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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Especial Argo - Dez boas aparições de Ben Affleck antes de se tornar diretor


Costumou-se a propalar por aí que Ben Affleck é um ator ruim. Fechamos no regular com boa vontade com o astro boa pinta. Inegável, porém, que desde que começou a dirigir, Affleck tem se mostrado melhor ator. Essa evolução, muito bem vinda por sinal, motivou Claquete a vasculhar o passado de Affleck e, bem, lançar o desafio. Será que não estávamos sendo muito duros com ele?

Ben Affleck em Fora de controle, um de seus bons momentos como ator: a comparação com Damon sempre lhe foi desfavorável...


10 – Shakespeare apaixonado (EUA/ING 1998)
Depois de uma superexposição em um filme de grande orçamento (Armageddon), Affleck assume um papel menor nessa comédia vencedora do Oscar. Se não brilha na pele de um lorde abobalhado, tão pouco compromete.

9 – Procura-se Amy (EUA 1997)
Na segunda colaboração com o amigo Kevin Smith, Affleck faz um quadrinista que se apaixona por outra quadrinista e faz de tudo para conquistá-la. O problema é que ela é lésbica. Ainda sem cacoete de astro, Affleck faz uma composição sincera e divertida.

8 – Gênio indomável (EUA 1997)
Aqui foi quando o pavio ascendeu. Affleck, claramente um ator de menos recursos do que Matt Damon, deixou o amigo brilhar como o protagonista do roteiro que os dois escreveram. Mas na pele do amigo que “quer o melhor” para o personagem de Damon, Affleck atinge alguns picos também.

7 – Dogma (EUA 1998)
Nova parceria com Damon e com Kevin Smith. Nessa bem sacada sátira ao establishment hollywoodiano, Affleck volta a exercitar humor, mas de maneira mais anárquica. Uma atuação que não agrada a todos, mas cumpre bem suas prerrogativas.

6 – Mais que o acaso (EUA 2000)
Nada melhor do que Ben Affleck, no auge da popularidade, para encarnar um tipo arrogante que precisa reaprender a se conectar com certas características humanas. Em Mais que o acaso, que na verdade é uma comédia romântica, Affleck não decepciona ao construir um tipo muito centrado em si mesmo que se surpreende quando pego em contradição: gostando de uma outra pessoa.

5 – A soma de todos os medos (EUA 2002)
Caiu no colo de Ben Affleck a substituição de Harrison Ford como o agente Jack Ryan nos cinemas. O filme é ótimo e Affleck é convincente como um jovem e ainda cru Jack Ryan, mas em termos de carisma fica devendo para Harrison Ford. Para o bem ou para o mal, essa memória é imperiosa.

4 – Um cara quase perfeito (EUA 2006)
Neste belo filme de Mike Binder, Affleck vive um agente de cinema em crise com seu trabalho, com seu casamento, enfim, com sua existência. Affleck surge vulnerável em uma composição cheia de nuanças que não passam despercebidas em uma segunda revisão.

3 – Hollywoodland – bastidores da fama (EUA 2006)
Já bastante contestado em Hollywood e se recuperando de uma comentada separação de Jennifer Lopez, Affleck se entrega ao personagem de George Reeves (ator que teria se suicidado) com poderosa energia. Uma caracterização robusta e cheia de sensibilidade que o colocou na temporada de premiações daquele ano.

2 – Menina dos olhos (EUA 2004)
Como um pai solteiro nessa nova colaboração com Kevin Smith, Affleck surge mais generoso. Menos propenso a ser o ator da cena. Uma mudança de comportamento que certamente está por trás do ator que testemunhamos hoje.

1 – Fora de controle (EUA 2002)
Nesse belo drama com retoques de suspense assinado por Roger Mitchell, Ben Affleck tem a melhor atuação de sua carreira sem que seja ele também o diretor. Como um advogado cheio de si envolvido em um crescente jogo de tensão após uma batida de carro. Uma crônica pontual do mundo moderno em que a atuação nervosa de Affleck dá o tom certo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Cantinho do DVD

Robert De Niro está novamente nos cinemas. Mais uma razão para conhecer este que é um de seus últimos trabalhos e que não chegou a estrear nos nossos cinemas. Fora de controle é o que se convenciona chamar em Hollywood de inside joke. Aqueles filmes feitos sobre a indústria, por gente da indústria e para gente da indústria. Não deixa de ter sua graça (além da curiosidade antropológica) para nós outsiders do cotidiano hollywoodiano. Barry Levinson faz aqui um filme que embora trate de um modo de vida glamoroso não se anuncia como tal. Fora de controle pode não ser um grande filme, mas é sem dúvidas um entretenimento interessante. Principalmente para quem tem curiosidade de saber um pouco mais das idiossincrasias hollywoodianas


Ficha técnica
Título original: What Just Happened?
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Barry Levinson
Elenco: Robert De Niro, Sean Penn, Kristen Stewart, Robin Wright, Bruce Willis, Catherine Keener e John Turturro
Gênero: Comédia
Duração: 100 min
Estúdio: Califórnia
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para locação

 
 
Crítica
 
Vira e mexe Hollywood nos brinda com filmes sobre seus bastidores. Não obstante, esses filmes não fazem muito sucesso. Pois são considerados inside jokes que não são de todo compreendidas fora do círculo hollywoodiano. Uma série de TV (Entourage) muito elogiada conseguiu inverter essa lógica, mas Fora de controle (What Just happened? EUA 2008) restabeleceu-a com propriedade. O que não quer dizer que o filme dirigido e roteirizado pelo interessantíssimo - e sempre com algo a dizer – Barry Levinson seja ruim. Definitivamente este não é o caso. Fora de controle demonstra um vigor e um senso de auto ironia que acresce a fauna cômica do cinema americano. Acontece que a audiência não parece valorizar esse tipo de sátira. O público já demonstrara outras vezes ser mais receptivo a sátiras hollywoodianas que escrutinem outros universos, como o político por exemplo.
Na fita, Robert DeNiro vive Ben, um produtor de cinema que tem sua rotina espremida nas duas semanas que o acompanhamos. Seu filme, com premiere prevista para o festival de Cannes, não agradou nas exibições preliminares e ele precisa mediar as negociações entre o estúdio e o diretor. Paralelamente a isso, ele precisa lidar com surtos de estrelas e familiares. Uma combinação perigosa em que prevalecem dinheiro, esquisitices e dependências químicas. Robert DeNiro faz um protagonista aborrecido, mas que de alguma maneira não nos deixa perder o fascínio por ele e por aquele mundo. Sean Penn e Bruce Willis fazem participações especiais como eles mesmos e dão certa graça a piada interna que em momento algum Fora de controle esconde ser.