
Domingos de Oliveira é fã de Woody Allen. Ele não faz questão de esconder e potencializa essa condição a cada filme que faz. Toda vez que o diretor americano lança filme na praça, lá está Domingos para levantar a bola. Seja em uma carta aberta publicada na revista cultural Bravo, seja em uma entrevista qualquer. Tal qual seu ídolo, e nítida influência, Domingos de Oliveira aprecia o cinema falado. Do fluxo de ideias, das referências mitologias, da alusão às artes, do pesar filosófico, de personagens imersos em neuroses cotidianas e de falar de amor. Todo esse repertório woody alleniano está presente no que o próprio Domingos de Oliveira considera seu melhor filme, Separações (Brasil, 2002).
Na trama, Oliveira foca nas angustias de Cabral (o próprio Oliveira em mais uma de suas similitudes com o cineasta americano), um sujeito inteligentíssimo, que já fora casado 4 vezes, e que, embora ame Glorinha (vivida pela mulher do cineasta, a atriz e co-roteirista da fita Priscila Rozembaum), não consegue parar de pensar no divórcio (pois crer amar mais sua liberdade).
É a partir dessa circunstância um tanto quanto prolixa que o diretor vai desalinhando seus personagens com vistas a tecer seu comentário. Que comentário? Que somos todos hipócritas. Um bando de egoístas que buscam amar loucamente e que loucamente recusam a rejeição. Essa interjeição pode ser pressentida nas conversas (e no teor delas) entre Cabral e sua filha (vivida pela atriz Maria Ribeiro). Assim como o pai, a menina acredita que a fidelidade é uma utopia e que ama seu marido incondicionalmente, mesmo que o traia constantemente. Não antes de avançar nessa matéria, nessa construção de raciocínio, Domingos de Oliveira desarma estes personagens. Apresenta-lhes o inesperado. Oliveira, logo de partida, apresenta uma analogia que, embora contumaz, não reforça o sentido do filme. Em uma mesa de bar, os personagens que irão dividir conosco suas angústias ouvem atentamente a Cabral discorrer sobre os quatro estágios que um paciente terminal atravessa: negação, negociação, revolta e aceitação. É nessa lógica que Oliveira enquadra seus personagens e encena suas idas e vindas.
Na trama, Oliveira foca nas angustias de Cabral (o próprio Oliveira em mais uma de suas similitudes com o cineasta americano), um sujeito inteligentíssimo, que já fora casado 4 vezes, e que, embora ame Glorinha (vivida pela mulher do cineasta, a atriz e co-roteirista da fita Priscila Rozembaum), não consegue parar de pensar no divórcio (pois crer amar mais sua liberdade).
É a partir dessa circunstância um tanto quanto prolixa que o diretor vai desalinhando seus personagens com vistas a tecer seu comentário. Que comentário? Que somos todos hipócritas. Um bando de egoístas que buscam amar loucamente e que loucamente recusam a rejeição. Essa interjeição pode ser pressentida nas conversas (e no teor delas) entre Cabral e sua filha (vivida pela atriz Maria Ribeiro). Assim como o pai, a menina acredita que a fidelidade é uma utopia e que ama seu marido incondicionalmente, mesmo que o traia constantemente. Não antes de avançar nessa matéria, nessa construção de raciocínio, Domingos de Oliveira desarma estes personagens. Apresenta-lhes o inesperado. Oliveira, logo de partida, apresenta uma analogia que, embora contumaz, não reforça o sentido do filme. Em uma mesa de bar, os personagens que irão dividir conosco suas angústias ouvem atentamente a Cabral discorrer sobre os quatro estágios que um paciente terminal atravessa: negação, negociação, revolta e aceitação. É nessa lógica que Oliveira enquadra seus personagens e encena suas idas e vindas.
Domingos e Priscila na vida real: todas as etapas do amor...Separações não é um grande filme. Empaca em seu ritmo as vezes e o elenco é irregular. Há bons atores e há atores desorientados. Contudo, é um filme com alma. Que se pretende verdadeiro. Romântico. Perene. É, sem dúvidas, um engajamento muito benéfico para o cineasta (não à toa é sua realização favorita) e para o espectador que nutre interesse pelo tema no cinema. Separações, em sua lógica rocambolesca, reproduz com fidelidade a tragédia humana: a de amar, amar e amar.
