação Skyfall ser loiro oxigenado e efeminado. Um contraponto interessante à figura de Bond e um diálogo quase uterino com o vilão Anton Chigurh, ao qual deu vida em Onde os fracos não têm vez (2007), dos irmãos Coen.


Terceiro ator europeu a encarnar o vilão de Bond consecutivamente, os outros foram o dinamarquês Mads Mikkelsen em Casino Royale e o francês Mathieu Amalric em Quantun of Solace, o espanhol foi o único a deixar suas digitais na galeria dos grandes vilões do universo de 007.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Oscar Watch 2012 - #Oscarfacts


- A categoria de melhor filme apresenta como favoritas, tradicionalmente, produções adaptadas de obras já existentes. No entanto, nos últimos anos essa máxima não se aplicou. Os dois últimos Oscars foram vencidos por filmes com roteiro original (Guerra ao terror e O discurso do rei)

- Apesar de não ser considerado um grande diretor de atores, é a terceira vez consecutiva que David Fincher garante indicação de atuação para seu protagonista. Em 2009, Brad Pitt concorreu ao Oscar de melhor ator por O curioso caso de Benjamin Button; em 2011, Jesse Eisenberg foi nomeado por seu desempenho em A rede social e em 2012, Rooney Mara disputa o Oscar de melhor atriz por Os homens que não amavam as mulheres.

- É a sétima indicação ao Oscar de direção recebida por Martin Scorsese. Ele já concorreu por Touro indomável (1981), A última tentação de Cristo (1989), Os bons companheiros (1991), Gangues de Nova Iorque (2003), O aviador (2005) e ganhou por Os infiltrados (2007). Scorsese também já foi indicado pelos roteiros de Os bons companheiros e A época da inocência (1994).

- Em 2012, por A invenção de Hugo Cabret, é a primeira vez que Scorsese concorre como produtor.

- Das sete indicações de Scorsese ao prêmio de diretor, quatro se concentram nesta década

- É a terceira indicação ao Oscar de Michelle Williams. A segunda consecutiva para a categoria de atriz. Ela concorreu como coadjuvante por O segredo de Brokeback Mountain (2006) e foi contemplada no ano passado por sua performance em Namorados para sempre.


Quem é mais canastrão?
O mexicano Demian Bichir e o francês Jean Dujardin são os elementos exóticos entre os finalistas ao Oscar de melhor ator em 2012


- Por Meia-noite em Paris, Woody Allen recebeu sua 14ª indicação ao Oscar como roteirista.


- Pelo mesmo filme, ele concorre pela sétima oportunidade como diretor


- Com as duas indicações conquistadas em 2012 ele supera Billy Wilder em matéria de indicações ao Oscar como roteirista e diretor. Vale lembrar que Allen também já concorreu como ator por Noivo neurótico, noiva nervosa


- O cinegrafista Robert Richardson recebeu sua sétima indicação ao Oscar por A invenção de  Hugo Cabret. É a segunda vez que ele é indicado por uma colaboração com Martin Scorsese. Na outra oportunidade, ganhou pela fotografia de O aviador.
A outra vitória de Richardson foi conquista pela fotografia de JFK – a pergunta que não quer calar (1992).


- É a terceira indicação ao Oscar de Nick Nolte. A primeira como coadjuvante. Antes de ser nomeado pela performance em Guerreiro, o ator concorreu por Temporada de caça (1997) e O príncipe das marés (1991)


- Se Woody Allen e Martin Scorsese ostentam longas filmografias, os cineastas Alexander Payne e Terrence Malick apresentam filmografias curtas, mesmo com longas carreiras. Cada um tem cinco filmes lançados como diretor e ambos receberam em 2012 a segunda nomeação ao Oscar da categoria. Já o francês Michel Hazanavicius, com 11 longas no currículo e a menor carreira em anos entre os cinco, debuta no Oscar.


- Kristen Wiig e Annie Mumolo são as únicas mulheres concorrendo na categoria de roteiro por Missão madrinha de casamento. Bridget O ´Connor, que divide o crédito de O espião que sabia demais com Peter Straughan, faleceu no fim de 2010.


- A última vez que uma mulher ganhou o prêmio de roteiro foi em 2008 quando Diablo Cody triunfou em roteiro original com Juno

- Diablo Cody não conseguiu nomeação este ano pelo filme Jovens adultos que a reuniu com o diretor de Juno, Jason Reitman

Lenda Viva
Meryl Streep ampliou o recorde de indicações para intérpretes. Por A dama de ferro, obteve sua 17ª nomeação ao Oscar


- Stephen Daldry não conseguiu sua quarta indicação ao Oscar por seu quarto filme (Tão forte e tão perto), mas emplacou a candidatura de melhor filme. Continua, portanto, detentor de um dos melhores aproveitamentos nos prêmios da academia

- É quarta vez em seis anos que George Clooney é indicado ao Oscar em categorias de atuação. Ele venceu em sua primeira candidatura como coadjuvante por Syriana – a indústria do petróleo (2006) e voltou à disputa na categoria principal por Conduta de risco (2008), Amor sem escalas (2010) e Os descendentes (2012).

Clooney no Oscar: ano sim, ano não...


- É o terceiro ano seguido que a figurinista Sandy Powell concorre à estatueta. To total são dez indicações e três vitórias por Shakespeare apaixonado (1998), O aviador (2004) e A jovem rainha Vitória (2010). Em 2012, ela concorre por A invenção de Hugo Cabret


- Brad Pitt não vai mais concorrer ao Oscar 2012 em três categorias. Como A árvore da vida tem muitos produtores, e apenas três podem ser nomeados, Pitt foi excluído da disputa em favor de produtores de maior proeminência na realização do filme


- Bélgica, Irã, Israel, Polônia e Canadá são os países que têm fitas indicadas para o Oscar de filme estrangeiro. Desses países, a Polônia é que detém o maior número de vitórias na categoria


- Em 2012, é a primeira vez que apenas duas canções concorrem ao Oscar da categoria


- O polonês Janusz Kaminski recebeu em 2012 sua quinta nomeação ao Oscar de fotografia por Cavalo de guerra. A única indicação recebida por um trabalho não feito com Steven Spielberg foi em 2008 pela fotografia de O escafandro e a borboleta. O polonês já tem duas vitórias por A lista de Schindler e O resgate do soldado Ryan


- O compositor Howard Shore tem um desempenho notável em matéria de Oscar. Foram 3 indicações e três vitórias pelas trilhas sonoras de O senhor dos anéis: a sociedade do anel e O senhor dos anéis: o retorno do rei e pela canção deste último. Em 2012, ele obteve a quarta indicação pela trilha sonora de A invenção de Hugo Cabret

Howard Shore e seus Oscars: invencibilidade posta à prova em 2012 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - O caso Jeff Bridges

É curioso como ao longo dos anos a academia se especializou em inverter as bolas nas premiações para atores. É pacífico que muitos prêmios para a classe de atores se prestam mais a uma homenagem pela carreira do que pelo papel lembrado propriamente dito. Com diretores, embora muitos argumentem que a premiação de Scorsese em 2007 por Os infiltrados se enquadre nessa estatística, essa garimpagem é mais difícil. Restam os oscars honorários, como foram os casos de gente como Hitchcock, Kubrick, Blake Edwards, entre outros. Não é necessário estar no fim da carreira para “justificar” um Oscar. Julia Roberts, por exemplo, estava no auge da popularidade e ainda a quase uma década de chegar aos famigerados “enta” (a atriz tinha 33 anos em 2000) quando ganhou um Oscar pelo papel título no filme (com jeito de telefilme) Erin Brockovich- uma mulher de talento. Prevalecendo sobre concorrentes muito melhores como Ellen Burtsy por Réquiem por um sonho. A premiação a Roberts ocorreu porque existia a necessidade de consagrar artisticamente a maior estrela de Hollywood naquele momento (o mesmo aconteceria com Reese Witherspoon em 2006). Quatro anos mais tarde, a estrela entregaria uma atuação digna de tal reconhecimento no Oscar em Closer –perto demais (no mínimo, muito mais densa do que a que foi premiada), mas não foi sequer lembrada.
Não é preciso ir muito longe para ver que a academia, vira e mexe, troca as mãos pelos pés. Em 2000 (que ano hein?!), premiou Russel Crowe pela boa perfomance em Gladiador. O gesto não foi muito discutido porque a concorrência estava nivelada e, de quebra, configurava-se um novo astro. Mas no ano seguinte veio o castigo. Crowe estava duas escalas acima de seus concorrentes em 2001 por Uma mente brilhante (papel pelo qual amealhou prêmios a torto e direito), mas perdeu o Oscar de melhor ator para Denzel Washington por Dia de treinamento (outro injustiçado histórico que chegava assim a seu segundo Oscar, boa média para distinguir os grandes dos demais).


Julia Roberts em cena de Erin Brockovich: ela ainda entregaria a grande performance de sua carreira anos mais tarde, mas a academia não punha muita fé que isso pudesse acontecer...


E o que dizer de Peter O´Toole? O ator mais derrotado na história do Oscar? Foram sete indicações, sem nenhuma vitória. Em 2003, a academia lhe concedeu o famigerado Oscar em homenagem a vistosa carreira. Tudo para dali a três anos se ver na contingência de indicá-lo novamente ao prêmio. Sua atuação em Vênus (2006) foi, certamente, a melhor da temporada. Contudo, para evitar uma saia justa maior ainda, optou-se pelo favorito Forest Whitaker (que justiça seja feita também merecia o prêmio). O´ Toole, além de aumentar o recorde de ator mais derrotado da história dos Oscars, ainda acrescentou a curiosa estatística de ter sido o único a concorrer a um Oscar após ter recebido um prêmio de homenagem pela carreira.

Russel Crowe, soberbo, em Uma mente brilhante: a academia achou que ele não "merecia" uma segunda estatueta e negou-lhe o Oscar mais merecido


E o Jeff Bridges?

Pois é. Ano passado Jeff Bridges, apesar de merecer a indicação, não tinha nem de longe a melhor atuação do ano. O fato de ser um ator veterano, com bom trânsito junto à comunidade artística e que nunca tinha sido reverenciado a contento, pesou mais do que as melhores atuações de Colin Firth (Direito de amar) e George Clooney (Amor sem escalas) na hora H. Ok. Mas qual é a celeuma aí? A história se repete. Para a ironia ficar mais gostosa. Firth (O discurso do rei) e Bridges (Bravura indômita) retornam a cena em 2011. Firth, dessa vez com o favoritismo. Apesar de sua performance em Direito de amar ser apontada como superior, ele pode faturar o prêmio este ano - como uma mea-culpa pela omissão da academia. Que por sua vez pode nem mesmo indicar Bridges, por um papel, no limiar, mais complexo e exigente do que o do cantor decadente Bad Blake em Coração Louco. Configuraria-se, dessa maneira - ainda que hipoteticamente, uma injustiça dupla. Ou quadrúpla, se atentarmos à matemática.
Claquete não advoga que Firth não mereça o prêmio pelo papel do rei George ou que Bridges merece a dobradinha. Apenas antecipa e contextualiza para o leitor uma “maldição” que parece se renovar anos após ano nos bastidores do principal prêmio da indústria cinematográfica.

Colin Firth em cena de O discurso do rei e Jeff Bridges em Bravura indômita: So we meet again...