Costumou-se a propalar por aí que Ben Affleck é um ator
ruim. Fechamos no regular com boa vontade com o astro boa pinta. Inegável,
porém, que desde que começou a dirigir, Affleck tem se mostrado melhor ator.
Essa evolução, muito bem vinda por sinal, motivou Claquete a vasculhar o
passado de Affleck e, bem, lançar o desafio. Será que não estávamos sendo muito
duros com ele?
Ben Affleck em Fora de controle, um de seus bons momentos como ator: a comparação com Damon sempre lhe foi desfavorável...
10 – Shakespeare apaixonado (EUA/ING 1998)
Depois de uma superexposição em um filme de grande orçamento (Armageddon),
Affleck assume um papel menor nessa comédia vencedora do Oscar. Se não brilha
na pele de um lorde abobalhado, tão pouco compromete.
9 – Procura-se Amy (EUA 1997)
Na segunda colaboração com o amigo Kevin Smith, Affleck faz
um quadrinista que se apaixona por outra quadrinista e faz de tudo para
conquistá-la. O problema é que ela é lésbica. Ainda sem cacoete de astro,
Affleck faz uma composição sincera e divertida.
8 – Gênio indomável (EUA 1997)
Aqui foi quando o pavio ascendeu. Affleck, claramente um
ator de menos recursos do que Matt Damon, deixou o amigo brilhar como o
protagonista do roteiro que os dois escreveram. Mas na pele do amigo que “quer
o melhor” para o personagem de Damon, Affleck atinge alguns picos também.
7 – Dogma (EUA 1998)
Nova parceria com Damon e com Kevin Smith. Nessa bem sacada
sátira ao establishment hollywoodiano, Affleck volta a exercitar humor, mas de
maneira mais anárquica. Uma atuação que não agrada a todos, mas cumpre bem suas
prerrogativas.
6 – Mais que o acaso (EUA 2000)
Nada melhor do que Ben Affleck, no auge da popularidade,
para encarnar um tipo arrogante que precisa reaprender a se conectar com certas
características humanas. Em Mais que o acaso, que na verdade é uma comédia
romântica, Affleck não decepciona ao construir um tipo muito centrado em si
mesmo que se surpreende quando pego em contradição: gostando de uma outra
pessoa.
5 – A soma de todos os medos (EUA 2002)
Caiu no colo de Ben Affleck a substituição de Harrison Ford
como o agente Jack Ryan nos cinemas. O filme é ótimo e Affleck é convincente
como um jovem e ainda cru Jack Ryan, mas em termos de carisma fica devendo para
Harrison Ford. Para o bem ou para o mal, essa memória é imperiosa.
4 – Um cara quase perfeito (EUA 2006)
Neste belo filme de Mike Binder, Affleck vive um agente de
cinema em crise com seu trabalho, com seu casamento, enfim, com sua existência.
Affleck surge vulnerável em uma composição cheia de nuanças que não passam
despercebidas em uma segunda revisão.
3 – Hollywoodland – bastidores da fama (EUA 2006)
Já bastante contestado em Hollywood e se recuperando de uma
comentada separação de Jennifer Lopez, Affleck se entrega ao personagem de
George Reeves (ator que teria se suicidado) com poderosa energia. Uma
caracterização robusta e cheia de sensibilidade que o colocou na temporada de
premiações daquele ano.
2 – Menina dos olhos (EUA 2004)
Como um pai solteiro nessa nova colaboração com Kevin Smith,
Affleck surge mais generoso. Menos propenso a ser o ator da cena. Uma mudança
de comportamento que certamente está por trás do ator que testemunhamos hoje.
1 – Fora de controle (EUA 2002)
Nesse belo drama com retoques de suspense assinado por Roger
Mitchell, Ben Affleck tem a melhor atuação de sua carreira sem que seja ele
também o diretor. Como um advogado cheio de si envolvido em um crescente jogo
de tensão após uma batida de carro. Uma crônica pontual do mundo moderno em que
a atuação nervosa de Affleck dá o tom certo.

