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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - Crítica

Mais do mesmo? Yeah!

Velho demais para isso: Stallone, aos 64 anos, começa a fazer piada com sua idade em Os mercenários

Não. Os mercenários (The expandables, EUA 2010) não é o melhor filme do ano. Passa longe disso. Na verdade, tão pouco é o melhor filme de ação dos últimos tempos. Aliás, nem mesmo é tão bom quanto poderia ser. Contudo, Os mercenários é o mais representativo filme de ação dos últimos tempos. Explica-se: A fita dirigida por Sylvester Stallone não se resume apenas ao hype de reunir um time de astros decadentes de um cinema de ação que não mais se garante em uma época de heróis mascarados e bruxos adolescentes. Os mercenários é cinema bruto. Em toda a abrangência da palavra. O romantismo e a nostalgia por uma época que não volta mais vem embalada em piadas que ora constrangem, ora contam com nossa solidariedade. Há também tiros, pontapés e Stallone admitindo a fragilidade do maior herói da década de 80. Pode parecer pouco. Pode parecer redundante. Essa sensação de que você já viu isso antes, e de forma mais sofisticada, é justamente o que potencializa o impacto de Os mercenários. Um filme crepuscular em que astros que nunca foram levados a sério se juntam para não serem levados a sério juntos.

Jet Li, Stallone e Lundgren: em busca de alguma relevância...

Misteriosamente, no Brasil, tanto Stallone quanto seu filme têm sido levados muito a sério. Uma prova de que o brasileiro ainda não sabe apreciar determinados produtos em seu devido contexto. Mas é sobre essa falta de senso de oportunidade que Mickey Rourke, em um tipo de cena que ele também já fez melhor, discorre no momento que antecede o clímax do filme.
Os mercenários, depois da consagradora bilheteria de estréia, deve ter uma sequência. Não se enganem. Virá exatamente mais do mesmo por aí. A própria trama de Os mercenários parece um remendo da que Stallone providenciou para Rambo IV, mas esse não é o ponto. A questão é manter-se relevante fazendo a mesma coisa que sempre se fez. Stallone chamou um pessoal que não sabia mais o que era ser relevante no cinema e, junto com eles, foram os reis da América. Mesmo que esse reinado dure apenas um final de semana.

domingo, 15 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - Insight

O cinema brucutu em todo o seu esplendor

Na última sexta-feira estreou aquele que promete ser o filme brucutu definitivo. Pelo menos em números absolutos, Os mercenários se garante. Vamos a eles: explosões? Check. Tiros ao ponto de ensurdecer desavisados? Check. Mocinha em perigo? Check. Piadas canastras em profusão? Check. Sylvester Stallone? Check. Arnold Swarzenegger? Check. Bruce Willis? Check. Jason Stathan? Check. Um país de terceiro mundo de nome fictício? Check. Fiapo de história? Check. Protagonista declarando que os “heróis da década não são homens”? Check.
Os mercenários é o supra-sumo do gênero ação. E, mais que isso, quer sê-lo. A grande gozação do filme é se vender como a hipérbole que é. Mas há predecessores legítimos. O cinema brucutu é um conceito que, embora pareça grosseiro, é dos mais bem definidos e alinhados do cinema contemporâneo. Surgiu, como não podia deixar de ser, nos anos 80. De uma variação de westerns típicos (como Era uma vez no oeste) com thrillers urbanos que apostavam em protagonistas carismáticos (Operação França e a série Desejo de matar).

Gene Hackman em dos clássicos da ação dos anos 70: Operação França, de William Friedkin, influencia até hoje

Esse tipo de filme tem como diretrizes, histórias que girem em torno de honra, mesmo que não na superfície, camaradagem e sobre a “coisa certa”. Os mercenários reúne as três características. Embora nossos heróis sejam mercenários (e o conceito de honra torne-se movediço), eles estão imbuídos de uma missão nobre: derrubar um ditador. Missão esta que só se torna mais digna de honra a medida que o filme avança. Há a camaradagem, explicitada no relacionamento dos personagens (nesse tipo de filme a nostalgia com o passado é de vital importância), e há a coisa certa a se fazer. Seja quitar dívidas com o passado, seja aliviar a consciência, seja fazer do mundo, um lugar melhor. O cinema brucutu é regido por esses três princípios e todos os apêndices que produções estreladas por todo esse pessoal que está no filme, e Jean Claude Van Damme e Steven Seagal que se negaram, apresentaram.
Os mercenários encerra uma era. Provavelmente ainda haverá filmes brucutu por aí (afinal, Jason Stathan e Jet Li ainda são garotos), mas o ato final está encenado. Em todo o seu esplendor.


Stallone e Stathan, dois dos expoentes do cinema brucutu: a galera reunida

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - Crônica de uma filmagem no Rio de Janeiro

Correria: Stallone acelera em uma das primeiras imagens de bastidores divulgadas da produção


Com a proximidade da estréia de Os mercenários, o noticiário pop e cultural nacional é invadido por denúncias de calote, piadas sem graças, revanchismos e outros “ismos” envolvendo a produção do mais recente filme estrelado e dirigido por Sylvester Stallone.
Não se pode negar as razões de todos os lados e frentes dessa batalha informal. Estão certos os brasileiros ao chiarem de um gringo que faz piada com as tradições (?) alheias e está certo o gringo ao fazer uma crítica, ainda que sem sal e azeite, a um país com complexo de vira lata e a um povo que não sabe receber com humor o humor, ainda que o humor em questão seja pobre.

O terceiro mundo é aqui: locações cariocas remetem a ilhota latino americana fictícia



É preciso lembrar que o filme, Os mercenários, é um coro da América da Era Reagan, deslocada de seu espaço tempo. A verve de Bush pai (e filho em consequência) resplandece no Rambo que recusa a aposentadoria. É preciso levar a democracia aonde a luz não alcança. No cinema também. O Brasil tem feito de tudo para ser anfitrião de filmagens. Seja de produções estrangeiras (de preferência) ou nacionais. O festival de Paulínea, cuja mais recente edição se encerrou no mês passado, serve apenas para esse propósito. A O2 de Fernando Meirelles firmou contratos internacionais prevendo que produções estrangeiras venham filmar no Brasil. O próprio Fernando Meirelles fez isso com seu Ensaio sobre a cegueira. Stallone veio ao Rio de Janeiro atraído por todos aqueles tambores que provocam os gringos e também pela promessa de um orçamento barato e custos operacionais dentro do satisfatório (partindo do ponto de vista americano aqui). Como toda a produção, o planejado não avança aos fatos. Pequenas bifurcações são feitas pelo caminho. A primeira delas, pelo menos a mais midiática, foi a respeito da “mocinha local”.

Jason Stathan é flagrado saindo do hotel para mais um dia de gravações no Rio de Janeiro



Stallone bate aquele papo com o cineasta brasileiro Fernando Meirelles: hoje há ressentimento, processos judiciais e troca de acusações de falta de profissionalismo


Stallone queria uma brasileira para viver a donzela em perigo. Juliana Paes, notada em uma capa de revista, foi a primeira escolha. Um bate papo e um screen test depois e Stallone perguntava sobre outra bela morena. A morena em questão era Cléo Pires. Cléo fez o teste e também bateu o papo. Stallone gostou do que viu. Mas Cléo não entrou para o casting porque não obteve liberação da Globo, já que o cronograma de filmagens da fita batia com o da novela em que ela estava no momento. Cléo ficou azeda e a Record ganhou mais uns pontinhos na disputa, que crê poder ganhar algum dia, travada com a emissora carioca. Gisele Etié, a Bela feia que não é feia (para quem não sabe), foi a escolhida. A atriz que não é brasileira (mas isso é só um detalhe) faz a coisa nossa no filme tão contestado de Stallone (um dos poucos filmes que a crítica brasileira parece malhar com gosto). Ah! Tem as florestas do Rio de Janeiro também! Mas no filme, que até tem macaco, elas não são nossas...

Gisele, Stathan e Stallone em um intervalo das filmagens: descontração

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - TOP 10

10 filmes de ação anos 80 em plenos anos 00

E já que é o mês da ação, em virtude disso da reverência a década que marcou o cinema do gênero, Claquete reúne os 10 filmes dos anos 00 que se encapsularam no tempo e revivem os anos 80. Filmes que em tudo remetem ao cinema de ação praticado na época. Tem até filmes estrelados por duas das figuras do mês, Arnold Schwarzenegger e, ele, Sylvester Stallone.


10 - 12 rounds, Renny Harlin (12 rounds, EUA 2009)
Renny Harlin é responsável por algumas das melhores perolas da ação ointentista (Duro de matar 2 e Risco total são dele) e ele continua fiel ao cinema brucutu. Em 12 rounds, o lutador John Cena dá uma de ator. Ele não chega a convencer dramaticamente, mas quem está se importando? Ele corre contra o tempo para salvar a mulher que ama. A mesma Ashley Scoot que cai nas mãos de The Rock no próximo filme que aparece nessa lista.


9 - Com as próprias mãos, Kevin Bray (Walking tall, EUA 2004)
E The Rock, ou Dwayne Johnson como ele prefere, não podia faltar na lista. O maior bombadão a aportar no cinema de ação desde Schwarzenegger e Stallone, o ator não avexa seus antecessores. Em Com as próprias mãos ele leva lei a uma cidade marcada por corrupção e desordem. E ainda dá uma lição de moral (e de muitas técnicas marciais) no ricaço da cidade.


8- Rambo IV, de Sylvester Stallone (Rambo IV, EUA 2008)
Hellooo? Ele é dos anos 80! E vive nos anos 00 como se vivesse nos anos 80. O mundo de John Rambo em uma ilhota asiática vizinha de um país em guerra civil é regida pelos mesmo ideiais de quando ele invadia o Afeganistão ou derrubava uma tropa inteira. Uma mulher, no caso Julia Benz (da série Dexter) faz Rambo empunhar uma metralhadora novamente. Mas ele só empunha a metralhadora mesmo...


7 - Quebrando regras, de Jeff Wadlow (Never back down, EUA 2008)
Se karate kid está ganhando uma nova versão chapa branca, pode-se dizer que Quebrando as regras, estrelado por Dijimon Hounsou e Sean Faris como mestre e pupilo respectivamente, é o remake de coração da fita que apresentou Daniel San ao mundo. Com pegada jovem e porrada a valer, o filme não faz feio e empolga tanto os nostálgicos da ação dos anos 80 quanto a nova geração que se liga em videogames.


6 - Efeito colateral, de Andrew Davis (Collateral Damage, EUA 2002)
Como o filme parte de um atentado terrorista em Nova Iorque, o lançamento da fita – prevista inicialmente para outubro de 2001- foi postergado para fevereiro do ano seguinte. E nada mais revigorante do que vê Arnoldão se deslocando para a Colômbia para cassar os terroristas responsáveis pelo atentado que tirou a vida de sua mulher e filho. Para ficar ainda mais bonito, o personagem de Schwarzenegger é um bombeiro, figura alçada a herói depois dos atentados de 11 de setembro nos EUA.


5 – O vingador, de F.Gary Gray (A man apart, EUA 2003)
Vin Diesel bem que tentou ser o brucutu mor da década. Se dependesse apenas desse filme, conseguiria. Como ele fez uma porção de porquarias, meio que se queimou com a rapaziada. Mas O vingador, filme em que faz um policial embrenhado em uma jornada de vingança, faz crer que ele ainda pode dar certo. Caso ainda queira.


4 - Busca implacável, de Pierre Morel (Taken, França 2008)
Essa produção de Luc Besson rodada na França é uma verdadeira declaração de amor do famoso produtor e cineasta ao cinema brucutu dos anos 80. Liam Nesson incorpora Charles Bronson e vai a França resgatar sua filha sequestrada por uma quadrilha de contrabando sexual. Ação brucutu com ar de gentleman para ninguém botar defeito!


3 - Carga explosiva, de Corey Yuen (The transporter, EUA/FRA 2002)
E se existe um filme que desencadeou o revival oitentista na década e antecipou os retornos de John McLane e Rambo, foi Carga explosiva. O Frank Martin de Jason Stathan é tão icônico, embora menos reverenciado, quanto seus pares. O filme fez estrondoso sucesso, consolidou Stathan como astro de ação e gerou duas continuações para lá de descoladas.


2- Atirador, de Antoine Fuqua (Shooter, EUA 2007)
Se Mark Wahlberg é o cara, esse é o filme do cara! Dirigido pelo expert Fuqua, Atirador mostra o bom e velho exército de um homem só. Wahlberg tem de se virar para provar que é vítima de um complô para incriminá-lo pelo atentado à vida do presidente dos EUA. Filme que transpira testosterona e é muito, mas muito anos 80 mesmo. E isso é um elogio!


1 – Chamas da vingança, de Tony Scoot (Man on fire, EUA 2004)
Quer fazer o filme definitivo sobre o exército de um homem só? Chame Denzel Washington para fazê-lo. Foi o que fez Tony Scoot e o resto é história. Chamas da vingança tem apelo, e de sobra, até com quem não gosta de filme de ação. Não é um trunfo qualquer. De quebra tem a frase do gênero. Um personagem em dado momento exorta sobre a carnificina que está por vir: “Existe quem faça arte na gastronomia, na pintura, no cinema... A arte de Crissy (personagem de Denzel Washignton) é matar. E ele está pronto para fazer sua obra prima.” É o primeiro lugar ou não é?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - Time de pesos pesados


Se você tem mais de 30 anos, passou sua adolescência sonhando em ver um filme que reunisse Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis em uma mesma cena. Pois bem, este filme chegou e se chama Os mercenários. A fita dirigida por Stallone é a epopéia máxima de um gênero cinematográfico que viveu seu auge nos anos 80. Se você tem vinte e poucos anos e curte filmes de ação, provavelmente já viu Jason Statham e Jet Li (os legítimos herdeiros do cinema de ação dos anos 80) juntos nos filmes O confronto (2001) e Rogue – o assassino (2007). Contudo, outro dos bem sacados motes de Os mercenários é promover esse encontro de gerações. Na fita, Li e Statham se juntam a Stallone, ao ator Terry Crews (o Julius do seriado Everybody hates Chris), a Dolph Lundgren (outro dinossauro do cinema de ação que esteve presente nos filmes Rocky IV e Soldado Universal) e aos lutadores Steve Austin e Randy Couture (que estão aqui para aumentar a massa muscular do grupo) para formar os mercenários do título. Willis e Schwarzenegger fazem uma participação carinhosa e afetiva no filme e dividem uma mesma cena com Stallone. Steven Seagal e Jean Claude Van Damme, dois dos outros expoentes oitentistas do cinema de ação, se recusaram a participar do projeto. Mickey Rourke e Eric Roberts, que já trabalharam com Stallone previamente, também participam da máquina do tempo pilotada por Sly.
Stallone em locação no Rio de Janeiro: Aqui quem manda sou eu...

Outros dois atores que estavam ligados ao projeto tiveram de se desligar por não poderem acompanhar o cronograma de filmagens. Wesley Snipes acabou de fora devido a seus problemas com a receita federal americana (o ator inclusive teve pedido de prisão temporária expedido semanas atrás) e Forest Whitaker chegou a iniciar as gravações, mas não pode continuar por estar ligado a outros filmes que estavam com as filmagens em andamento. Depois de Stallone sondar o rapper 50 Cent, acabou contratando Crews que tem tino para o humor e físico para a ação.

Eric Roberts, o irmão menos famoso de Julia, faz mais um bad ass em um filme de Stallone. A última vez foi em O especialista (1994)


A história é o que menos importa
Se você quer saber sobre o que gira a trama de Os mercenários, então lá vai: Um grupo de mercenários é enviado para um país da América do Sul para derrubar um ditador. É nesse fiapo de história que quem quiser pode relacionar a uma vaga inspiração em Hugo Chavez que Stallone arranja desculpas para tiros, explosões e tudo aquilo que caracteriza o cinema de ação que hoje é sombra de produções milionárias e adaptadas de outras mídias e plataformas.
Os mercenários também é vitrine. Nesta caso para a mexicana, mas de coração e carreira brasileiros, Giselle Itié. A atriz venceu a disputa com atrizes como Juliana Paes e Cléo Pires para estrelar a produção como a “garota local” que vai mexer com o personagem de Statham. Sim porque Stallone já está velho demais para essas coisas...
A atriz já acertou com uma agência para representá-la em Hollywood. Os mercenários é, em última instância, a materialização do sonho americano de uma mexicana residente no Brasil.



Stallone e Gisele curtindo: o Rocky adora realizar sonhos americanos...

domingo, 8 de agosto de 2010

ESPECIAL OS MERCENÁRIOS - Insight

Por que Stallone é Stallone?

Ele já concorreu a um Oscar como roteirista, já foi homenageado como diretor no Festival de Veneza, e mantém uma carreira como ator de sucesso por mais de 30 anos. Sim, estamos falando de Sylvester Stallone. Esse ítalo americano que em uma mesma década (os anos 70) estrelou uma produção erótica de gosto duvidoso voltada para o público gay e foi indicado ao Oscar de melhor ator pela composição idílica de um homem que alcançou o sonho americano em Rocky- o lutador (1976).
Aos 64 anos de idade, aparentando 10 a menos, Stallone lança este mês Os mercenários, um filme de ação com cara dos anos 80 que reúne uma espécie de All star team do gênero. Os mercenários pode ser visto como o legado do homem que foi o símbolo dos anos 80 nos EUA. Rambo e Rocky Balboa, cada qual a sua maneira, contribuíram para os anos Reagan e Bush (pai).
Programado para matar: Com o inesperado sucesso de Rambo, Stallone marcou os anos 80 e deu verniz aos anos Reagan


Stallone adentrou os anos 90 com a força e a autoridade de quem dominou a década anterior. Depois de ter recusado papéis que forjaram novos astros (o papel de John McLaine em Duro de matar havia sido oferecido a ele inicialmente), Stallone atuou em filmes que só fizeram sucesso por ter seu nome estampado no topo do cartaz. Com o advento do cinema esmerado em HQs e nos efeitos especiais, os heróis de ação da década passada foram perdendo espaço. Schwarzenegger se ajeitou como governador da Califórnia depois de encerrar a série cinematográfica que lhe consagrou (O exterminador do futuro), embora produtores pouco imaginativos a tenham ressuscitado, Bruce Willis foi se experimentar em suspenses (O sexto sentido) e comédias (Meu vizinho mafioso) e Stallone saiu de cena. Não havia mais espaço para filmes como O especialista (1994), O demolidor (1993) e Daylight (1996). O inicio dos anos 2000 foi penoso para o ator que, justiça seja feita, é limitadíssimo dramaticamente. Stallone pastou em produções como D- Tox (2002) e Pequenos espiões 3D (2003), até que resolveu resgatar dos anos 80 sua glória. Dirigiu, produziu, escreveu e estrelou Rock Balboa (2006), sexto filme de seu personagem mais célebre. O filme, que inicialmente era motivo de chacota, foi um inesperado sucesso de público e crítica. Stallone usava Rocky, uma vez mais, para falar do sonho americano. Atualizava este sonho com nuances de sua própria história após ter atingido o olimpo hollywoodiano.

Old buddies: Stallone, Willis e Schwarzenegger fundaram o Planet Hollywood nos idos dos anos 90 e agora dividem a cena em Os mercenários

De volta ao jogo e com a vaidade regenerada, o ator tratou de trazer de volta a ativa seu outro grande personagem, John Rambo. Rambo IV (2008), no entanto, não teve a grata acolhida de Rocky Balboa. A gratuidade com que Rambo foi apresentado só reforçava sua inadequação à época em que heróis mascarados, bruxos adolescentes e robôs gigantes dão o tom.
Decidido a auto-homenagem e a dialogar com os órfãos do cinema de ação dos anos 80, o diretor chamou a turma que honra a tradição atualmente (Jet Li e Jason Stathan) para rodar o crepúsculo do gênero. É pela visão aguçada, pela persistência em manter sua identidade e pelo lugar que ocupa na história (tanto com seus acertos como com seus erros) que Stallone é um peso pesado da indústria e da história do cinema.