Para a posteridade!

É preciso dizer, logo de antemão, que é extremamente difícil sintetizar em algumas linhas a grandiloquência de A origem (Inception, EUA 2010). O novo filme de Christopher Nolan não é apenas uma elaborada ficção científica. Não é apenas uma deslumbrante fita de ação. Não se contenta em ser um drama existencial de composição moderna, tão pouco em pincelar uma trágica história de amor calcada em personagens fortes e bem delineados. A origem é um filme conceitual em toda a amplitude sugerida pelo termo. Nolan cria um universo que pode ser expandido e aproveitado tanto no cinema quanto em outras mídias. Mas não só. O diretor mantém-se fiel a dogmas de sua obra, tanto estruturais (como o uso da imagem como poderoso instrumento narrativo) quanto discursivas (estamos novamente diante de um personagem às voltas com uma obsessão – no caso, voltar para os filhos). Nolan se utiliza da rica atmosfera constituída em seu filme para submeter seu protagonista Don Cobb (Leonardo DiCaprio) a uma das mais românticas, improváveis e espetaculares jornadas de redenção.
A origem é, em uma primeira e superficial análise, um notável exercício de estilo que conjuga referências que vão desde Matrix a Brilho eterno de uma mente sem lembrança. É incorreto dizer que A origem se apropria de ideias destes dois filmes. Isso não ocorre, mas é possível notar a influência. Há, ainda, a meticulosidade de Nolan na concepção de sua obra. Desde o modus operandi do grupo de invasores de sonhos liderados por DiCaprio, até a forma como as revelações surgem naturalmente para a platéia. Embora Nolan não esconda seu cálculo.
A origem é, em uma primeira e superficial análise, um notável exercício de estilo que conjuga referências que vão desde Matrix a Brilho eterno de uma mente sem lembrança. É incorreto dizer que A origem se apropria de ideias destes dois filmes. Isso não ocorre, mas é possível notar a influência. Há, ainda, a meticulosidade de Nolan na concepção de sua obra. Desde o modus operandi do grupo de invasores de sonhos liderados por DiCaprio, até a forma como as revelações surgem naturalmente para a platéia. Embora Nolan não esconda seu cálculo.
Estilo, ou você tem...: Em A origem a simetria e elegância impressionam. Seja dos planos ou dos figurinosHá quem enxergue em A origem um certo entretenimento asséptico. Até mesmo estéril. Em que o conteúdo se submete a forma. De fato, a engenhosidade da criação de Nolan, em um primeiro momento, se sobrepõe a qualquer outro aspecto de sua realização. O que pode ser tomado como um defeito à primazia, se revela uma metáfora do próprio filme. A origem, tal qual os personagens vão adentrando níveis dentro dos sonhos - em que o tempo passa de maneira diferenciada-, alcança seu público de maneira mimética e gradativa. Um cálculo tão hábil de Nolan quanto o desenvolvido pela trupe capitaneada por DiCaprio, para plantar uma ideia na mente de seu objeto, no caso o personagem de Cillian Murphy.
É preciso reconhecer o esmero do elenco na defesa de seus personagens. Leonardo DiCaprio entrega outra performance memorável. Seu Cobb é soturno e dócil em uma ambiguidade que interfere tanto nos sonhos, com projeções, quanto na percepção que a platéia tem do filme. É em Cobb que a audiência encarna para adentrar o mundo dos sonhos apresentado por Nolan. O restante do elenco também está fantástico, com destaque para as presenças efusivas de Marion Cottilard e Ken Watanabe.
É preciso reconhecer o esmero do elenco na defesa de seus personagens. Leonardo DiCaprio entrega outra performance memorável. Seu Cobb é soturno e dócil em uma ambiguidade que interfere tanto nos sonhos, com projeções, quanto na percepção que a platéia tem do filme. É em Cobb que a audiência encarna para adentrar o mundo dos sonhos apresentado por Nolan. O restante do elenco também está fantástico, com destaque para as presenças efusivas de Marion Cottilard e Ken Watanabe.
Nolan respeita também outra de suas diligências. A de referendar a inteligência de seu espectador ao compasso de desafiá-la constantemente. Com um final sutil, que só reforça o poder da imagem (e da capacidade de construir sentido que ele pressente do espectador), Nolan entrega um dos grandes filmes do ano. Destinado a tornar-se maior ainda com o tempo. Que venham continuações. Elas podem até apequenar este filme (como aconteceu com Matrix) ou podem engrandecê-lo ainda mais. De qualquer maneira, a ideia (o conceito) está plantada.

















