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sábado, 7 de abril de 2012

Cantinho do DVD


Guerreiro, destaque da seção Cantinho do DVD desta semana, é um filme injustiçado. É um drama robusto com um elenco em plena forma e um “filme de luta” de respeito. Essa combinação ruidosa, porém, não lhe valeu grande destaque. Menos mal que Nick Nolte, em grande momento, foi lembrado por diversas premiações na última temporada, inclusive, pelo Oscar. A crítica desse belo filme, o leitor confere a seguir.



Crítica
O cinema encampou com certa densidade a ideia de que as lutas (e um ringue) são excelente veículos catárticos. Desde Rocky- um lutador (1976) até O vencedor (2010) essa ideia foi dimensionada em filmes que adentraram a galeria dos memoráveis. Guerreiro (Warrior, EUA 2011) não chega tão longe, mas o filme é um drama muito bem urdido por Gavin O´Connor.
Tommy (Tom Hardy) e Brendan (Joel Edgerton) são dois irmãos marcados por uma infância problemática patrocinada pelo pai alcoólatra (Nick Nolte). Eles seguem caminhos diversos com a chegada da fase adulta. Tommy, que fugiu com a mãe doente, alistou-se e foi servir à Marinha americana no Iraque, enquanto Brendan constituiu família, mudou-se para os subúrbios e foi ser professor de escola fundamental.
Seus caminhos se cruzam quando, por razões diversas, se inscrevem em um torneio de MMA (artes marciais mistas na sigla em português).
Assim como já havia feito em Força policial, filme que o colocou no mapa, O ´Connor foca no drama familiar. As fraturas emocionais que marcam a família Conlon serão tratadas a socos e pontapés no octógono.
A construção do filme é muito interessante. Percebe-se de pronto as incompatibilidades entre os membros da família e as profundas mágoas que os tocam, mas as razões de tanta animosidade só ficam patentes quando o clímax se aproxima. E elas o potencializam. É uma opção do roteiro, também assinado por O ´ Connor, que cristaliza o drama  dos personagens e confere aos atores a possibilidade de trabalhar nas sombras as angústias de seus personagens. Por mais singelo que possa parecer, Guerreiro é um filme com muito coração e que encontra nos três atores principais uma força extraordinária. Nick Nolte é um ator que dispensa apresentações. Aos 71 anos, ele apresenta uma atuação extraordinária na figura do pai arrependido e impotente ante as dores de seus dois filhos. Tom Hardy incorpora o atormentado Tommy com tanta expressão que causa um impacto que o fim do filme é incapaz de dissipar e Joel Edgerton galvaniza um homem de família que busca nas artes marciais o valor que sempre lhe foi negado.
Guerreiro é um filme que dialoga muito bem com histórias de superação e ainda melhor com aqueles filmes que usam o esporte como metáfora para união familiar.