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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Momento Claquete #35

O 66º festival de Cannes ainda não acabou, mas Claquete já selecionou alguns dos melhores clicks do evento

Os homens atrás do candelabro: Steven Soderbergh, elenco e equipe do elogiado Behind the candelabra da HBO

A estonteante Allison Williams, da série Girls, também marcou presença na premiere do filme da HBO 

Sangue azul: Chiara Mastroianni no photocall de Les salauds, filme exibido na mostra Um certo olhar que marca sua terceira colaboração com a diretora Claire Denis  

O inglês Clive Owen cumprimenta seu diretor em Blood ties, o francês Guillaume Canet, na ensolarada manhã do dia 21 de maio em Cannes 

O cabelo combina: os galãs do novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, Garrett Hedlund e Justin Timberlake não economizaram no gel...

 Black &White: Jennifer Lawrence deu o ar da graça para promover a sequência de Jogos vorazes

Roman Polanski e o ex-piloto de fórmula 1 Jackie Stewart apresentam documentário produzido pelo primeiro sobre as façanhas do segundo

Bruce Dern, elogiado por sua atuação em Nebraska, posa para fotos ao lado da filha coruja Laura Dern

Amor em Cannes: Os namorados Louis Garrel e Veléria Bruni Tedeschi apresentam Un château en Italie, dirigido por Valéria e estrelado por Garrel

Sem Gosling: Kristin Scott Thomas, na esquerda, e Nicolas Winding Refn promovem Only God forgives no evento francês

Favorito: O diretor italiano Paolo Sorrentino, à direita, conquistou simpatia da crítica com La grande bellezza, estrelado por Toni Servillo, à esquerda


Fotos: Getty Images, Telegraph e Festival de Cannes

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Crítica - Aqui é o meu lugar


Batida (im) perfeita!



O maior mérito de Aqui é o meu lugar (This must be the place, ITA/FRA/IRL 2011) talvez seja o de tornar o sentimento de estranheza algo simpático. O lúdico e o contemplativo no filme de Paolo Sorrentino são correntes de ar que oxigenam uma narrativa desprendida de um norte específico.
A começar pela figura do protagonista, brilhantemente encarnado por Sean Penn, passando pela trilha sonora sempre presente, assinada por David Byrne, e culminando no ritmo fraturado da narrativa que vai mesclando gêneros conforme avança, Aqui é o meu lugar mais parece uma colagem de grandes cenas e outros bons momentos de introspecção do que um filme com começo, meio e fim.
A direção segura de Sorrentino, que encontra um poderoso aliado em Penn, no entanto, transforma o que poderia ser razão do fracasso em quintessência do longa-metragem.
Chayenne (Penn) é um roqueiro aposentado, de fala morosa e visual bizarro em uma concepção visual que deve muito a Ozzy Osbourne, que vivencia uma fossa de tédio, que ele não sabe precisar se resultará em depressão, em Dublin, onde vive com a esposa (Frances McDormand).
Chayenne parte para os EUA quando é avisado que seu pai, com quem não mantém nenhum contato há 30 anos, está para morrer. Quando chega aos EUA, por via marítima já que é um tipo cheio de manias e fobias, é avisado de que o pai já falecera. Toma ciência, também, de que o pai passara boa parte desses 30 anos à caça do nazista que o torturara nos campos de concentração do regime de Hitler.
É a essa busca que Chayenne, um homem que também não está em paz com seu passado, se lança. A ideia de um roqueiro psicologicamente abalado, visualmente espalhafatoso e emocionalmente instável como uma criança fazer um périplo pelas estradas americanas para encontra um senhor, de prováveis 90 anos, que oculta um passado de terror é generosa sob a perspectiva da dramaturgia. Mas Sorrentino evita tentações forjadas por precursores no subgênero road-movie.
Ele constrói o sentido de seu filme tanto na expressão combalida de Sean Penn que vai ganhando cor ao longo da fita, como em meia dúzia de cenas chave em que toda a potência dramática daquele personagem é experimentada por diálogos francamente inusitados. Sempre com a música como bússola.
Aqui é o meu lugar, com esse espírito livre e essa estranheza que se pretende fraternal, emula a jornada de seu protagonista em sua própria estrutura. É um filme sobre busca de identidade e, também, sobre fazer as pazes com o passado. Ainda que isso não fique muito claro de pronto. É preciso se acostumar com a ideia.