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domingo, 3 de abril de 2011

TOP 10 - Os dez personagens mais descolados de Nicolas Cage

O sobrinho de Francis Ford Coppola e fã de quadrinhos tem seis filmes programados para 2011. O segundo deles, Fúria sobre rodas, estreou nesse final de semana nos cinemas brasileiros. Em homenagem a essa figura tão combalida e enérgica que é Nicolas Cage, Claquete organizou um TOP 10 com os personagens mais descolados de sua carreira. Importante ressaltar que a lista não se orienta pela qualidade das atuações do ator ou dos filmes em questão. Como exemplo disso, fica o registro que seu oscarizado papel em Despedida em Las Vegas ficou de fora da lista. Ou mesmo o clássico da ação A outra face em que antagonizou John Travolta às ordens de John Woo. A idéia aqui é apresentar os personagens mais bacanas do ator. Mesmo que não fossem gente bacana.




10 – Roy Waller em Os vigaristas (EUA 2003)

O tipo neurótico caiu bem em Nicolas Cage, nessa que é uma de suas últimas grandes atuações. Em tom leve, o ator cria um tipo transtornado, carismático e profundamente metódico. O ladrão que descobre uma filha adolescente que pode ser a resposta para a sua infrutífera terapia é um personagem muito bem lapidado por Cage.


9 - Rick Santoro em Olhos de Serpente (EUA 1998)
Quem nunca pensou em se dar bem com uma trapaça, por menor que essa fosse, e depois se arrependeu? O ex-policial vivido por Cage nesse belo filme de Brian de Palma vive essa situação. Um thriller que ganha muito com a atuação de Cage que cria um personagem desavergonhado, mas que em algum momento reencontra sua moralidade.



8 - Cameron Poe em Con Air – a rota da fuga (EUA 1997)
Moral é algo que não falta a Cameron Poe, o herói acidental de um dos filmes Bs mais bacanas dos anos 90. A alguns dias de sua condicional, Poe se vê na contingência de conter uma rebelião em pleno ar. O prisioneiro do bem, vivido por um Cage cabeludo, tem sua mulher (Monica Potter) e um policial bobalhão (John Cusack) lhe dando apoio em terra.



7 - H.I McDunnough em Arizona nunca mais (EUA 1987)
Nesse que foi um dos primeiros sucessos da carreira dos irmãos Coen, o ator vive um ex-presidiário que enamorado de uma ex-policial descobre que não pode ter filhos. Resolve, então, roubar uma criança. Uma pérola do humor que revela um Cage cômico e destinado a grandeza. Um personagem com o gosto dos Coen e o sabor do ator.



6 - Seth em Cidade dos anjos (EUA 1998)
Esse talvez seja o personagem que mais relacionem a Nicolas Cage. O anjo apaixonado por uma humana que renuncia a sua imortalidade para experimentar o amor e a tragédia. Um personagem icônico dentro do romantismo que aventa. É o tipo de trabalho que ressoa, ainda que seja inegavelmente simples.



5 - Terence McDonagh em Vício frenético (EUA 2009)
Não é um personagem original criado pelo ator, mas sua personificação traz muita coisa nova. O policial drogado, corrupto e misógino desse remake de Werner Herzog é na figura caótica, tensa e limítrofe de Cage a grande razão de ser do filme. Cage, depois de uma década de muitas escolhas ruins (com algumas boas como mostra o TOP 10), demonstra aqui que ainda é um ator com algo a oferecer a um diretor.



4 - Sailor Ripley em Coração selvagem (EUA 1990)
Outro ex-presidiário que Cage reveste de charme bandido nesse romance idílico com pinta de road movie. A juventude sem prazo de validade é encarnada nesse tipo galã sem amanhã que o ator constrói com sucesso nessa balada cult de David Lynch.



3 - Yuri Orlov em O senhor das armas (EUA 2005)
Um traficante de armas ucraniano caçado pela CIA e cortejado por países e organizações em todo o planeta. Esse tipo seguro de si, com ótimas sacadas, e um irmão em constante crise moral é encarnado com sensualidade e tenacidade por Cage. O ator confere tom agradável ao personagem, sem glamorizá-lo. Um feito e tanto!



2 - Benjamin Franklin Gates em A lenda do tesouro perdido (EUA 2004)
Nada como viver um herói que não coloca a mão em uma arma né? No contraponto do Orlov de O senhor das armas, o historiador com jeito de Indiana Jones vivido nesse filme, que deu origem a mais uma franquia Disney, é o tipo que papai e mamãe gostam de mostrar aos filhos. Educado, culto e totalmente correto. Mesmo assim, Cage puxa pelo humor Gates para essa lista de descolados...



1 - Charlie Kaufman/ Donald Koufman em Adpatação (EUA 2002)
E nada melhor do que Cage em dose dupla para encabeçar a lista! No último papel que o levou ao Oscar, o ator dá um show como o amalucado e inseguro Charlie Kaufman (o roteirista que se fez personagem em virtude de uma crise criativa). Cage também brilha como o irmão gêmeo fictício do roteirista. Cool, pop e cult. Só é o personagem menos bonito do ator. Mas tudo bem!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Critica - Vício frenético

De canalhice em canalhice

Independentemente da campanha que existe contra esse novo trabalho de Werner Herzog, Vício frenético (Bad lieutenant: port of call New Orleans EUA 2009) é interessante. Nem que seja para que possa se comparar, com propriedade, o trabalho de Herzog como o de Abel Ferrara, que dirigiu o filme original no não tão distante ano de 1992.
Ambos os filmes versam sobre a podridão humana e os mecanismos a disposição para corromper essa nossa humanidade. No entanto, o filme de Ferrara, principalmente depois da comparação com o trabalho de Herzog, parece definitivo. Mais pleno.
Herzog foi muito questionado sobre seu remake no último festival de Veneza. Respondia a quem quisesse ouvir que não se tratava de um remake. Era um filme diferente. Era sua visão ali. Não uma atualização da visão de Ferrara, cujo filme ele afirmava desconhecer.
Pois bem, realmente Herzog mudou muita coisa. E não foram só o período e a cidade (o novo filme passa-se em nova Orleans depois do furacão Katrina, enquanto que no outro filme a ação passava-se em Nova Iorque). A mise-en-scène, embora preservada em sua estrutura, ganha novos elementos. O cinismo que marca o policial Terence McDonagh (aqui, Nicolas Cage, no filme de Ferrara, Harvey Keitel) não é só mais dele. É de uma sociedade que procura sempre usurpar, tomar, se apropriar. Outra diferença gritante é que McDonagh é agora mais tridimensional e isso não chega a ser uma coisa boa, não no contexto do filme.
Em linhas gerais esse remake é bastante inferior. Não que seja um filme ruim. A questão é que Ferrara já havia apresentado tudo o que tinha de se apresentar com essa história. Não há nada novo. Nada que justificasse esse remake. O filme de Herzog ganha, portanto, a pior das pechas; a de filme desnecessário.
A favor desse novo Vício frenético, talvez esteja a performance de Nicolas Cage. O ator, que há algum tempo oscilava entre o ruim e o dispensável, pode ainda não ter acertado no projeto, mas sua composição é algo incômoda. Desde a postura turva de seu personagem (em virtude de um problema nas costas) até os tiques nervosos, o ator compõe uma figura tão taciturna e caótica que abrilhanta um filme cansativo e desnecessário. Pensando bem, a performance favorece mais a carreira de Cage do que o filme. Vício frenético de Herzog só não será alçado ao esquecimento, ironicamente, por causa de Abel Ferrara. Tivesse o diretor do original reagido mais parcimoniosamente a esse filme, ele tomaria o rumo do esquecimento.