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domingo, 15 de agosto de 2010

Claquete documenta - Shine a Light


Existem duas reações possíveis a um documentário reverente. O total apego a ele ou a insatisfação crescente. Não há meio termo. Se documentários que investigam figuras políticas com pontos de vista alinhados à esquerda geralmente se ajustam a segunda vertente, os filmes que vasculham a obra e carreira de ícones da música se ajustam a primeira. É uma contingência que não segue padrões que não aqueles de nossa orientação pessoal. Tal qual nossa recepção a essas obras, é importante notar a predisposição do realizador ao se lançar a elas. Martin Scorsese é fã dos Rolling Stones, assim como Oliver Stone é admirador de Hugo Chavez, além de compartilharem a mesma ideologia (o que ajuda a entender Ao sul da fronteira, que será tema de um futuro Claquete documenta).
O diretor nova-iorquino já havia filmado os Stones para um especial de TV, assim como havia produzido (ao lado de Clint Eastwood) e filmado o primeiro episódio de um especial sobre jazz e blues, dirigido um documentário sobre a vida de Eric Clapton e, mais recentemente, rodado outro sobre a vida de Bob Dylan. Mas a relação de Scorsese com os Stones é especial. O grupo de rock que rivalizou com os Beatles marca presença constante na trilha sonora dos filmes do diretor. Seja em Os infiltrados (2006), seja em Touro indomável (1980) ou em Os bons companheiros (1990). Os melhores momentos de Scorsese são ao som de Rolling Stones. E foi justamente ao Rolling Stones que Scorsese recorreu logo após sua consagração com o Oscar.
Shine a light tem uma proposta um pouco diferente dos outros filmes que Scorsese fez sobre lendas musicais. Não há nenhum tipo de investigação. Há algumas entrevistas (principalmente de arquivo), uma ou outra cena de bastidores (a melhor é quando Scorsese enquadra os Stones – como se isso fosse possível?) e muita música. Scorsese tenta capturar o que a banda tem de melhor: sua energia. Não é uma tarefa fácil, mas em HD fica mais impressionante. Shine a light é, a rigor, um show de rock com múltiplas câmeras. A diferença é que Scorsese é o responsável por esse show de rock. Sim, imperdível é a palavra que você está procurando!