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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja das atrizes

Da esquerda para a direita: Jennifer Lawrence (O lado bom da vida); Naomi Watts (O impossível); Jessica Chastain (A hora mais escura); Emmanuelle Riva (Amor); Quevenzhané Wallis (Indomável sonhadora)



Realidade Watts

Naomi Watts é ótima atriz. Fato é que parece um tanto injusto que a inglesa radicada na Austrália conquiste pelo papel da mãe de uma família que luta contra um devastador tsunami em O impossível apenas sua segunda indicação ao Oscar. No entanto, se depender da sucessão de personagens fortes decalcadas da realidade, Watts deve voltar mais vezes ao Oscar nos próximos anos. Depois da Maria de O Impossível, vem a Diana – a princesa da vida real – e Marilyn – a princesa do cinema.

Prós:
- Apresenta uma atuação visceral em um filme que depende muito de sua personagem
- Esteve presente em todas as premiações majors do ano
-Conta com o apoio de muitos atrizes vencedoras do Oscar que fazem campanha por sua vitória, como Reese Whiterspoon e Angelina Jolie
- O tema do filme favorece uma percepção mais emocional de sua performance
-Pode se beneficiar de um racha que desde o início se anuncia entre as candidatas mais fortes na categoria

Contras:
- O tema do filme favorece uma percepção mais emocional de sua performance
- A pecha de que a indicação já é suficiente
-Em um ano em que todas as candidatas são de alguma maneira hypadas não apresenta hype nenhum
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
-Muitos podem entender que a força de sua performance pode ser creditada aos efeitos especiais e maquiagem

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por 21 gramas (2004)

Favorita com muito prazer

Ela é dona da melhor performance entre as indicadas, mas não é a favorita por causa disso. Jennifer Lawrence, um dínamo como a viúva bipolar de O lado bom da vida, é favorita porque tomou Hollywood de assalto com seu carisma, talento e beleza. São predicados cada vez mais raros em uma mesma estrela de cinema e Lawrence entusiasma Hollywood por agregá-los com graciosidade e naturalidade. Ela dá pistas de que o Oscar pode vir quente, mas que ela seguirá fervendo...

Prós:
- Ganhou prêmios importantes na temporada como o Globo de ouro de atriz em comédia e o SAG
- Esteve presente na maioria das premiações major do ano
- É a favorita em um ano bem dividido para a categoria e isso pode desequilibrar a seu favor
- Arregaça as mangas e faz campanha pelo Oscar sem medo de ser feliz. Atores e atrizes costumam fazer campanha de maneira tímida, Jennifer faz às claras
-Faz parte do elenco mais festejado pela Academia em 31 anos
- Defende o tipo de atuação em que é o intérprete que tira o personagem do lugar comum. O departamento de atores da Acadêmia costuma responder positivamente a esse perfil de atuação

Contras:
- O fato de ter outra “nova queridinha de Hollywood” na categoria (Jessica Chastain) que pode lhe roubar votos
- Atrizes por comédias não costumam ser premiadas nessa categoria
- É muito jovem e há muitos que pensam que precisa se maturar mais como atriz para ganhar um Oscar
- Muitos podem se ressentir do fato que faz campanha pelo prêmio descaradamente

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz por Inverno da alma (2011)

Eficiência ruiva

Jessica Chastain talvez seja a melhor, em termos de regularidade, entre as indicadas. Desde que despontou para o cinema – em meados de 2011 – ela está sempre bem em cena. Algo que não necessariamente ocorre com suas concorrentes. Até mesmo em virtude do ostensivo volume de trabalho de Jessica no período. Foram 12 filmes em três anos. Como a agente da CIA determinada a matar Osama Bin Laden em A hora mais escura – pela qual obtém sua segunda (e consecutiva) indicação ao Oscar – curiosamente é seu trabalho mais desalentador. Ela não chega a estar ruim, mas certamente não está bem. A indicação veio na esteira da já comprovada eficiência.

Prós:
- Assim como Lawrence é a nova darling de Hollywood
- Diferentemente de sua principal rival, já está na faixa dos 30 anos e, para muitos votantes, premiável
- Sua personagem é o eixo central do filme, apenas Quvenzhané Wallis, que tem 9 anos, defende um personagem com essa característica
-Ganhou o Critic´s Choice Awards e o Globo de Ouro de melhor atriz em drama
- É extremamente simpática e humilde

Contras:
- A superexposição pode lhe custar votos invejosos
- Não ganhou o SAG
- O fato de A hora mais escura passar longe da unanimidade que se esperava pode afugentar alguns votos decisivos
- A pecha de que duas indicações consecutivas é distinção suficiente para uma atriz que “nasceu ontem”

Segunda indicação
Indicação anterior
Atriz coadjuvante por Histórias cruzadas (2012)

Para fazer história

A francesa Emmanuelle Riva foi considerada por setores da imprensa cultural americana como uma das revelações de 2012 no cinema. Uma desinformação que beira o desrespeito para uma atriz de vasta bagagem no cinema francês e também em outras cinematografias europeias como a polonesa e austríaca. Aos 85, como a adoentada octogenária de Amor, Riva brilha e entra na disputa para fazer história no Oscar, no dia que completa 86 anos, como a mais velha atriz a vencer o prêmio da Academia.

Prós:
- Faz aniversário no dia do Oscar, sempre um bom presságio
- A disposição reiterada nos últimos anos da Academia de premiar intérpretes estrangeiros
- Defende uma atuação emocional, ainda que desprovida de emotividade. Uma equação que só os grandes atores são capazes de solucionar
- Ganhou o Bafta
- A forte presença de Amor no Oscar chama ainda mais atenção para sua performance
-Ganhou prêmios de importantes e influentes associações de críticos dos EUA
- A força com que se estabeleceu na disputa pode induzir sua vitória
- O irresistível apelo que seria estabelecer um novo recorde no Oscar

Contras:
- Não foi indicada ao Globo de Ouro e nem ao SAG. Nenhuma atriz ganhou o Oscar sem constar de, pelo menos, uma dessas duas premiações
- A atuação em língua estrangeira pode esbarrar em preconceitos
- Diferentemente de Marion Cotillard, que já estava inserida na indústria americana, Riva – até por questão de idade – não alimenta essa expectativa
- Compete contra duas darlings hollywoodianas

Primeira indicação

Para fazer história II

Quvenzhané Wallis é uma força da natureza em Indomável sonhadora e o Oscar adora crianças. Já foram muitas as nomeadas ao longo dos anos, mas Wallis estabelece com sua indicação um recorde difícil de ser quebrado; e pode fazer mais. Se ganhar, com apenas 9 anos, é possível que ostente esse recorde para toda a eternidade.

Prós:
- A atuação de Wallis é um encanto, acredite-se ser uma atuação ou não, difícil de se resistir
- O irresistível apelo que seria estabelecer um novo recorde no Oscar

Contras:
- É demasiadamente jovem até mesmo para entender a dimensão do que é ser uma vencedora do Oscar
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento mais do que suficiente
- A percepção de que mais reage ao proposto pelo diretor do que atua pode não ter sido suficiente para deixá-la de fora da lista, mas pode ser para deixa-la sem o prêmio

Primeira indicação


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Crítica - Amor


A dureza da realidade

Se na temática, a visita da morte e o dissabor de sua presença cadenciada, Amor (Amour, AUS/FRA/ALE 2012) encontra referências diversas na produção cinematográfica internacional, na hollywoodiana em particular, na construção estética alinhavada por Michael Haneke, que tem na aspereza do registro o seu norte, o filme encontra sua singularidade.
Haneke acompanha a rotina do casal de idosos formado por Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), de boa ascendência cultural – estão ligados à música clássica – e tranquilidade financeira. Essa rotina é modificada a partir do momento que Anne sofre um AVC (acidente vascular cerebral), ainda que a doença nunca seja nomeada, os sintomas a sugerem. Georges passa a cuidar da esposa que gradativamente tem seu quadro piorado.
O que Amor propõe é uma observação seca, algo incômoda e certamente desarborizada do desfalecimento de uma mulher, de um casal e de uma história de amor. A opção por um registro naturalista valeu a Haneke críticas reiteradas a seu “desprezo pela humanidade”, mas não é culpa do cineasta que a vida seja tão sufocante e absorta em sua crueza. O que Haneke propõe aqui é um demorado olhar sobre a espessura da crueldade com que a vida pode nos experimentar. Tanto no aspecto físico, quanto emocional. Ao acompanhar sem trilha sonora, uma marca de seu cinema, a jornada de exaustão e frustração tanto de Georges quanto de Anne, Haneke firma com seu público um entendimento de honestidade ímpar. O que há de belo em Amor, há também de terrível. Assim é a vida, uma convergência de superlativos em sua banalidade. Em certo momento, Anne diz a George, quando ainda conseguia elaborar sentenças verbais, que seu marido às vezes é um monstro, mas também capaz de gestos de incrível gentileza. Esse paradoxo capitaliza não só Georges, capaz de gestos monstruosos em sua generosidade, mas o filme também.
Trintignant: um ator expressivo das tribulações
internas de seu personagem
Com cinco indicações ao Oscar (Filme, direção, roteiro original, atriz e filme estrangeiro), Amor é um retrato de cores fortes do padecimento de um sentimento e de uma alternativa francamente desagradável de como perpetuá-lo. Dessa complexa bifurcação, o filme tira sua força. Providenciais para esse resultado são Emmanuelle Riva e, especialmente, Jean-Louis Trintignant. Riva oferece-se ao olhar concentrado e rigoroso de Haneke com o despudor das grandes atrizes, enquanto Trintignant reveste Georges de toda a complexidade que habita um homem desesperado, cansado, desnorteado e, ainda assim, fiel apaixonado.
Amor certamente não é o filme mais cândido a tratar de amor e morte, contudo é o mais pungente a fazê-lo.