O que vem depois da felicidade...
Em A vida durante a guerra a intenção de Solondz era avançar nos temas tratados em Felicidade. O diretor, no entanto, só se repete
Doze anos após Felicidade (Hapiness, EUA 1998), Todd Solondz retoma os personagens daquele filme em A vida durante a guerra (Life during wartime, EUA 2009). No novo filme, Solondz busca rememorar a acidez com que via o mundo em Felicidade. Para isso, não só revisita os personagens como revisita cenas inteiras daquele filme. Quem não volta para A vida durante a guerra são os intérpretes originais. Solondz justificou, em mais de uma oportunidade, que optou por novos atores porque não queria amarras no registro. Essa justificativa, no entanto, não faz sentido. A estética pura e simples também não mancomuna com a opção de ter os personagens de Felicidade vividos por atores distintos dos que os viveram primeiramente. Por outro lado, essa opção acresce interesse ao registro que Solondz faz desses personagens em um mundo mudado. Em um mundo à sombra do 11 de setembro. Se no primeiro filme a busca era pela felicidade, agora a busca é pelo perdão. Muito se faz, muito se erra na busca pela felicidade, “mas só os perdedores esperam ser perdoados”, vaticina uma personagem em um dado momento. A vida durante a guerra apresenta o mesmo esboço esquemático que pauta o cinema de Solondz (calcado em diálogos ásperos e em um humor de deslocamento que cerceia o drama) e alcança os mesmos efeitos. Choca, mas não envolve. Os temas repercutidos em Felicidade estão de volta (o passado é algo do qual não se pode fugir, argumenta Solondz), mas eles não ganham profundidade. Agrega-se a trama algumas ponderações sobre terrorismo que não avançam à psicologia de botequim. Embora renda cenas interessantes, o todo de A vida durante a guerra não produz o mesmo impacto proporcionado por Felicidade. Solondz era mais arguto e sarcástico ali. Aqui é apenas repetitivo.