A seção destaca hoje outro filme que constou da lista de melhores de 2009 do blog e que não teve sua critica publicada aqui em Claquete. Dúvida é um filme de muitos predicados e nenhum texto critico sobre a obra pode fazer justiça a eles. Mas pode instigar o leitor a conhecer o filme.

Um jogo de opostos
Adaptado da peça vencedora do Pulitzer e de vários Tonys, Dúvida (Doubt, EUA 2008) é sob muitas perspectivas um triunfo. O filme, escrito e dirigido por John Patrick Shanley - a partir de sua própria peça, é obviamente eloquente em vários níveis. Primeiramente, o filme impressiona não só pelo elenco reunido, mas pela forma que este se apresenta.
Meryl Streep vive a freira Alouisius, diretora conservadora e centralizadora de uma escola do Bronx nos EUA dos anos 60. A madre, mão de ferro, identifica no padre Flynn (Philip seymour Hofman) que atende a paróquia da escola, um agressor sexual. Suas suspeitas arremedadas pela suscetível irmã James (Amy Adams) não se sustentam, mas a certa altura tornam-se incontornáveis.
Shanley preserva todo o cerne de sua obra. A discussão sobre a crise enfrentada pela igreja. Sob o advento da modernidade, há aqueles que entendem necessário redimensionar o papel da igreja (na figura do padre Flynn) e aqueles que entendem que a igreja deve ser imune a tais leviandades (na figura da irmã Alouisius). O diretor promove também um acalorado debate sobre como perspectivas conflitantes sobre um assunto espinhoso pode resultar em mais intolerância, fragmentações e marcas arrasadoras no intimo dos envolvidos.
Do ponto de visto dramático, Dúvida é excelente. O esmero narrativo, a engenhosidade do roteiro, as muitas camadas reveladas pacientemente por Shanley e por um conjunto de atores em estado de assombro, os diálogos ambiguamente escritos e nebulosamente proferidos pelos atores constituem uma atmosfera aterradora. Embora não se trate de um filme de terror, Dúvida causa impacto semelhante mais pela força do registro do que pela história propriamente dita.
Indicado a 5 oscars (Roteiro adaptado, Atriz para Meryl Streep, Ator coadjuvante para Philip Seymour Hofman, atriz coadjvante para Amy Adams e Atriz coadjuvante para Viola Davis), Dúvida teve seus maiores trunfos justamente lembrados pela acadêmia. Hofman e Streep brilham de forma intensa e Amy Adams consegue capitalizar toda a indulgência de sua personagem.
Dúvida se mantém afastado de maiores julgamentos. O debate e sua inflexão são o que interessam a Shanley. O alcance de seu filme é ampliado por essa escolha acertada. De manter o espectador no dilema experimentado por todos os seus personagens. Alguma conclusão pode até imergir, mas Shanley em um momento inspiradissímo, via um sermão do padre Flynn, já previra o efeito devastador das conclusões precipitadas.
Adaptado da peça vencedora do Pulitzer e de vários Tonys, Dúvida (Doubt, EUA 2008) é sob muitas perspectivas um triunfo. O filme, escrito e dirigido por John Patrick Shanley - a partir de sua própria peça, é obviamente eloquente em vários níveis. Primeiramente, o filme impressiona não só pelo elenco reunido, mas pela forma que este se apresenta.
Meryl Streep vive a freira Alouisius, diretora conservadora e centralizadora de uma escola do Bronx nos EUA dos anos 60. A madre, mão de ferro, identifica no padre Flynn (Philip seymour Hofman) que atende a paróquia da escola, um agressor sexual. Suas suspeitas arremedadas pela suscetível irmã James (Amy Adams) não se sustentam, mas a certa altura tornam-se incontornáveis.
Shanley preserva todo o cerne de sua obra. A discussão sobre a crise enfrentada pela igreja. Sob o advento da modernidade, há aqueles que entendem necessário redimensionar o papel da igreja (na figura do padre Flynn) e aqueles que entendem que a igreja deve ser imune a tais leviandades (na figura da irmã Alouisius). O diretor promove também um acalorado debate sobre como perspectivas conflitantes sobre um assunto espinhoso pode resultar em mais intolerância, fragmentações e marcas arrasadoras no intimo dos envolvidos.
Do ponto de visto dramático, Dúvida é excelente. O esmero narrativo, a engenhosidade do roteiro, as muitas camadas reveladas pacientemente por Shanley e por um conjunto de atores em estado de assombro, os diálogos ambiguamente escritos e nebulosamente proferidos pelos atores constituem uma atmosfera aterradora. Embora não se trate de um filme de terror, Dúvida causa impacto semelhante mais pela força do registro do que pela história propriamente dita.
Indicado a 5 oscars (Roteiro adaptado, Atriz para Meryl Streep, Ator coadjuvante para Philip Seymour Hofman, atriz coadjvante para Amy Adams e Atriz coadjuvante para Viola Davis), Dúvida teve seus maiores trunfos justamente lembrados pela acadêmia. Hofman e Streep brilham de forma intensa e Amy Adams consegue capitalizar toda a indulgência de sua personagem.
Dúvida se mantém afastado de maiores julgamentos. O debate e sua inflexão são o que interessam a Shanley. O alcance de seu filme é ampliado por essa escolha acertada. De manter o espectador no dilema experimentado por todos os seus personagens. Alguma conclusão pode até imergir, mas Shanley em um momento inspiradissímo, via um sermão do padre Flynn, já previra o efeito devastador das conclusões precipitadas.