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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, James Franco e Seth Rogen dão um tapa com luva de pelica no convencido Kanye West, a corrida pelo Oscar tem seu primeiro highlight, os dez melhores filmes de 2013 pela Cahiers Du Cinema e animações de alta qualidade produzidas fora do mainstream americano.

É aquela época do ano...
Saíram os indicados ao Independent Spirit Awards 2014, que na prática dá a largada na corrida pelo Oscar. A premiação, entregue na véspera dos prêmios da academia, celebra o cinema independente.
Como esperado, 12 years a slave, que disparou na dianteira nos bolsões de apostas para o Oscar, é o líder de indicações com sete. Na sequência vem o novo e já premiado filme de Alexander Payne, Nebraska, com seis menções. Frances Ha, Inside Llweyn Davis – balada de um homem comum e All is lost completam a lista dos indicados a melhor filme.
Matthew McConaughey, Cate Blanchett, Shailene Woodley e Julie Delpy são alguns dos destaques desta edição. Confira abaixo os indicados nas principais categorias.

Chiwetel Ejiofor é um dos destaques de 12 years a slave na premiação

Melhor Direção
Shane Carruth (Upstream Color)

J.C. Chandor (All Is Lost)
Steve McQueen (12 years a slave)
Jeff Nichols (Amor Bandido)
Alexander Payne (Nebraska)


Melhor Atriz
Cate Blanchett (Blue Jasmine)

Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
Gaby Hoffmann (Crystal Fairy)
Brie Larson (Short Term 12)
Shailene Woodley (The Spectacular Now)


Melhor Ator
Bruce Dern (Nebraska)

Chiwetel Ejiofor (12 years a slave)
Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Michael B Jordan (Fruitvale Station)
Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
Robert Redford (All Is Lost)


Melhor Roteiro
Woody Allen (Blue Jasmine)
Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater (Antes da Meia-Noite)
Nicole Holofcener (À Procura do Amor)
Scott Neustadter e Michael H. Weber (The Spectacular Now)
John Ridley (12 years a slave)


Melhor Atriz Coadjuvante
Melonie Diaz (Fruitvale Station)

Sally Hawkins (Blue Jasmine)
Lupita Nyong’o, (12 years a slave)
Yolonda Ross (Go For Sisters)
June Squibb (Nebraska)


Melhor Ator Coadjuvante
Michael Fassbender (12 years a slave)

Will Forte (Nebraska)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)
Keith Stanfield (Short Term 12)


Melhor Fotografia
Sean Bobbitt (12 years a slave)

Benoit Debie (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Frank G. Demarco (All Is Lost)
Matthias Grunsky (Computer Chess)


Melhor Edição
Shane Carruth e David Lowery (Upstream Color)

Jem Cohen e Marc Vives (Museum Hours)
Frank G. Demarco (All Is Lost)
Matthias Grunsky (Computer Chess)


Melhor Filme Estrangeiro
Um Toque de Pecado (China)
Azul é a Cor Mais Quente (França)
Gloria (Chile)
A grande beleza (Itália)
A Caça (Dinamarca)


A lista das listas
A lista da Cahiers Du Cinéma dos dez melhores filmes do ano é uma instituição. Ainda que não goze do prestígio de outrora, a publicação é das mais influentes no quesito cinema e não entretenimento. Além de ter sido a mãe da teoria do autor, já que a Nouvelle Vague saiu, de certa maneira, de suas páginas.
Uma prerrogativa da lista, ano após ano, é a de polemizar na mesma medida em que faz escolhas inusitadas tanto para os padrões da revista como para as expectativas alimentadas pelo público.
Neste ano, a presença de Spring breakers: garotas perigosas, logo na segunda posição, chamou a atenção. Outro aspecto que salta aos olhos, é a forte presença de filmes saídos de Cannes na lista. São cinco ao total, incluindo o primeiro colado, Stranger by the lake, e o vencedor da Palma de ouro Azul é a cor mais quente. Os americanos, com três menções, também se destacam no ranking que tem em suas cabeças produções centradas no sexo. Não deixa de ser laudatório que os três primeiros colocados do ranking reflitam o grande tema de 2013 nos cinemas. Confira a lista da Cahiers Du Cinema:

Cena do esteticamente ousado e narrativamente intrigante Stranger by the lake, em que homens se encontram para fazer sexo fortuito próximo a um lago

1- Stranger by the Lake, de Alain Guiraudie
2. Spring Breakers, de Harmony Korine
3. Azul é a cor mais quente, de Abdellatif Kechiche
4. Gravidade, de Alfonso Cuaron
5. Um toque de pecado, de Jia Zhang Ke
6. Lincoln, de Steven Spielberg
7. La Jalousie, de Philippe Garrel
8 – Haewon et les Hommes, de Hong Sang-Soo
9 – Dia e Noite, de Yann Gonzalez
10 – La Bataille de Solférino, de Justine Triet

 Animação tipo exportação
Na esteira do lançamento da animação argentina Um time show de bola, o AdoroCinema elencou 20 animações não americanas para provar que há muita coisa boa sendo produzida fora da terra do tio Sam. Tem até produção vencedora do Oscar na lista. Confira!

Ah, as paródias!
James Franco e Seth Rogen resolveram parodiar um clipe de Kanye West e, bem, fizeram algo impagável. Vale a pena assistir!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Um olhar sobre a escolha da Cahiers du Cinema dos dez melhores filmes de 2012




A prestigiada revista de cinema francesa divulgou sua lista dos melhores lançamentos do ano na última semana. Uma lista, como era de se esperar, com forte predominância da veia autoral e com a presença de alguns nomes festejados pela publicação, como o caso de Abel Ferrara (com dois longas incluídos), David Cronenberg, Francis Ford Coppola e Alexandre Sokourov. Outra percepção bastante forte é a renovada força dos americanos junto à Cahiers du Cinema. Desmistificando aquela máxima antiamericana de que nos EUA só se produz, ou se produz melhor, blockbusters massificados. Seis dos dez melhores lançamentos do ano de acordo com a revista foram produzidos ou coproduzidos nos EUA. É uma maioria que não pode ser tomada como pontual ou acidental.
Mas o que a lista em si tem a dizer? A admiração dos críticos franceses pelos autores americanos é de longa data. Está por trás, como se sabe, da formulação da Nouvelle Vague. Quentin Tarantino e seu Django livre ocupam a capa da mais recente edição da revista e a presença de O abrigo, de Jeff Nichols, na sexta posição denota que o interesse por novos cineastas que emergem do panteão independente americano não se afrouxou. Abel Ferrara, o mais estridente dos surgidos nessa seara, ocupa a quarta posição com 4:44 last day on Earth, apocalíptico filme estrelado por Willem Dafoe, e  a sétima com Go Go Tales, filme de 2007 só lançado comercialmente na França em 2012. Ferrara há muito vive de sua fama transgressora eriçada nos idos dos anos 80 e 90 e a Cahiers du Cinema não parece disposta a minimizá-la.
As duas primeiras posições, filmes lançados no último festival de Cannes, carregam idiossincrasias semelhantes. Tanto Cosmópolis, de David Cronenberg, como Holy motors, de Leos Carax são elucubrações sobre os desmandos do consumismo em elaborações diversas. Os filmes comungam de algumas opções estéticas, mas diferem na esquematização dos discursos. São, em última análise, duas manifestações distintas da veia autoral que a revista valoriza. Talvez por ser francês, Carax apareça na primeira posição.

Eva Mendes e Denis Levant em cena de Holy motors, o melhor filme de 2012 para a Cahiers du Cinema


A lista completa com os trailers dos filmes escolhidos pode ser conferida aqui.


Como unidade, a lista da Cahiers du Cinema reflete o obscurantismo do fim do mundo. Filmes pessimistas destacados, alguns versando efetivamente sobre o fim do mundo ou sobre o pressentimento que se tem dele, realçam o pensamento artístico sobre formulações humanas contraditórias. O fim do mundo pode ser uma experiência pessoal, como o fim de uma relação amorosa em Keep the lights on, ou paranoica, como em O abrigo. De certo, a tragédia humana fomenta, na avaliação da Cahiers du Cinema, expressão cinematográfica de grande qualidade.