Cópia perfeita?
Além de ser um dos maiores artistas do século XX e, um dos
maiores cineastas de todos os tempos (se não for o maior), Alfred Hitchcock é
um belo de um personagem. Até que demorou bastante para o cinema – essa besta
devoradora e apaixonante – se debruçar sobre esse genial e genioso gorducho
inglês. A julgar por Hitchcock (EUA 2012), filme que propõe um olhar sobre o
cineasta às voltas com a produção de seu mais famoso filme (Psicose), o impulso
pode perder força. Não que a fita de Sacha Gervasi seja ruim. Não é. Mas por
ousar tão pouco. Principalmente se comparada à produção da HBO The Girl (que
será posteriormente resenhada aqui em Claquete). Gervasi contenta-se em
imprimir a lenda e seu filme se limita a exibir um Hitchcock conhecido dos fãs
e daqueles que já leram – ainda que pouco – sobre a conturbada figura do
cineasta. E disfarça essa pouca imaginação com curiosidades de filmagens – já
que o filme se baseia no livro “Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose”,
de Stephen Rebello.
É uma aposta que se torna Hitchcock satisfatório para o
espectador ocasional, faz aquele que espera algum tipo de articulação que a
ficção permite flertar com a indiferença. De qualquer maneira, o filme de
Gervasi insere o personagem Hitchcock na agenda de Hollywood, desde que não se
aplique a máxima que o próprio Hitch brinda seu público: “você é tão bom quanto
seu último filme”.
Ego e tensão: Os interiores do casamento de Hitch (Hopkins) e Alma (Helen Mirren) constituem o que de mais positivo o filme tem a apresentar
Inesperadamente, um dos trunfos do filme acaba sendo a
relação de Hitch com sua esposa, a roteirista Alma (Helen Mirren). É no jogo de
luz e sombras entre os dois que Hitchcock atinge seus melhores momentos. Helen
Mirren empresta a habitual competência para viver uma mulher que acomodou-se na
sombra do marido e não sabe exatamente o que fazer quando o súbito desejo de
desvencilhar-se dessa sombra a invade. Hopkins é menos feliz. O ator está limitado
a reproduzir cacoetes de Hitchcock escondido sob pesada maquiagem. Não é uma
atuação no sentido criativo da palavra e mais uma imitação detalhada. Essa
condição pode ser fruto de uma direção insegura. De qualquer jeito, tendo
havido intervenção de Gervasi para isso ou não, a falta de interesse de Hopkins
em “entrar” em Hithcock reforça essa sensação de se assistir um filme morno,
sem grandes pretensões. Como curiosidade cinéfila, Hitchcock até funciona.
Infelizmente não sabe ir além disso.
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