Guerreiro, destaque da seção Cantinho do DVD desta semana, é
um filme injustiçado. É um drama robusto com um elenco em plena forma e um “filme
de luta” de respeito. Essa combinação ruidosa, porém, não lhe valeu grande
destaque. Menos mal que Nick Nolte, em grande momento, foi lembrado por
diversas premiações na última temporada, inclusive, pelo Oscar. A crítica desse
belo filme, o leitor confere a seguir.
Crítica
O cinema encampou com certa densidade a ideia de que as
lutas (e um ringue) são excelente veículos catárticos. Desde Rocky- um lutador
(1976) até O vencedor (2010) essa ideia foi dimensionada em filmes que
adentraram a galeria dos memoráveis. Guerreiro (Warrior, EUA 2011) não chega
tão longe, mas o filme é um drama muito bem urdido por Gavin O´Connor.
Tommy (Tom Hardy) e Brendan (Joel Edgerton) são dois irmãos
marcados por uma infância problemática patrocinada pelo pai alcoólatra (Nick
Nolte). Eles seguem caminhos diversos com a chegada da fase adulta. Tommy, que
fugiu com a mãe doente, alistou-se e foi servir à Marinha americana no Iraque,
enquanto Brendan constituiu família, mudou-se para os subúrbios e foi ser
professor de escola fundamental.
Seus caminhos se cruzam quando, por razões diversas, se
inscrevem em um torneio de MMA (artes marciais mistas na sigla em português).
Assim como já havia feito em Força policial, filme que o
colocou no mapa, O ´Connor foca no drama familiar. As fraturas emocionais que
marcam a família Conlon serão tratadas a socos e pontapés no octógono.
A construção do filme é muito interessante. Percebe-se de
pronto as incompatibilidades entre os membros da família e as profundas mágoas
que os tocam, mas as razões de tanta animosidade só ficam patentes quando o
clímax se aproxima. E elas o potencializam. É uma opção do roteiro, também
assinado por O ´ Connor, que cristaliza o drama dos personagens e confere
aos atores a possibilidade de trabalhar nas sombras as angústias de seus
personagens. Por mais singelo que possa parecer, Guerreiro é um filme com muito
coração e que encontra nos três atores principais uma força extraordinária.
Nick Nolte é um ator que dispensa apresentações. Aos 71 anos, ele apresenta uma
atuação extraordinária na figura do pai arrependido e impotente ante as dores
de seus dois filhos. Tom Hardy incorpora o atormentado Tommy com tanta
expressão que causa um impacto que o fim do filme é incapaz de dissipar e Joel
Edgerton galvaniza um homem de família que busca nas artes marciais o valor que
sempre lhe foi negado.
Guerreiro é um filme que dialoga muito bem com histórias de
superação e ainda melhor com aqueles filmes que usam o esporte como metáfora
para união familiar.