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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESPECIAL A ORIGEM - crítica

Para a posteridade!

É preciso dizer, logo de antemão, que é extremamente difícil sintetizar em algumas linhas a grandiloquência de A origem (Inception, EUA 2010). O novo filme de Christopher Nolan não é apenas uma elaborada ficção científica. Não é apenas uma deslumbrante fita de ação. Não se contenta em ser um drama existencial de composição moderna, tão pouco em pincelar uma trágica história de amor calcada em personagens fortes e bem delineados. A origem é um filme conceitual em toda a amplitude sugerida pelo termo. Nolan cria um universo que pode ser expandido e aproveitado tanto no cinema quanto em outras mídias. Mas não só. O diretor mantém-se fiel a dogmas de sua obra, tanto estruturais (como o uso da imagem como poderoso instrumento narrativo) quanto discursivas (estamos novamente diante de um personagem às voltas com uma obsessão – no caso, voltar para os filhos). Nolan se utiliza da rica atmosfera constituída em seu filme para submeter seu protagonista Don Cobb (Leonardo DiCaprio) a uma das mais românticas, improváveis e espetaculares jornadas de redenção.
A origem é, em uma primeira e superficial análise, um notável exercício de estilo que conjuga referências que vão desde Matrix a Brilho eterno de uma mente sem lembrança. É incorreto dizer que A origem se apropria de ideias destes dois filmes. Isso não ocorre, mas é possível notar a influência. Há, ainda, a meticulosidade de Nolan na concepção de sua obra. Desde o modus operandi do grupo de invasores de sonhos liderados por DiCaprio, até a forma como as revelações surgem naturalmente para a platéia. Embora Nolan não esconda seu cálculo.


Estilo, ou você tem...: Em A origem a simetria e elegância impressionam. Seja dos planos ou dos figurinos

Há quem enxergue em A origem um certo entretenimento asséptico. Até mesmo estéril. Em que o conteúdo se submete a forma. De fato, a engenhosidade da criação de Nolan, em um primeiro momento, se sobrepõe a qualquer outro aspecto de sua realização. O que pode ser tomado como um defeito à primazia, se revela uma metáfora do próprio filme. A origem, tal qual os personagens vão adentrando níveis dentro dos sonhos - em que o tempo passa de maneira diferenciada-, alcança seu público de maneira mimética e gradativa. Um cálculo tão hábil de Nolan quanto o desenvolvido pela trupe capitaneada por DiCaprio, para plantar uma ideia na mente de seu objeto, no caso o personagem de Cillian Murphy.
É preciso reconhecer o esmero do elenco na defesa de seus personagens. Leonardo DiCaprio entrega outra performance memorável. Seu Cobb é soturno e dócil em uma ambiguidade que interfere tanto nos sonhos, com projeções, quanto na percepção que a platéia tem do filme. É em Cobb que a audiência encarna para adentrar o mundo dos sonhos apresentado por Nolan. O restante do elenco também está fantástico, com destaque para as presenças efusivas de Marion Cottilard e Ken Watanabe.
Nolan respeita também outra de suas diligências. A de referendar a inteligência de seu espectador ao compasso de desafiá-la constantemente. Com um final sutil, que só reforça o poder da imagem (e da capacidade de construir sentido que ele pressente do espectador), Nolan entrega um dos grandes filmes do ano. Destinado a tornar-se maior ainda com o tempo. Que venham continuações. Elas podem até apequenar este filme (como aconteceu com Matrix) ou podem engrandecê-lo ainda mais. De qualquer maneira, a ideia (o conceito) está plantada.

ESPECIAL A ORIGEM - *Repercutindo o filme!


Parábola pós-moderna, revisão de conceitos freudianos, metáforas religiosas de cunho cristão e espírita, entretenimento pensante e alegoria publicitária do soft power hollywoodiano. Há muitas camadas em A origem e são muitas as formas de sorver o filme e sua essência. Ajudar nesta tarefa é o intuito deste artigo. Não se objetiva explicar o filme ou pormenorizar suas cenas e circunstâncias. Isso seria desvirtuar a obra de Nolan e reduzir seu potencial filosófico, além de, talvez, proporcionar enfado ao leitor.
O gol aqui é iluminar algumas das maquinações que se não estão presentes em A origem, servem a sua intelectualização. A primeira delas é a óbvia relação do filme para com a maior arte do século XX; a publicidade. Se a publicidade move o negócio chamado Hollywood e a espionagem industrial é algo que resplandece tanto na fórmula 1 quanto nos gabinetes de governo, Nolan eleva a questão: até onde estamos dispostos a ir? A equipe liderada por Don Cobb (Leonardo DiCaprio) invade os sonhos das pessoas para furtar-lhes os segredos. Uma analogia vigorosa da obstinação humana, ainda que de forma pouco lisonjeira no esquadro aventado por Nolan. Por outro lado, implantar uma ideia é algo complicado. Como bem sabem os publicitários. A fala do personagem Arthur em dado momento do filme ao explicar a Saito (Ken Watanabe) o por que dessa tarefa ser impossível:

Arthur: E seu disser: não pense em elefantes. O que você está pensando agora?
Saito: Em elefantes.
Arthur: Exatamente. Mas sua mente decodificou a origem desse pensamento. É impossível implantar uma ideia em uma mente sem que ela identifique a procedência.


De volta a realidade: quando se vive de sonhar, o que é real?

Esse é o desafio que publicitários enfrentam diariamente. Criar, mais do que a ideia, a necessidade do objeto (o público) por aquela ideia.
Logo, A origem pode ser detectado como um filme que desnuda as engrenagens, ainda que por um viés fantasioso, da máquina publicitária.
Por outro lado, a questão de “um sonho dentro de um sonho”, a relação “morrer/acordar”, a diferença de tempo nos diferentes níveis de sonhos e como o estado das coisas em determinado sonho afeta o estado das coisas em outro sonho permitem um paralelo religioso cristalino. É difícil crer que esse tenha sido um subtexto pretendido por Nolan, mas há um sem número de teorias filosóficas que apontem para esse paralelo.
Poucos críticos brasileiros, ainda estupefatos ou insolúveis, se dedicaram a percorrer esse labirinto de referências pscissomáticas da obra de Nolan. Há, ainda, uma apropriação de conceitos freudianos que conferem ao filme um certo rigor erudito.
É justamente em Freud que reside a grande diferença deste filme para Matrix, ao qual é muito comparado. Ao invés da figura do messias, entram projeções e subconsciente. Nolan não acrescenta nada novo, nem teria autoridade cientifica para fazê-lo, mas embala conhecimento em um produto pop. De quebra, oferece um conjunto de leituras e reflexões que escapam a muitas produções contemporâneas.

Ação e reação:a queda de um automóvel em um sonho, tira a gravidade do outro...

* contém spoilers! É recomendável a leitura apenas depois de ter visto o filme

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ESPECIAL A ORIGEM - O Midas moderno

Chris Nolan posa ao lado de seu coringa: Ninguém o levou a sério quando ele anunciou que Ledger era sua única escolha para viver o palhaço psicótico


Toda geração tem seus cavalos puro sangue. Explica-se a analogia. De tempos em tempos, surge um conjunto de cineastas que inspiram as melhores das esperanças na crítica e na horda cinéfila. O tempo passa e esses cineastas vão caindo no lugar comum. Ficam restritos a um cinema independente inexpressivo ou se “vendem” ao cinemão. É justamente a partir dessa dicotomia tão vulgar que é possível medir o significado de Christopher Nolan para a atual geração de cineastas e para as vindouras também. É bem verdade que tem muita gente talentosa em seu entorno. David Fincher, M. Night Shymalan, Jason Reitman, Mark Romanek e Sofia Coppola para citar alguns. Contudo, é inegável que Nolan por uma série de fatores que serão explicitados mais adiante se situa a frente de todos eles.
O londrino surgiu junto com os anos 2000, seu primeiro sucesso, um filme independente com algumas caras conhecidas e uma história linearmente invertida, Amnésia (2000), foi dos melhores cartões de visita dos últimos tempos. Afinal, Nolan veio do nada. David Fincher já havia constituído uma respeitada carreira como diretor de viodeoclipes, Jason Reitman e Sofia Coppola são filhos de cineastas, mas o diretor de A origem viabilizou com consideráveis doses de inventividade seu próprio portfólio. Amnésia foi indicado a 4 Oscars e considerado por muitas associações de críticos como o melhor filme do ano. A expectativa pelo novo trabalho de Nolan se instalou em Hollywood. Seu próximo projeto, Insônia (2002) era uma produção da independente Alcon, que foi distribuída pela Warner. O estúdio que se encantou com Nolan e hoje produz todos os seus filmes. Embora não haja um contrato formal, Nolan, assim como Clint Eastwood, tem um escritório na Warner e não se sente estimulado a trabalhar com outro estúdio, já que a Warner exibe total confiança no homem que fez de um filme do Batman, um clássico moderno.

O diretor ao lado do astro de seu mais recente filme: prestígio com o estúdio, com a crítica e com a classe artística

O faro da Warner para os negócios tem de ser louvado. Nolan obteve ótimo público e reconhecimento crítico com Insônia e a Warner viu nele o homem certo para revitalizar sua franquia do homem morcego, desgastada depois da passagem de Joel Schumacher. Batman begins (2005), como todos sabem, foi um sucesso de público e crítica e Nolan se fortaleceu como um diretor mainstream imbuído de um espírito independente.
Com o sucesso de Batman, Nolan pôde barganhar com a Warner para rodar um filme mais autoral. O grande truque (2006) é o filme em que as angústias e anseios de Nolan estão mais evidentes (isso será debatido com maior propriedade em Panorama). O filme que antagoniza dois amigos separados por uma obsessão em comum recebeu, novamente, grande atenção da crítica e fez considerável sucesso de público.

Amigos e rivais: Christian Bale e Hugh Jackman estrelam O grande truque, filme mais pessoal do cineasta

Mas Nolan entraria no seletíssimo clube do bilhão de dólares com seu filme seguinte. Em Batman o cavaleiro das trevas (2008), o diretor bancou a escalação de Heath Ledger para viver o coringa. A escolha, contestada em fóruns na internet e por fãs no mundo todo, valeu a Nolan a alcunha de cineasta visionário em um exagero tão desmedido quanto os protestos anteriores. Mas o diretor gostou da pecha de visionário e bolou um filme para justificá-la. A origem, desde o anúncio de sua concepção, foi aguardado com alvoroço. O filme que amealha críticas positivas com a mesma velocidade que registra os dólares do Box Office, é a grande sensação da temporada.
Christopher Nolan é o puro sangue de sua geração porque como denota sua curta filmografia ele realiza filmes pessoais e repletos de questões de profundo interesse humano, mas consegue adequá-las a uma lógica comercial. Nolan ainda não conheceu o gosto do fracasso, diferentemente da maioria de seus pares. Fincher e Shymalan, que buscam se lapidar dentro desta mesma seara que Nolan reina, só ratificam a força do último Midas que Hollywood conheceu. Perto dele, James Cameron é apenas um entusiasta da tecnologia

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ESPECIAL A ORIGEM - Mundo dos sonhos

James Franco tinha um sonho. Esse sonho era o de trabalhar com o diretor de Batman, Christopher Nolan. Estrela de uma das maiores séries do cinema atualmente (Franco interpretou Harry Osborn nos três filmes Homem-aranha), ele foi o primeiro ator a entrar no novo projeto de Christopher Nolan depois de Michael Caine e Leonardo DiCaprio. Para se ter uma ideia das pretensões de parte à parte, o filme ainda não tinha nome oficial (embora já estivesse batizado como Inception). Franco, porém, teve de se retirar do projeto devido a conflitos de agenda. Estava envolvido em duas produções independentes; Howl (que estreou no festival de Sundance deste ano) e 127 hours, primeira fita de Danny Boyle após o Oscar por Quem quer ser um milionário?. Da falência do sonho de Franco, se realizou um dos sonhos de outro ator emergente em Hollywood. Joseph Gordon Levitt assumiu o papel que seria de Franco e pôde contracenar com DiCaprio, a quem considera “o grande ator de nossa geração”, segundo contou à Entertainment weekly.

Por trás de todo grande homem, há uma grande mulher: Marion Cottilard faz Leonardo DiCaprio repensar suas prioridades


Entre sonhos desfeitos e realizados, nada mais justo do que adentrar a matéria prima de A origem, o filme mais comentado de 2010 até aqui. E a matéria prima de A origem é justamente o sonho. É nos sonhos e na infinidade de possibilidades deflagradas por eles que A origem se desdobra. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um extrator. Figura valorizada em um mundo que a espionagem industrial evoluiu em termos conceituais. Cobb rouba segredos da mente das pessoas enquanto elas dormem. Testemunhar Cobb em seu ofício é um dos muitos vislumbres visuais propostos pela fita de Nolan. Levitt faz Arthur, parceiro de Cobb em suas atividades, embora não seja equiparável em talento.

Levitt contracena com "o maior ator de sua geração": ação que faz pensar


O poder da mente: Prédios retorcidos e efeitos especiais impressionantes marcam as pouco mais de duas horas de filme



A origem admoesta uma platéia iniciada na ficção científica pós-matrix. “Me preocupei em fazer um filme que conte com a cumplicidade do público”, disse o diretor em entrevista ao blog de cinema do Los Angeles Times sobre a possibilidade de A origem ser recebido como “rebuscado” e “difícil”. Dois adjetivos que, para Nolan, não impedem que o filme seja um blockbuster de verão altamente rentável. “Acho que a platéia aprecia se sentir desafiada e é isso que este filme faz. Não entrega tudo picadinho”, resume o diretor que redimensionou o universo do homem morcego.
Ele está certo. Quem imaginava que o público que teve como referencial o coringa histriônico de Jack Nicholson no Batman de Tim Burton em 1989 abraçaria com tamanha efusividade a caótica versão de Heath Ledger em O cavaleiro das trevas? Nolan não teme alienar uma parcela do público. A mesma que relegou Matrix ao rótulo de ficção high tech.
“Existem filmes que só recebem o devido valor com o tempo”, lembrou o cineasta Ridley Scott que até hoje não cansou de lançar as populares, entre os cinéfilos, director´s cut de seu clássico maldito, Blade Runner – o caçador de andróides.


Preparados para o culto: o elenco de A origem posa para a posteridade



Sem medo do novo
Contudo, A origem já deixou Blade Runner e, até mesmo, Matrix para trás. Com um faturamento absurdo, uma recepção para lá de positiva na mídia e um precoce buzz acerca de uma indicação ao Oscar de melhor filme, o novo filme de Christopher Nolan realmente parece ser feito de sonhos.
“O melhor do sucesso de A origem é que mostra que o público está aberto a idéias originais”, disse Jeff Robinov, presidente da Warner Brothers ao jornal Los Angeles Times. Há três semanas no topo das bilheterias americanas e prestes a estrear em outros mercados como o brasileiro, A origem é a prova de que uma boa (e original) ideia ainda dá dinheiro em Hollywood. Chris Nolan parece nos dizer com seu elaborado filme que não custa sonhar.

O presidente da Warner, Jeff Robinov, Leonardo DiCaprio, Chris Nolan e Alan Harn, outro executivo de ponta do estúdio Warner na premiere do filme em Los Angeles

domingo, 1 de agosto de 2010

ESPECIAL A ORIGEM - Insight

Por que todo mundo para quando surge um filme conceito?



É inevitável. Há filmes que são verdadeiros eventos midiáticos. Arrastam multidões aos cinemas e invadem variadas plataformas, de vídeo games a HQs, e mídias, de revistas a redes sociais. O fenômeno pode até mesmo parecer recente, devido ao imediatismo proporcionado por Facebook, Twitter e afins, mas na verdade não é. O que acontece é que o desenrolar de um hype se dá de forma muito mais ágil e veloz na era da internet.
É preciso separar os filmes hypados dos filmes conceito. Filmes hypados são aqueles muito antecipados que geram um grande buzz e são, eminentemente, adaptações de outras mídias, sequências ou remakes. Já os filmes conceitos não deixam de ser necessariamente hypados, mas apresentam uma ideia original, geralmente ligada a ficção cientifica e tecnologia. Não obstante são filmes que pegam meio mundo de surpresa e só são descobertos em sua segunda encarnação, como ocorreu com Blade Runner – o caçador de andróides (1982). Foi justamente Blade runner que reformulou o paradigma da recepção de um filme conceito nos cinemas. Hoje eles são hypados e aguardadíssimos como A origem, ou surpresas tão arrebatadoras quanto dotadas de poder de influência como Matrix. O filme dos irmãos Watchoski ao derrubar outra produção conceitual e para lá de hypada em 1999, o Star wars de George Lucas, deflagrou um novo status quo para as produções do gênero. A origem, por exemplo, é frequentemente comparado a Matrix, já que conta com um visual arrebatador, um roteiro um tanto hermético e aparatos tecnológicos capazes de dar vida aos sonhos ou ao menos de caprichar na projeção deles.

Em Blade Runner, a inteligência artificial é a metáfora suprema para a humanidade ...



... já em O exterminador do futuro 2, há avanços notáveis na forma de dar vida a essa metáfora.


A concepção de filme conceito também foi incrementada com a chegada de O senhor dos anéis. A produção, hypada por excelência, estabeleceu novos parâmetros para a produção de trilogias e o desenvolvimento de seus argumentos em Hollywood. A própria trilogia Matrix se mostrou um reflexo de Senhor dos anéis. Mirando-se no exemplo do modelo de produção de Peter Jackson, os dois últimos filmes da saga de Neo foram gravados de uma só vez. Em um arroubo narrativo que não colou tão bem, a própria história foi contada de forma itinerante. O que de certa forma se ajustava a trilogia de Tolkien, não caiu bem na saga cibernética dos Watchoski. Bruckheimer tentou aproveitar a ideia, embora o tenha feito por razões financeiras, nos dois últimos filmes Piratas do caribe e Johnny Depp só teve que se vestir como Jack Sparrow por uma vez para rodar O baú da morte e No fim do mundo.

A dança das balas: em Matrix surgia um novo conceito de cinema de ação pós moderno



Não, não é Matrix: no mundo dos sonhos de A origem a arquitetura da mente é o eixo central


Filmes conceito são isso mesmo que você está imaginando. Eles lançam conceitos. Ditam tendências. Seja o bullet time de Matrix, a imersão na inteligência artificial propagada a partir de Blade runner, a revolução nos efeitos especiais atingidos por Exterminador do futuro 2, o upgrade da animação em Toy story ou a um modelo de produção mais econômico e organizado, como o de O senhor dos anéis. Filmes hypados vem e vão, como Salt estrelado por Angelina Jolie, mas os filmes conceituais marcam época. São eles os divisores de água nos cinemas. Existe o cinema de antes e o posterior a determinado filme conceito. Resta saber como ficará a sétima arte depois de A origem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Numerologia

Estréia de Eclipse abaixo do esperado, mas quebra alguns recordes
Eclipse estreou durante a Copa do mundo. Nada demais, já que o público alvo do filme é pouco afeito ao futebol. Contudo, esperava-se números mais consagradores na estréia da terceira aventura baseada nos escritos de Stephenie Meyer. Apesar de registrar recorde de bilheteria em um mesmo dia, a fita não chegou perto das melhores aberturas do feriado de 4 de julho nos EUA. No Brasil, o filme registrou 200 mil espectadores nas seções de 00:00h do dia 30 de junho e estabeleceu um recorde. Recorde fácil, já que exibições como essa não são comuns no país. Um mês depois da estréia, Eclipse não deve superar a bilheteria de Lua nova, algo que todos estavam contando.

Shymalan, sempre um desagregador
Pois é, O último mestre do ar não devolveu a M.Night Shymalan os bons tempos com a crítica. De quebra, algumas cópias em 3D (já que o filme foi convertido para o formato para aproveitar a onda) também desagradaram espectadores que malharam o filme em redes sociais como o twitter. Contudo, no frigir dos ovos, o filme não se apresentou como a decepção de bilheteria que foram os últimos trabalhos do indiano como Fim dos tempos e A dama na água. A fita já rendeu no mercado americano cerca de U$ 135 milhões e está perto de equiparar-se ao alto custo de U$ 150 milhões. Com a arrecadação mundial o filme deve dar lucro, ainda que pequeno.

Meu malvado favorito triunfa sobre Eclipse
Lua nova manteve a liderança das bilheterias americanas por três semanas, Eclipse não conseguiu liderar por mais de uma semana. Pode-se argumentar que o terceiro filme da saga Crepúsculo estreou na mais movimentada temporada do cinema, o verão americano, mas mesmo assim era de se imaginar que a fita superasse a estréia da animação Meu malvado favorito. No entanto, no primeiro fim de semana em que se confrontaram, a fita da Universal jogou Eclipse para segundo lugar com uma diferença de faturamento de U$ 20 milhões.

Presa
Robert Rodriguez já anunciou a continuação de Predadores, reboot da série iniciada em 1987 com Arnold Schwarzenegger no elenco. Contudo, o filme estrelado por Adrien Brody e Alice Braga parece não ter empolgado a crítica. Com um custo de produção estimado em U$ 60 milhões, a fita se despede do TOP 10 americano com U$ 45 milhões em caixa após duas semanas em cartaz. Na estréia brasileira a fita também patinou, conquistando um modesto sexto lugar.

O reino de Shrek no Brasil
Nem Tom Cruise, nem Edward. Quando um certo ogro verde está na parada, as bilheterias brasileiras são dele. Mesmo com a ampla e antecipada estréia de Encontro explosivo, último filme estrelado por Tom Cruise, e com dois filmes de mídia em cartaz (Eclipse e Toy story 3), Shrek para sempre mostra apetite avassalador. O filme tal qual ocorrera nos EUA manteve a liderança do Box Office de forma consecutiva e em três semanas alcançou a marca de 4 milhões de espectadores com uma arrecadação superior a R$ 65 milhões. Nada mal para um mercado periférico como o brasileiro.

Shrek e sua turma: no Brasil ele reina nas bilheterias deixando astros de primeiro time, vampiros e brinquedos para trás


A arrasadora estréia de A origem e a repercussão na crítica
A menina dos olhos da Warner nessa temporada de verão é o filme A origem. A obra de Christopher Nolan, totalmente original, é um oásis cinematográfico em uma época em que adaptações, remakes e sequências dão o tom. Se havia certo receio quanto a receptividade do público para um filme intrincado, que exige atenção e inteligência do espectador e sem nenhum material midiático prévio que o viabilize, esse temor caiu por terra. Duas semanas após a estréia de A origem, só se fala no filmaço de Christopher Nolan. É o filme mais bem avaliado pela crítica americana no ano até aqui e já rendeu U$143 milhões nas bilheterias americanas.
A fita manteve a liderança no fim de semana seguinte batendo a estréia de Salt, estrelado por Angelina Jolie. Enquanto o filme de Jolie fez U$ 36 milhões (uma estréia abaixo das expectativas da Sony), A origem, em seu segundo fim de semana, arrecadou U$ 43 milhões.


Carma
2010 é o pior ano da carreira do Midas do cinema de ação e aventura Jerry Bruckheimer, com dois blockbusters na temporada que, literalmente, encalharam. Príncipe da Pérsia: areias do tempo ficou bem longe do hype que se imaginava e só não dará prejuízo graças ao mercado internacional que abraçou o filme. Em julho foi a vez de Aprendiz de feiticeiro derrapar e aguar de vez o 2010 de Jerry Bruckheimer. O filme estrelado por Nicolas Cage, Jay Baruchel e Monica Bellucci já se despede do Top 10 americano sem chegar perto dos U$ 100 milhões. Cadê Jack Sparrow para ir ao socorro de Jerry?

sábado, 15 de maio de 2010

De olho no futuro...

O filme que promete fazer Matrix parecer brincadeira de criança
Foi divulgado recentemente o mais completo trailer do novo filme de Christopher Nolan. A origem já tinha impressionado pelo visual arrebatador e pela trama intrincada em que Leonardo DiCaprio vive um homem capaz de manipular sonhos. O novo trailer revela mais detalhes da trama e aguça a curiosidade com cenas de cair o queixo. Nolan já fez uma imensa revolução com O cavaleiro das trevas. Será que vem outra a caminho?





Uma loira para dominar a todos
A revista inglesa Total Film noticiou essa semana que a atriz Naomi Watts viverá Marilyn Monroe em um filme sobre a maior das divas do cinema. Blonde será dirigido pelo neozelandês Andrew Dominik, diretor de O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford. Ainda não há maiores detalhes sobre a produção, mas a Total Film especula que seja uma adaptação de uma biografia livre escrita por Joyce Carol Oates sobre a estrela.



Naomi vai ser Marilyn no cinema: Quem não vai querer ver este filme?

Há vida após Homem de Ferro
Depois de estar a frente dos bem sucedidos filmes do Homem de ferro, Jon Favreau dirigirá outro filme de grande orçamento e que gera muita expectativa, Cowboys and Aliens. Como entrega o título, na trama haverá um inusitado confronto entre cowboys e alienígenas. Robert Downey Jr. estava cotado para viver o protagonista, mas devido a outros compromissos não pôde assumir o papel. O personagem principal ficou a cargo de Daniel Craig. Harrison Ford, Olivia Wilde (da série House) e Sam Rockwell (que esteve em Homem de ferro2) completam o elenco. A produção da Dreamworks deve começar a ser filmada no próximo mês.

Se preparem! Po vem aí...
Era natural que Kang Fu panda, depois do imenso sucesso alcançado nas bilheterias em 2008 ganhasse uma continuação. Essa semana foi anunciado pela Dreamworks animation que a sequência do filme vai sair do papel. O roteiro teria sido encomendado a ninguém menos do que Charlie Kaufman, premiado roteirista de Quero ser John Malkovich e Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Pela escolha inusitada dá para prever que a Dreamworks não quer ficar para sempre à sombra da Pixar em termos de profundidade com suas animações.

Dupla inusitada: Kaufman vai "mergulhar" na mente de Po

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Quando (algumas) imagens valem mais do que palavras...

Com vocês, o primeiro trailer de Inception, novo trabalho de Christopher Nolan, diretor de Batman - o cavaleiro das trevas. Em Inception, Leonardo DiCaprio vive o CEO de uma empresaem crise. Não se sabe muito ainda sobre o filme, mas que essas primeiras cenas aguçam... ah, aguçam. Clique aqui para ver o trailer.