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sábado, 20 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - O melhor filme de Scorsese por você



Durante essa semana o leitor(a) de Claquete pôde votar em uma enquete particularmente complicada. Eleger o melhor filme de Martin Scorsese não é algo fácil. Aliás, não há como dizer nem mesmo que seja algo justo. Mas existem preferências e critérios de ordem pessoal que merecem voz. E como não poderia deixar de ser, tratando-se da obra de Scorsese, praticamente todos os filmes foram votados. Só não receberam votos A época da inocência e Caminhos perigosos. Os infiltrados, eleito o 22o melhor filme da década na lista que Claquete está editando aos domingos e que há duas semanas foi eleito - pelo leitor(a) - o melhor fruto da parceria Scorsese & DiCaprio, foi escolhido como O MELHOR filme de Martin Scorsese. Foram 9 votos que conferiram o título ao filme que se passa em Boston. Taxi Driver, clássico dos anos 70, ficou em segundo na preferência dos leitores e Touro indomável, com 5 votos, alcançou a terceira posição. Os bons companheiros e Cassino receberam 4 votos e dividiram a quarta posição. O recente Ilha do medo angariou 2 votos e mostra potencial de crescimento em uma futura eleição sobre o melhor Scorsese, tendo em vista que ainda é um filme pouco visto em relação aos demais.
Importante notar que o equilibrio da votação demonstra a força do cinema do diretor. Issa impressão foi potencializada pelo sistema de votos. Cada leitor(a) podia escolher até 3 filmes em seu voto. Então, mesmo que Os infiltrados não fosse a primeira opção de muita gente, foi o mais lembrado. O que certamente lhe concede a justa alcunha de melhor Scorsese já que marcou a memória de mais pessoas.

Para celebrar Scorsese (porque nunca é demais celebrá-lo) e também ao filme mais votado, segue um pequeno video com uma das melhores falas de Os infiltrados.
Alec Baldwin e Mark Wahlberg falam a língua dos "tiras" e reparem na cara do infiltrado Matt Damon. Um dos prazeres do cinema de Scorsese!


segunda-feira, 15 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - Movies Great Partnerships

DiCaprio e Scorsese ajustam os ponteiros no set de Ilha do medo


Se um dia o leitor se perguntar qual o padrão para se medir a qualidade de uma parceria no cinema e a penetração da mesma na cultura pop e no âmago da história cinematográfica, a parceria que o diretor Martin Scorsese mantém com o ator Leonardo DiCaprio deverá surgir como parâmetro. São 4 filmes até agora. O mais recente, Ilha do medo, está em cartaz atualmente nos cinemas e já há mais duas colaborações engatilhadas. Uma delas, uma biografia de Frank Sinatra.
Leonardo DiCaprio era um rostinho bonito até que Scorsese surgisse em sua vida. O próprio ator admitiu, quando entregou o prêmio Cecil B. DeMille ao diretor no último Globo de ouro, que Scorsese “é uma profunda inspiração” e que a parceria com o diretor foi a melhor coisa que fez em sua carreira.

Foto dos bastidores de O aviador que ilustra uma biografia do cineasta da série Movie Icons


Nesse sentido, o ano de 2002 foi prolífero para o ator. Vindo do fracasso retumbante de A praia, DiCaprio precisava mostrar que, além de viável, era um ator de confiança. Spielberg e Scorsese resolveram dar-lhe uma chance. Ele esteve em dois dos principais filmes da temporada. Prenda-me se for capaz e Gangues de Nova Iorque. Scorsese por sua vez, também vinha de um fracasso de público e critica, um dos poucos de sua carreira, Vivendo no limite, estrelado por Nicolas Cage, era uma infeliz releitura de Taxi driver. Gangues de Nova Iorque, um projeto antigo do diretor, viabilizou-se quando os nomes de DiCaprio e Cameron Diaz entraram no projeto. Foi assim, despropositadamente, que teve inicio uma das grandes parcerias do cinema.
Scorsese e DiCaprio se elogiam mutuamente. O diretor disse recentemente que “DiCaprio expressa o que quiser com seus olhos. Seria um ator ainda mais reconhecido na época do cinema mudo”. DiCaprio não deixa por menos. “Daqui a cem anos, os filmes de Scorsese ainda serão vistos”, disse em recente entrevista coletiva. Todo esse amor tem razão de ser. Os três filmes que constituem a parceria são sucessos de critica e, no caso de Os infiltrados, de público. Os três foram indicados ao Oscar de melhor filme e o último, além de vencer nesta categoria, valeu ao diretor seu tão adiado, e sonhado, Oscar de direção.

DiCaprio, Scorsese e Cameron Diaz no festival de Cannes de 2002, onde Gangues de Nova Iorque foi exibido pela primeira vez e agradou bastante


Ilha do medo, que ainda tem longa carreira nos cinemas, já igualou a marca de Os infiltrados nas bilheterias americanas, ou seja, deve se garantir como a maior bilheteria da carreira de Scorsese em questão de dias. A ascendência da parceria mostra o quão frutífera ela é. Consagração, sucesso de público, reconhecimento da critica, prêmios e cinema de qualidade não costumam caminhar juntos. Mas essa parceria existe para mostrar que isso é possível.

Momento de descontração nos sets de Os infiltrados: Ator e diretor que se completam
Os números da parceria:

Gangues de Nova Iorque (2002)
Bilheteria americana: U$ 78 milhões
Bilheteria internacional: U$ 115,960 milhões
Oscar: 10 indicações
Globo de ouro: 5 indicações e 2 vitórias (direção e canção original)

O aviador (2004)
Bilheteria americana: U$ 102,610 milhões
Bilheteria internacional: U$111 milhões
Oscar: 11 indicações e cinco vitórias (atriz coadjuvante, direção de arte, montagem, fotografia e figurino)
Globo de ouro: 6 indicações e três vitórias (filme/drama, ator/drama e trilha sonora)

Os infiltrados (2006)
Bilheteria americana: U$ 132,385 milhões
Bilheteria internacional: U$ 157 milhões
Oscar: 5 indicações e 4 vitórias (filme, direção, roteiro adaptado e montagem)
Globo de ouro: 6 indicações e 1 vitória (direção)
Filme escolhido pelo (e)leitor de Claquete como o melhor filme da parceria até aqui



*a bilheteria internacional desconsidera a bilheteria americana. O total de arrecadação mundial é a somatória dos dois valores.

Fonte:boxofficemojo
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Excepcionalmente neste mês, a seção Movies Great Partnerships está sendo publicada na terceira semana do mês, ao invés da quarta. Em virtude disso, a coluna Tira-teima será editada na semana que vem.

terça-feira, 9 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - DiCaprio em 5 takes

Foi sob a batuta de Scorsese que Leonardo DiCaprio se tornou um ator de verdade. Contudo, o astro política e socialmente engajado, querido por seus colegas e sempre dedicado a seus projetos, já marcava desde cedo. Criou personagens marcantes mesmo antes da enriquecedora e frutífera parceria com Scorsese. Claquete seleciona 5 grandes momentos (acreditem, o ator teve muito mais grandes momentos do que esses) da carreira de Leonardo DiCaprio.


A primeira indicação ao Oscar

Pelo papel de Arnie Grape, o irmão caçula com problemas mentais de Jonny Depp em Gilbert Grape – aprendiz de sonhador, DiCaprio recebeu sua primeira indicação ao prêmio da academia. Jovem e ainda inexperiente, o deslumbramento e a beleza lhe levariam ao topo de Hollywood e ele descobriria mais tarde que a vista não é exatamente como imaginara.


O naufrágio conduz ao topo


E quem não viu Titanic? Que garota não chorou com a morte de Jack? Que menina não tinha um pôster de DiCaprio colado na parede? Jack Dawson, o pobretão apaixonado vivido por DiCaprio em Titanic, valeu ao ator o passaporte de astro. Comprou briga midiática com a academia de Hollywood ao não comparecer à cerimônia do Oscar de 1998 por achar injusto não ter sido indicado e ganhou U$ 20 milhões para rodar A praia que não rendeu nem isso nos EUA.


Espelho


DiCaprio começava a relativizar seu status e suas pretensões em Hollywood ao encarnar um personagem a sua semelhança em Celebridades, mordaz comédia de Woody Allen. Aqui ele vive Brandon Darrow, um ator jovem e deslumbrado com o sucesso e a fama repentina, que só quer saber de dinheiro, festas, drogas, bebidas e mulheres. Não necessariamente nessa ordem.


Maturação



Como o dócil, perspicaz e altamente sedutor Frank Abgnale Jr. De Prenda-me se for capaz, Leonardo DiCaprio mostrou que estava deixando o menino para trás e tornando-se um homem. Mais que isso, se anunciava um ator inquieto, inteligente e cuja profundidade ainda estava por ser desvelada. No filme de Spielberg o ator revelou sensibilidade e fragilidade, algo que sempre evitara em suas caracterizações.

A verdade da atuação



A terceira e mais bem sucedida, comercialmente e artisticamente, parceria com Scorsese é a prova definitiva do talento de DiCaprio. Em Os infiltrados, ele mostra-se um ator de muitos recursos dramáticos e, mais que isso, capaz de sutilezas. Desde o tom certo do sotaque de Boston até a linguagem corporal de uma pessoa assustada e reprimida diante do gangster vivido por Jack Nicholson. Seu Billy Costigan marca um momento irreversível. Agora, antes de ser um astro, ele é um ator de verdade.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ESPECIAL SIMPLESMENTE COMPLICADO - Ele está com tudo e está muito prosa


Pode até parecer que o momento de Alec Baldwin já passou. Estrela de filmes de ação nos anos 90. Dividiu a cena com beldades como Nicole Kidman e Kim Basinger (que foi sua mulher) e já foi até mesmo indicado ao Oscar pelo papel de um mafioso dono de um cassino em The cooler–quebrando a banca (2003). No entanto, Alec Baldwin está no topo. Na escalada até lá, uma penca de emmys e globos de ouro por sua caracterização de Jack Donaghy, o executivo carcamano de 30th rock. Na TV ele já participou de outras séries também como a divertida Las Vegas, a melodramática Nip/Tuck, a fenomenal Friends, e a badalada Will & Grace. A comédia sempre foi um forte de Baldwin, no entanto, nos últimos anos tem sido o porto seguro do ator. “É onde você encontra os melhores roteiros”, disse certa vez quando indagado o porquê de estar privilegiando o gênero nesse momento da carreira. Até mesmo em um filme dramático, como o recente Uma prova de amor, de Nick Cassavetes, Baldwin surge como um alívio cômico, sem renunciar a seriedade na composição do personagem. “Ele consegue ser engraçado e denso ao mesmo tempo”, disse Mark Walhberg que dividiu a cena com o ator no tenso Os infiltrados (2006).

Ao lado de Mark Walhberg em cena de Os infiltrados: Ele sabe fazer o tipo durão, mas também sabe ser gracioso


Seja como um ex-marido arrependido (Simplesmente complicado), como um assassino frio e calculista a mando da máfia (A jurada), como um advogado nobre e ansioso (O julgamento de Nuremberg), ou como um executivo pilantra (As loucuras de Dick e Jane). Como protagonista, como coadjuvante ou em uma ponta de luxo, Alec Baldwin agrega qualidade e status a qualquer projeto. Ele sabe disso e todo mundo que trabalha com ele também. Em mais uma demonstração de apelo e reconhecimento, o ator foi convidado para ser o host, ao lado do amigo Steve Martin, da 82ª segunda cerimônia do Oscar. Alec Baldwin está com tudo, já há algum tempo, e está muito prosa com seu status quo em Hollywood.


Alec e o elenco da multipremiada 30th Rock: A comédia como porto seguro

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os 25 melhores filmes da década: 22 - Os infiltrados

“Eu não quero ser um produto do meio. Eu quero que o meio seja um produto de mim”.




Sinopse:
O jovem policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) é infiltrado na quadrilha do chefão Frank Costello (Jack Nicholson), da máfia irlandesa, e tem cada vez mais a confiança dos criminosos. Ao mesmo tempo, Collin Sulivan (Matt Damon), um violento integrante da gangue, é igualmente infiltrado na polícia e ganha o respeito de colegas e superiores.

Comentário:
Scorsese retoma o gênero e os personagens que fizeram sua fama e o consagraram como diretor, o mundo dos gangsters. Contudo, em Os infiltrados, o diretor exercita uma visão de mundo mais pessimista, mais aterradora, onde a violência, a desconfiança e a força se impõem como meio. Ao retratar um mundo bestial, com o calor das metáforas como a impotência sexual do protegido do gangster na policia, ou a própria sexualização permanente que Frank Costello promove de tudo e para tudo ou do furor sexual de Costigan e de sua paixão “proibida” justamente pela namorada de Sullivan.
Um filme que excede os parâmetros de filme de gangster e atinge níveis dramáticos impensados. Além de ser um excepcional thriller policial, Os infiltrados desvela a sordidez das relações humanas e o híbrido de ganância e egoísmo que movem nossa existência. E sepulta as expectativas de um final hollywoodiano, com seu final anticlimático e apoteótico. Catártico como muitos, mas verdadeiro como poucos.

Prêmios:
Venceu 4 Oscars (filme, direção, roteiro adaptado e montagem); 5 indicações ao Globo de ouro e vitória por direção; 8 indicações ao Bafta; melhor filme pelas associações de críticos de Boston Los Angeles, Detroit, Chicago, Nova Iorque, Washington, Phoenix, Las Vegas, Dallas e São Francisco; 7 indicações ao critic´s choice awards e 2 vitórias (filme e direção); prêmio do sindicato dos diretores; prêmios do National Board of Review de melhor elenco e diretor;

Curiosidades:
- É um remake de um filme de Hong Kong, do ano de 2002, chamado Conflitos internos.
- O diretor Martin Scorsese afirmou que só ficou sabendo que se tratava de um remake depois de ter o filme pronto
- Foi por este filme que Martin Scorsese finalmente ganhou o Oscar como melhor diretor. Até então ele já havia sido indicado 5 vezes e nunca havia ganhado. Era tido como uma das maiores injustiças da academia.
- Existem boatos sobre uma possível continuação de Os infiltrados. Já que há três Conflitos internos. Scorsese já demonstrou interesse em rodar a continuação, mas não há nada certo por enquanto.
- Esse filme marcou a terceira colaboração entre Leonardo DiCaprio e o diretor. A quarta colaboração está a caminho, Ilha do medo.
- Foi a última aparição nas telas de Jack Nicholson em um filme dramático. Depois disso, o ator foi visto em Antes de partir, comédia um tantinho dramática, ao lado de Morgan Freeman.
- É o décimo filme de Scorsese a contar com música dos Rolling Stones na trilha sonora. Não à toa, seu filme seguinte foi um documentário sobre a banda.
- O filme é produzido por Brad Pitt, que inicialmente ficaria com o papel de Leonardo DiCaprio.
- A montadora Telma Schoonmaker trabalha em todos os filmes de Scorsese desde Touro indomável. Tanto lá, quanto nesse último, ela recebeu o Oscar na categoria. Mas segundo ela, o Oscar é mais de Martin do que dela, uma vez que ele desfaz todo o trabalho dela.
- O título original The departed (os partidos) é a mais poderosa e alusiva metáfora do filme, cujo sentido só se completa após a subida dos créditos


Ficha técnica:
Título original: The Departed
Gênero: Drama
Duração: 02 hs 29 min
Ano de lançamento:2006
Estúdio:Warner Bros. Pictures / Vertigo Entertainment / Plan B Entertainment / Initial Entertainment Group
Distribuidora: Warner Bros.
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: William Monahan
Produção: Jennifer Aniston, Brad Grey, Graham King, Brad Pitt e Martin Scorsese
Música: Howard Shore
Fotografia: Michael Ballhaus
Direção de arte: Teresa Carriker-Thayer e Nicholas Lundy
Figurino: Sandy Powell
Edição:Thelma Schoonmaker
Efeitos especiais: Lola Visual Effects
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt damon, Jack Nicholson, Alec Baldwin, Mark Wahlberg, Vera Farmiga, Martin Sheen e Ray Winstone



Fonte: arquivo pessoal