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domingo, 20 de junho de 2010

ESPECIAL TOY STORY 3 - Insight

Por que a Pixar é o estúdio mais criativo em Hollywood?
Parece ser um consenso mundial entre crítica e público que a Pixar é o estúdio criativamente mais bem sucedido de Hollywood na atualidade. A empresa que faz parte do grupo Disney desde 2006 é revolucionária na plataforma digital sem prescindir da qualidade dos roteiros.
A Pixar é hoje, no que dá a dimensão do cacife do estúdio, o único estúdio que a crítica se refere como se fosse um diretor. Um autor. Esse status autoral da Pixar não é algo que só crítico vê. A originalidade dos filmes da Pixar (todos sucessos de bilheteria também) cativa o público. Os filmes da Pixar, em uma escala bem maior do que as produções Disney do período pré-Pixar, arrastam adultos e crianças dispostos a mergulhar em mundos fantásticos que se comunicam com a nossa realidade de maneira leve e inspiradora.
A Pixar tem um time de roteiristas, diretores e artistas que são prestigiados dentro do estúdio e invejados e cortejados por estúdios concorrentes (basta lembrar de Brad Bird, diretor do oscarizado Os incríveis que dirigirá o novo Missão impossível para a Paramount). Mas não só. A Pixar segue uma cartilha essencial para se dar bem no mundo dos negócios. Não põe a carroça na frente dos bois. Se um filme precisa de seis anos para ser desenvolvido, o filme levará seis anos para ser desenvolvido com total suporte de John Lasseter (diretor de criação da Pixar e responsável pelo departamento de animação da Disney desde a fusão de 2006). Essa tranquilidade e absoluta liberdade para fazer o que precisa ser feito têm sido o grande diferencial da Pixar, principalmente se comparada a maior rival, a Dreamworks Animation. O estúdio de Shrek tem se repetido e a aposta em fórmulas consagradas se ainda encontra algum respaldo do público, já não agrada mais a crítica.

Família super poderosa mas com problemas super comuns: Os íncriveis é uma comédia das mais inteligentes dos últimos anos


Cena de Procurando Nemo: Filme que valeu a Pixar o primeiro Oscar de melhor animação
Foco nos personagens
Os filmes da Pixar podem ser engraçados, podem ser visualmente impressionantes, podem ser fofos e podem até ter valiosos subtextos dramáticos, mas o foco será sempre nos personagens. Essa opção é outra grande diferença dos filmes que o estúdio que ganhou status de autoral mantém dos demais. Com média de um filme por ano, a Pixar não se obriga a fazer filmes de gênero. Os filmes da Pixar constituem um gênero próprio e os personagens criados pelo estúdio, acabam por eternizarem-se. Reparem que todo e qualquer filme da Pixar é tomado como um evento tal qual um filme de Martin Scorsese. A comparação se justifica por que tanto um como outro reservam grande potencial comercial, mas são – no frigir dos ovos – filmes de arte. Pode-se argumentar que Scorsese seja mais prolixo vez ou outra, ou que falte a Pixar a diversidade da cinematografia de Scorsese, mas é inegável que ambos fazem parte de uma estrutura comercial que atingem o grande público (Scorsese frequentemente trabalha com o galã Leonardo DiCaprio e fez fama com os filmes de gangster), mas que agradam aos interessados em um cinema mais intimista, teórico e apaixonado. Forçando a comparação, Scorsese é um homem só. Seu legado é irretocável e, em grande parte, já foi majoritariamente construído. Já a Pixar, ainda tem muita história pela frente. A julgar pelo andar da carruagem, muitos cineastas nos próximos anos vão querer forçar uma comparação com o estúdio de Nemo, Woody, Buzz, Sulley, Relâmpago McQueen, Wall E e Carl Fredricksen.

Cena de Up-altas aventuras: o octogenário Carl Fredricksen foi o último grande personagem criado pelo estúdio

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ESPECIAL TOY STORY 3 - TOP 10

A seleção da Pixar

Para aproveitar o clima de Copa do mundo e também o lançamento de Toy Story 3, a seção TOP 10 organizou a seleção da Pixar. Diferentemente dos gramados, essa seleção não tem onze (senão não seria TOP 10). Claquete selecionou por ordem de qualidade os 10 filmes que compõe a história da Pixar no cinema.

10 – Vida de inseto (1998)
O filme teve a “sorte” de ser lançado no mesmo ano de Formiguinhaz, filme muito parecido da rival Dreamworks (embora a rivalidade ainda não fosse algo nítido e admitido na época) que era muito mais enxuto e hypado. Além do mais, trazia Woody Allen como uma formiga neurótica. Com o 11º filme da Pixar chegando, Vida de inseto deve sair desse ranking.

9 – Monstros S.A (2001)
Partindo da bem sacada ideia de pegar os monstros daquelas historinhas para por medo em criança e fazer um filme fofo sobre eles, a Pixar realizou essa engraçada e espirituosa fábula em que bicho papão e seus colegas precisam encarar que estão ficando obsoletos. As crianças já não se assustam tão facilmente. O filme perdeu o primeiro Oscar de longa de animação para Shrek da rival, agora já declarada, Dreamworks.

8 – Toy Story 2 (1999)
Foi a primeira continuação da Pixar (a segunda será justamente o novo Toy Story) e ficou clara a imposição da Disney. O primeiro filme foi um sucesso retumbante e ajudou a redefinir o conceito de animação no cinema, mas Vida de inseto (como aventado nesta lista) perdeu na comparação para Formiguinhaz, a Disney (assim como qualquer gigante de Hollywood) gosta de atuar com margem de segurança e intimou Buzz e Woody novamente aos cinemas. Embora o filme seja ótimo (não há um filme da Pixar que não o seja) saiu perdendo na comparação com o original.

7 – Ratatouille (2007)
Uma ideia até certo ponto subversiva. Um rato chef de cozinha no paraíso gastronômico de Paris. Ratatouille não deixa de ser uma versão parisiense do sonho americano. O filme é muito bem amarrado e os personagens são carismáticos. A fita ganhou o Oscar de animação, mas isso ocorreu mais em virtude do cacife da Pixar e do ano fraco para animações do que pela qualidade da fita propriamente dita.

6 – Carros (2006)
Brincar com o fanatismo dos americanos por velocidade e carros de última geração e misturar ingredientes típicos de filmes Disney em uma embalagem digital de primeira linha. Como se não bastasse o elenco de vozes caprichado trouxe um dos últimos momentos do grande Paul Newman, um apaixonado por carros.

5 – UP – altas aventuras (2009)
Uma verdadeira revolução. A Pixar realizou uma história com um protagonista octogenário, uma casa voadora e uma aventura na selva. Cenas maravilhosas, moral contagiante e alguns momentos destinados a se tornarem clássicos. UP foi a primeira produção em 3D da Pixar, mas nem precisava disso para ganhar o quinto Oscar de melhor animação do estúdio.

4 – Toy Story (1995)
O filme que deu o pontapé inicial da Pixar no cinema. O filme que conferiu uma identidade ao estúdio que hoje integra a casa do Mickey Mouse. O maior mérito de Toy Story foi afastar de vez aquela incomoda pecha de que animação é coisa de criança.

3 – Procurando Nemo (2003)
Um road movie no fundo do mar. Um pai em busca de seu filho. Um adolescente descobrindo o mundo. O valor da amizade e uma charmosa peixinha desmemoriada. Procurando Nemo foi um divisor de águas na Pixar. Até bem pouco tempo ostentava o título de maior bilheteria entre os filmes de animação. O filme de 2003 foi o primeiro do estúdio a vencer o Oscar de animação e é, em última análise, a produção que melhor se comunica com um público multifacetado.

2 – Os incríveis (2004)
Talvez nunca haja paródia mais bem sucedida do que esta. Em Os incríveis a Pixar visita o mundo dos super heróis (as referências vão desde Watchmen até o Quarteto fantástico) e entrega um filme ágil, dinâmico, divertido, cheio de ação, emocionante e, antes de qualquer coisa, inteligente. Ganhou o Oscar de animação, poderia muito bem ter ganho o de melhor filme.

1 – Wall E (2008)
Não é todo filme que pode sair por aí sendo chamado de clássico moderno. A Pixar, com 10 filmes no portfólio, já tem um clássico para chamar de seu. Wall E é uma parábola encantadora sobre o homem e o meio. Feito no novo século com todos os recursos disponíveis, mas com alma do século passado. Um filme feito para a posteridade.