Pensando na sequência...
Kick-Ass: quebrando tudo foi um sucesso acidental, na
concepção mais ampla do termo. Objeto de culto, em parte pela apoteose que é a
personagem Hit girl, uma sequência do filme rapidamente se impôs nos planos do
estúdio. Kick-Ass 2 (EUA 2013) é bem melhor do que se poderia esperar, dada a
desistência do diretor Matthew Vaughn em tocar a sequência e do bafafá em torno
da violência do filme construído por Jim Carrey. É bem verdade que o filme
dirigido por Jeff Wadlow não é, de maneira alguma, o poço de inventividade
narrativa, de originalidade visual e temática que o de Vaughn, mas a essência
está preservada. O que depõe contra este filme é sua preocupação em soar
pedagógico, algo que vai contra o espírito tanto da HQ na qual se inspira como
do filme original. Há uma preocupação em lembrar a plateia de que o que se vê na
tela é um filme, que há uma guia moral que precisa ser observada. É desperdício
de recurso (e tempo) narrativo.
Feita essa ressalva, Kick-Ass 2 mantém o fio da meada do
filme original. Dave (Aaron Johnson) ainda precisa elaborar exatamente o que significa ser Kick-Ass enquanto Mindy (Chlöe Grace Moretz) precisa aprender a
se desvencilhar de Hit Girl e ser apenas Mindy. Algo que ela não sabe
exatamente como fazer. Chris D´ Amico (Christopher Mintz-Plasse) está cada vez
mais obsessivo com Kick-Ass, o responsável pela morte de seu pai. A evolução
desses conflitos culminará, como não poderia ser diferente, no pau comendo para
todo o lado.
Dave e Mindy sem os trajes: de alguma maneira incompletos...
Há ótimas piadas e gags em Kick-Ass 2 que continua ímpar no
uso que faz do humor e da ironia para satirizar tanto a sociedade do consumo como
o universo utópico e anedótico das HQs. Nesse aspecto, o filme vale (e muito) o
ingresso. Há mais hit girl também, embora ligeiramente mais bem comportada,
para quem vidrou na heroína mais original e desbocada de todos os tempos. Há,
também, a percepção de que a sequência foi cuidadosamente pensada, o que nem
sempre é bom sinal. No próprio filme há duas ou três piadas, todas ensejadas
pelo personagem de Aaron Johnson, sobre isso. O lado bom disso é constatar o
desprendimento do filme em rir de seu meio e de si. Sempre uma boa notícia.
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