Piada velha é que faz comédia boa!
Ashton Kutcher é fã do cinema de ação, mas arranjou sua boquinha como astro de comédias que transitam entre o escatológico (Cara cadê meu carro?), o familiar (A família da noiva) e a romântica (De repente amor). Vez ou outra se experimentou com relativo sucesso por filmes que exigissem um pouco mais de performance dramática (Efeito borboleta e Jogando com prazer). A irregularidade dos resultados devolveu Kutcher ao gênero que lhe consagrou na TV (no seriado That´s 70th show). Em Par perfeito (Killers, EUA 2010), quinto filme consecutivo que estrela em que também faz as vezes de produtor, o ator une-se a uma dupla que esbanjou entrosamento no primeiro trabalho que realizaram juntos. A dupla em questão é o diretor Robert Luketic e a atriz Katherine Heigl e o trabalho é A verdade nua e crua. Eles retomam a batalha dos sexos aventada naquele filme, mas ajustada as necessidades de Kutcher. Que são brincar de astro de ação e caprichar na química com sua companheira de tela. Heigl, que Luketic já declarou ser sua leading lady favorita (um senhor elogio vindo de quem já dirigiu Reese Witherspoon e Jennifer Lopez), esconde bem sua beleza e deixa Kutcher ser a leading lady da fita. Par perfeito investe na comédia de ação como metáfora para uma crise de relacionamento, em mai
s uma reciclagem da fórmula potencializada por Sr. E Sra. Smith; mas o filme tem sua graça.
Spencer (Kutcher) conhece Jen (Heigl) em uma missão em Nice. Apaixonado, resolve abandonar sua profissão de mercenário free lancer. A pacata vida que leva com Jen, é virada do avesso justamente no dia de seu aniversário quando seu ex-chefe resolve lhe recrutar para mais um serviço. As cenas de ação, propositadamente exageradas, divertem e Kutcher faz caras e bocas como um super agente que vive à sombra do sogro (vivido com sabor por Tom Selleck). Não importa a roupagem, Par perfeito é a comédia romântica tradicional (no bom e no mal sentido), com as mesmas soluções e o mesmo impacto. A diferença é ver Ashton Kutcher salvando o casamento a base de munição pesada. Ou pelo menos tentando.