Já era sabido que o verão de 2010 seria menos vistoso que o de 2009 que foi impulsionado pelos ótimos filmes da temporada 2008. Porém, os executivos dos estúdios não esperavam um desânimo tão grande por parte do público. É verdade que a Copa do mundo, realizada em junho, entra em choque com alguns dos maiores lançamentos da temporada, mas os números já vinham baixos desde antes do início do mundial. Filmes como Sex and the city 2, Príncipe da Pérsia:areias do tempo, Robin Hood, Esquadrão classe A e Shrek para sempre faturaram bem menos do que seus estúdios estavam esperando. Até o momento, a queda em relação ao ano passado neste mesmo período do ano é de 30%. Um verdadeiro rombo nas finanças que nem em 3D fica menos preocupante. A expectativa da indústria é que Eclipse, que estréia nesta semana, ajude a diminuir os prejuízos.
A estréia não parecia promissora, mas segundo dados da Exibithor relations, Shrek 4 é o filme de maior estabilidade nas bilheterias desse verão 2010. O fato de ter sido a única fita a liderar por três finais de semana consecutivos corrobora este dado. O filme depois de um mês em cartaz, mantém ótima média de público por sala e, diferentemente de outras produções também lançadas em 3D, atrai grande público para as cópias tradicionais.

Ashton Kutcher na febre para promover seu mais recente filme, Par perfeito, ameaçou divulgar ilegalmente os 20 minutos iniciais da fita. Além do puxão de orelha que levou do estúdio Lionsgate (que não havia exibido o filme para imprensa temendo reações adversas), Kutcher viu sua comédia de ação naufragar nas bilheterias. Depois da fraca estréia em que arrecadou U$ 16 milhões, a fita despencou no ranking americano e, conforme previsto, amealhou péssima repercussão crítica. O Washington Post escreveu acidamente: “Há filme que nem a pirataria salvaria”.

No fim de semana mais nostálgico de 2010, a adaptação da série de TV Esquadrão Classe A e o remake de Karatê Kid disputaram a preferência do público americano. Entre os dias 11 e 13 de junho, o filme estrelado por Jackie Chan e Jaden Smith levou a melhor. A atualização da história de um mestre das artes marciais e seu pupilo faturou U$ 56 milhões contra U$ 26 milhões do filme estrelado pelo grupo de militares mercenários. O resultado foi acima do esperado para o filme produzido pela Sony, cujo orçamento foi de U$ 40 milhões. Já Esquadrão Classe A, do estúdio Fox, custou U$ 110 milhões e o estúdio trabalhava com a hipótese de uma abertura na casa dos U$ 40 milhões, além da liderança doméstica no primeiro fim de semana.
E no Brasil não foi muito diferente. Esquadrão Classe A só conseguiu uma quarta colocação no ranking brasileiro em sua estréia. No primeiro final de semana da Copa do mundo, o Brasil registrou queda de 29% em relação ao final de semana anterior, segundo dados do portal Filme B. A aventura da Disney O príncipe da Pérsia: areias do tempo manteve a liderança.
O plano C de Jennifer Lopez
O mais recente filme de Jennifer Lopez não emplacou. Depois de um jejum de 4 anos afastada das telas era de se imaginar que o público americano fosse prestigiar o retorno de J LO (que ainda este ano lança um novo álbum também). Não foi o que aconteceu. Plano B que teve uma estréia razoavelmente satisfatória no mercado brasileiro (alcançou a terceira posição no ranking com um faturamento superior a R$ 1, 2 milhão), não teve boa carreira nos cinemas americanos. Depois de dois meses em cartaz, a fita alcançou U$ 36 milhões e inscreveu-se como um dos maiores fracassos de 2010, já que o filme custou U$ 35 milhões. O jeito é esperar pelo resultado dos CDs.
Não é brinquedo não!
Toy story 3 registrou a maior abertura da história de um filme Pixar. Com U$ 110 milhões arrecadados no primeiro fim de semana em cartaz, a fita também se inscreveu, pelo menos temporariamente, como a terceira maior estréia do ano. Atrás apenas de Homem de ferro 2 (U$ 128 milhões) e Alice no país das maravilhas (U$ 116 milhões).
Em seu segundo fim de semana em cartaz, o filme faturou mais U$ 59 milhões e já soma U$ 227 milhões. Uma marca expressiva para a Pixar e para a média de faturamento dos filmes nessa temporada.
O império Disney no Brasil
E a Disney está rindo à toa. No Brasil, os filmes do estúdio estão reinando em absoluto. Alice no país das maravilhas não só é o filme de maior bilheteria do ano até aqui no país, como detém a melhor bilheteria de estréia de 2010 no Brasil. Príncipe da Pérsia: areias do tempo que nem sequer chegou perto do topo das bilheterias americanas, liderou as bilheterias brasileiras por três semanas consecutivas até a chegada de outro filme Disney, a animação Toy Story 3. 2010, no Brasil, é o ano o rato. E o nome dele é Mickey Mouse.
O melhor de sua espécie
E por falar em Príncipe da Pérsia: areias do tempo, a fita dirigida por Mike Newell se tornou a adaptação de videogame mais rentável da história. No final deste mês, o filme alcançou a marca de U$ 300 milhões mundialmente. Com isso, deixou para trás o antigo campeão, Lara Croft: Tomb raider (2001) que tinha U$ 274 milhões. Contudo, nem tudo são flores para a produção de Jerry Bruckheimer. Nos EUA, o filme pena para chegar aos U$ 100 milhões. Atualmente conta com U$ 85 milhões em caixa. Se considerarmos que o orçamento do filme beijou os U$ 200 milhões, a performance da fita desaponta.
Príncipe da Pérsia já detém um recorde para chamar de seuA DC comics e a Warner, estúdio que detém os direitos sobre todos os personagens da DC comics, se miram no exemplo da Marvel e tentam emplacar, no cinema, personagens pouco conhecidos. Jonah Hex é um deles. A história de cowboy com retoques sobrenaturais estrelada por Josh Brolin, Megan Fox e John Malkovich, no entanto, decepcionou. O filme arrecadou impressionantes U$ 5 milhões em seu fim de semana de estréia. Disparada a pior estréia de um filme de verão em anos.
Adam Sandler se recupera!
Ano passado, a antecipada união do comediante com o diretor Judd Apatow, Tá rindo do quê? arrecadou U$ 22 milhões em seu fim de semana de estréia e fechou com míseros U$ 51 milhões sua carreira nos cinemas americanos. Este ano, Sandler juntou um time de comediantes (entre eles Chris Rock, Kevin James, Rob Schneider e David Spade) para rodar a comédia Gente grande. A fita fez U$ 41 milhões, mas não conquistou o topo das bilheterias. Um dado atípico que ocorreu pela segunda vez consecutiva na carreira do comediante.




