Esse ano Claquete faz um preview diferente. Ao invés de listar dezenas de filmes imperdíveis que estrearão ao longo do ano, optou-se por listar apenas dez deles; obedecendo a uma diversidade de procedências que só o verdadeiro amor pelo cinema reconhece. Para abrir essa nova fase do TOP 10, que será publicado mensalmente a partir de agora, dez filmes que darão o que falar e que valem a espera em 2011. Desde os blockbusters mais ansiados até o último delírio do cineasta acusado de ser anti-americano e misógino.
10 - Melancholia
O que vem depois do Anticristo? Para o cineasta dinamarquês Lars Von Trier é a Melancholia, nome de seu novo filme. Pouco se sabe sobre a produção. Sabe-se, porém, que será um filme catástrofe (“um lindo filme sobre o fim do mundo”, disse o diretor ao britânico The Guardian). Kirsten Dunst assumiu o papel principal que Trier criara para Penélope Cruz, que desistira de participar do filme pouco antes da pré-produção começar. Completam o elenco Alexander Skarsgaard (o Eric de True Blood), seu pai (Stellan Skarsgaard, visto em filmes como Mamma mia e Exorcista: o ínicio) e John Hurt (V de vingança e O homem elefante). É esperado que Melancholia integre a mostra competitiva do festival de Cannes.
9 – The tree of life
Outro filme que deve debutar em Cannes é a nova fita do cineasta Terrence Malick. Esse projeto grandioso que reúne os astros Sean Penn e Brad Pitt (como filho e pai respectivamente) e versa sobre a passagem de um homem pela vida. O filme foi prejudicado pelo declínio de dois estúdios independentes (a Paramount Vantage e a Miramax), mas encontrou abrigo em um dos poucos remanescentes nos EUA: a Fox searchlight.
8 – Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas
Esse foi o filme pelo qual Penélope Cruz saiu de Melancholia. Ela trocou o fim do mundo de Von Trier pelo Caribe e Johnny Depp. O quarto filme da série da Disney chega cinco anos após o terceiro capítulo (que foi o mais fraco de todos) e com o foco todo em Jack Sparrow. Para o produtor Jerry Bruckheimer (que teve dois rojões em 2010 nas bilheterias) o pirata efeminado mais irresistível dos sete mares volta em boa hora.
7 - X- men: first class
Mathew Vaughn já estava para dirigir um filme dos X-men faz tempo. O ex-produtor de Guy Ritchie esteve ligado a produção de X- men 3, mas teve o que os americanos chamam de “chicken out” e a gente aqui de “amarelar”. Depois da ousada, corajosa e muito bem sucedida incursão pelo universo criado pelo quadrinista Mark Millar em Kick ass – quebrando tudo (um dos melhores filmes de 2010), Vaughn foi novamente paquerado pela Fox para o reboot da saga mutante no cinema. Novos personagens, a promessa de uma trama movimentada valendo-se dos primórdios dos X-men, da relação entre Xavier e Magneto e do enigmático clube do inferno dão o hype de um dos filmes que prometem arrasar no verão americano de 2011.
6 – Se beber não case 2
Os quatro amigos que aprontaram todas em Las Vegas respondem pela última surpresa de grandes proporções a ter aterrisado no cinema americano nos últimos anos. Depois de um globo de ouro e muitas propostas para o elenco, eles se reúnem de novo (com direito a polêmica da não participação de Mel Gibson no filme) para aprontar todas na Tailândia. Promete ser uma comédia daquelas para quem curtiu as bem sacadas sandices do primeiro filme.
5- Não me abandone jamais
Ok. Esse filme é de 2010. Mas o expectador brasileiro só terá a chance de descobri-lo em 2011 (já que o lançamento está previsto para abril) e, talvez, faça melhor do que o público americano que o ignorou nos cinemas de lá. A fita de Mark Romanek traz delicadas atuações de uma trinca de jovens atores (Andrew Garfield, Carey Mulligan e Keira Knightley) e mostra as agruras do crescimento. Um filme sensível que ganhou o inusitado prêmio da associação de críticos de Phoenix de melhor filme ignorado de 2010: Não ignoremos então.
4 – O palhaço
Selton Mello estreou com certo sucesso como diretor em Feliz natal. Uma trama que investigava a desintegração familiar. Em O palhaço, segundo longa metragem de Mello atrás das câmeras (mas nesse ele também aparece na frente delas contracenando com Paulo José), o ator/diretor encerra uma crise existencial. E é sobre existência e crises que versa O palhaço. Contudo, Mello destacou em entrevista coletiva no último festival de Paulínia que não se trata de um filme biográfico: “é um personagem mais metafórico do que autobiográfico”. “Ele tem pensamentos que não são meus”, continuou.
Na concepção de seu diretor, O palhaço é um filme solar. A conferir.
3 – Rio
O brasileiro Carlos Saldanha se prepara para fazer a melhor propaganda do Rio de Janeiro em níveis internacionais. A animação Rio tem todo o status quo que a secretaria de turismo da cidade poderia almejar. O filme, que estréia ainda no primeiro semestre em todo o mundo, traz as vozes de Rodrigo Santoro e Anne Hathaway como araras perdidas no paraíso carioca.
2 – A dangerous method
David Cronenberg tenta explicar Freud através de sua rivalidade com Jung em um filme que promete ser o mais portentoso da portentosa parceria do diretor com o ator Viggo Mortensen (que viverá Freud). A estréia do filme está marcada pra o final do ano, mas a premiere internacional deve ocorrer mesmo é no festival de Cannes.
1 – Harry Potter e as relíquias da morte – parte 2
Por que Harry Potter é o primeiro dessa lista? Porque é a maior saga de todos os tempos no cinema. Em números absolutos. Harry Potter marcou uma década e, mais que isso, uma geração de leitores e espectadores. Em 2011 o fim se consuma. Apesar do penúltimo filme ter se mostrado decepcionante, a expectativa é de que o derradeiro capítulo faça jus a devoção maior que a vida com que a série do bruxinho foi tratada ao longo dos anos.