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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Panorama - As virgens suicidas


Sofia Coppola é conhecida como uma cineasta do feminino. Que abrange sentimentos femininos e que reveste seus filmes de uma energia e compreensão que só podiam emanar de uma mulher. Essa percepção foi avalizada por seu filme de estréia. O impactante, ainda que irregular, As virgens suicidas (The virgin suicides, EUA 2000) é o filme que delimita o escopo do cinema de Sofia. É aqui que ela demonstra o interesse em descortinar o estado de espírito de seus personagens. Em buscar no relativismo de suas essências, respostas para as próprias angústias. No filme, Sofia acompanha o desabrochar da depressão que acomete quatro irmãs após o suicídio de uma outra. Pode-se dizer que a loira Kirsten Dunst também se beneficiou da repercussão do filme. Além de atingir o estrelato com Homem aranha, voltaria a trabalhar com Sofia em um filme bem mais comentado, Maria Antonieta.
As virgens suicidas é lento, introspectivo e pensativo. Características que acompanhariam Sofia em seus próximos filmes. Ainda insegura quanto ao ofício, Sofia hesita na direção dos atores. As referências não são trabalhadas com elegância, mas é perceptível que a diretora busca confluir música e estilo a seu cinema. A inadequação experimentada pelas personagens é envernizada pela diretora em uma metalinguagem involuntária que ela dominaria mais tarde. A resolução de As virgens suicidas denota que Sofia ainda tem muito que pensar no cinema.