quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Critica - Sempre ao seu lado

Amor de verdade!

O novo filme do cineasta sueco Lasse Hallström é uma história comovente e real sobre a amizade, o carinho, a lealdade e o amor incondicionais de um cão por seu dono. O filme, embora fortaleça a impressão que se tem de que todo o fim de ano, além de um filme de fantasia, precisa-se de um filme estrelado por um cachorro para fechar o ano com chave de ouro e lágrimas no lenço, é digno de nota.
Sempre ao seu lado (Hachiko: a dog´s story EUA 2009) é um remake de um filme japonês que contava a história de um cão da raça akita que mesmo depois da morte de seu dono continuava indo a estação de trem esperar por seu retorno. Essa história, que ocorreu no princípio do século passado, virou um poderoso elemento da cultura japonesa, a ponto do cão ter recebido uma estátua em sua homenagem.
Na versão americana, Richard Gere vive Parker Wilson, um professor de música que encontra um filhote de akita abandonado e o leva para sua casa. Aos poucos ele constrói uma relação afetuosa com Hatchi.
Sempre ao seu lado não esconde suas maquinações para levar as platéias ás lágrimas. Elas brotam até mesmo no trailer do filme. Contudo, a despeito da veia manipuladora de Hallström, a história de Hatchi é poderosa. E o amor que se vislumbra, que rompe as barreiras da compreensão, é puro, honesto e generoso. Sempre ao seu lado é uma história cristã. Um amor puro e casto como esse não se vê tão frequentemente, ainda mais no cinema.
O diretor acerta no tom do registro. Ao procurar posicionar sua narrativa à perspectiva de Hatchi, sempre no limite do permissível, ele constitui um canal de transferência entre seu público e o personagem. Ajuda nesse sentido, a morte do protagonista (vivido por Gere); que mesmo antecipada na sinopse causa um vácuo em nossa percepção do funcionamento de um filme.
Outro ponto interessante de se notar é a mensagem do filme. É óbvio que as fáceis lições de moral sobre lealdade e amizade estão lá; intactas e cristalinas. Mas o grande trunfo da fita é mostrar a intensidade do carinho, do amor, da devoção de Hatchi a seu dono. Para estabelecer uma comparação, no também emocionante Marley & eu ano passado, a vida de Marley é a ponte para as mudanças pelas quais John (personagem de Owen Wilson) passou em sua vida e rotinas familiar e profissional. Aqui o foco é mais modesto, mas muito mais eficiente em termos dramáticos.

Um filme que enaltece o mais puro, sincero e verdadeiro amor

Sempre ao seu lado é um filme digno que ainda traz uma frase maravilhosa e revestida de sabedoria. Quando Parker indaga a um colega professor por que os cães da raça akita não correm atrás da bola quando o dono a joga e ouve do amigo: “Lembre-se que eles são japoneses, não americanos. Não podem ser comprados”. Em uma outra cena essa frase espirituosa contribuirá para mais um punhado de lágrimas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ainda os melhores...

E a festa dos melhores de 2009 não para aqui em Claquete. Um video, feito com carinho e reverência, para homenagear os filmes eleitos, por este blog, como os melhores de 2009 nos cinemas brasileiros. Com vocês, os melhores de 2009...


video

OSCAR WATCH - Qual é o segredo de Meryl?


Ela está novamente cotada para o Oscar. Por dois filmes diferentes (Simplesmente complicado e Julie & Julia). Meryl Louise Streep de 60 anos é um prodígio. Uma lenda. Um patrimônio. O adjetivo que você preferir ou todos eles juntos. Com 15 indicações ao Oscar, é a recordista tanto entre homens quanto mulheres na categoria de atuação, e outras 88 indicações a prêmios diversos, Meryl Streep é uma constante, e renovável, fonte de inspiração e admiração em Hollywood e no mundo. Colegas e amigos dizem que ela é simples e comedida, no trato diário, e generosa, em cena.
Não gosta que fiquem bajulando-a (recentemente se inquietou com o colega Alec Baldwin que se pôs a elogiá-la demasiadamente em uma entrevista conjunta que concederam para o semanário Entertainment Weekly) nem de que se compadeçam por ela até hoje só ter ganhado dois Oscars dos 15 aos quais concorreu. Em 2009, ela fora indicada ao Oscar de melhor atriz por Dúvida e durante toda a cerimônia, comentários sobre a façanha da atriz (as 15 indicações) e se ela finalmente receberia a terceira estatueta consternavam a atriz; que soube extrair graça da situação e embarcar na piada, no que fez careta para Kate Winslet, a vencedora, e gestos de contentamento para Amy Adams, Elizabeth Taylor e outras atrizes que se obrigaram a fazer deferências a Meryl Streep.


Meryl Streep na capa da Vanity Fair de dezembro e com Alec Baldwin no especial que a EW preperou sobre o outono americano: Ela nunca sai de moda


A atriz, ano após ano, contraria a percepção dominante que se tem no mundo, e no cinema em particular, de que depois dos 40 torna-se ainda mais difícil para as mulheres arranjarem um bom trabalho. Seja no drama, seja na comédia, seja no filme independente, seja no blockbuster lançado em pleno verão de Transformers e bruxos, seja no papel pequeno, seja como a executiva megera, seja desafinada em um musical do Abba, seja como vilã, seja como maconheira, seja como vitima do nazismo, seja como dona de casa enamorada de um estranho, seja como mãe desnaturada, seja como mãe traumatizada, Meryl Streep assume cada uma de suas faces com veemência e furor. Muitos já tentaram descobrir seu segredo. Como pode, ela ser tão passional e exercer tamanha autoridade em qualquer papel? Como pode sua presença ser tão poderosa e tão suave? Como pode parecer mais bela quando precisa ser bonita e como pode parecer mais feia quando precisa ser feia? Como consegue se esconder quando necessário?



Pela atuação da judia polonesa que dá título ao filme em A escolha de sofia, ela venceu seu segundo, e até o momento, último Oscar. Já se vão 3 décadas...

Os adoradores de Meryl vão dizer que ela é uma baita atriz. Sim. É verdade, ela é. Também o são Diane Keaton, Lauren Bacall, Kathy Bates e Anette Benning. Atrizes contemporâneas de Meryl que não conseguem brilhar, e trabalhar, da maneira que Meryl consegue. Existe algo mais. É óbvio que um bom agente e um tato apurado para os projetos que lhe são oferecidos contam, e muito, para se manter viável em um industria impiedosa com tantas condições inexoráveis à vida como idade, equívocos, hesitações e estigmas. Mas também isso não é tudo. Nicole Kidman, Hillary Swank e Catherine Zeta Jones (todas quarentonas ou às vésperas de chegarem lá) também são muito bem representadas (todas já tem Oscar) e não conseguem se manter no nível de Meryl. Isso posto, a indefectível pergunta que dá título ao artigo se encobre de mistérios típicos de um romance de Agatha Christie e ganha contornos de bolão de mega sena. Fato é que o segredo de Meryl Streep é tão dela, tão prosaico e ainda sim tão peremptório que não só prescinde de classificação, como se indagada, a própria Meryl seria capaz de se embananar para prover uma resposta minimamente satisfatória para seu interlocutor. O recomendável é assisti-la. E intuir seu segredo. Mesmo assim, será difícil decliná-lo em palavras.


Pelo papel da chefe megera de O diabo veste Prada ela recebeu sua 14a indicação ao Oscar. Estava estabelecido um novo recorde. De quebra, ela ainda criou uma figura icônica...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Os 10 melhores filmes lançados no Brasil em 2009

Para colocar um ponto final na nossa retrospectiva 2009 aqui em Claquete, a lista mais desejada por todos, e a mais importante também. O top 10 do ano. Os 10 melhores filmes lançados em 2009 nos cinemas, ou diretamente em DVD, como foi o caso de alguns filmes muito falados por aí. Sem mais delongas, vamos ao top 10:


10- Amantes, de James Gray (EUA 2009)
James Gray dá um tempo nos filmes policiais para falar sobre as agruras de se viver em busca do amor. Em Amantes, o mais tenro dos sentimentos pode ser libertador ou paralisante. Um fenômeno tão imprevisível quanto querer adivinhar o tempo. As vezes acerta-se, as vezes não.


9- Arrasta-me para o inferno, de Sam Raimi (EUA 2009)
Sim, um terror finalmente aparece na lista dos 10 melhores filmes do ano. E com todos os méritos, diga-se. Raimi realiza um filme, cuja única razão de ser é proporcionar entretenimento de primeira qualidade e, lembremos, essa é uma das razões de ser do cinema. Aliando terror e comédia, em uma combinação tão perigosa quanto bem sucedida, Raimi faz um filme que diverte e cola na cadeira.


8- Foi apenas um sonho, de Sam Mendes (EUA 2008)
A obsessão de Sam Mendes com a classe média americana rende bons frutos ao cinema. Seus dois melhores filmes ocupam-se de clarear as sombras sobre as vidas suburbanas. Foi apenas um sonho retoma o ambiente, e as celeumas, de Beleza americana. Mas com menos sarcasmo e mais drama. A visão pessimista de Mendes se exacerba na figura do personagem vivido por Michael Shannon. Um demolidor de hipocrisias, tido como doente mental.


7- Duplicidade, de Tony Gilroy (EUA 2009)
Filmes de espionagem rendem bons dramas ou movimentadas fitas de ação. Tony Gilroy conseguiu converter esse desgastado subgênero cinematográfico em um filme que mescla romance, suspense e comédia. Com diálogos inteligentes, situações mirabolantes e um roteiro tão bom quanto os atores que dão vida a ele, Duplicidade é um achado. Um filme delicioso de se assistir e que desafia convenções de gênero.


6- O leitor, de Stephen Daldry (EUA/ING 2008)
Poucas vezes o cinema trabalhou o sentimento de culpa de forma tão elaborada no contexto universal (a culpa alemã em detrimento do holocausto) e no foro íntimo (um homem que se martiriza por amar uma pessoa que depois ele descobre de moral desviada). Um filme poderoso e extremamente mimético das circunstâncias da vida.


5- Abraços partidos, de Pedro Almodóvar (ESP 2009)
Declarações de amor são emblemáticas por ofício. Assim o é Abraços partidos. Uma declaração de amor eloquente de Almodóvar ao cinema e a sua musa, Penelope Cruz. Ao gosto do cineasta e de seus fãs. Drama, comédia, auto referências e exercícios metalinguísticos variados. Um legítimo Almodóvar. E como legítimo Almodóvar, está entre os melhores do ano.


4- Dúvida, de John Patrick Shanley (EUA 2008)
Um filme que é uma peça de teatro. O que não é demérito nenhum. Afinal, o texto, e as interpretações, fluem as mil maravilhas. O poderoso texto de Shanley convida a platéia a relativizar o outro e as próprias certezas. Em um exercício de persuasão, fé e intuição tão requintado quanto improvável.


3- O curioso caso de Benjamin Button, de David Fincher (EUA 2008)
O filme de David Fincher é a mais perfeita tradução da angústia humana. A passagem do tempo, e todas as suas idiossincrasias, são como areia ao vento. Impossível dominar. David Fincher e sua fábula do homem que nasce velho e rejuvenesce ajudaram a ver a beleza do impossível. E torná-la possível à nossos olhos.


2- Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino (EUA/FRA 2009)
Tarantino remonta a história da segunda guerra mundial com ironia, inteligência, sagacidade, violência e um desfecho mais satisfatório do que o que de fato se deu. Isso tudo em um caldeirão metalinguístico que desconhece fronteiras e limites. Em última estância, Bastardos inglórios é uma homenagem ao cinema de um apaixonado por essa arte que procura alternativas de expressar esse amor.


1- Gran Torino, de Clint Eastwood (EUA 2008)
Clint Eastwood revisita, tal qual fizera com o western em Os imperdoáveis, o subgênero que ele ajudou a fundar, o do exército de um homem só. Mas Gran Torino não é só a palavra final desse autor americano sobre seu legado no cinema, é também uma poderosa inflexão sobre como as coisas mudaram na América e como preconceitos, de todos os tipos e intensidade, são tolos. Um filme que antes de mais nada, rompe com uma visão de mundo que cede a violência como razão.




E os 10 filmes que quase chegaram lá (por ordem alfabética):

Avatar
À deriva
A troca
Distrito 9
Frost/Nixon
Guerra ao terror
Intrigas de estado
O lutador
Se beber não case
Up -altas aventuras


E para não dizer que não falei de flores, a trinca dos infernos:
Por amor (Personal Effects)
Bruno (Bruno)
Atividade paranormal (Paranormal activity).

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - As 10 melhores cenas de 2009

Antes de anunciar a lista dos melhores filmes do ano, fato que ocorre amanhã, Claquete lista as 10 melhores cenas do ano. É importante frisar que a lista procura honrar toda a abrangência da produção cinematográfica de 2009. Blockbusters, filmes europeus, independentes, enfim, todos tem vez aqui. Sem mais delongas, vamos às cenas:


10 – A casa de Carl Fredricksen voa pela primeira vez (Up -altas aventuras)


O cinema também existe para fazer mágica. E poucos momentos em 2009 foram tão mágicos quanto o momento em que içada por milhares de balões a casa do septuagenário herói da animação da Pixar levantou voo pela primeira vez. De encher os olhos de lágrimas e renovar a crença de Santos Dummont:sim, o homem pode voar.

9 – O abate no cinema (Bastardos inglórios)

A apoteose do filme de Quentin Tarantino se dá, vejam só, em um cinema. Ao reescrever o desfecho da segunda guerra, Tarantino não só realiza um filme icônico como entrega uma das cenas mais antológicas e climáticas do ano. Metalinguagem catártica de primeira linha.

8- Aplausos após o desfile (Coco antes de Chanel)

O filme não é notável. Mas a vida em que se baseia é. E a cena final carrega todo o brilhantismo da mulher que revolucionou o vestuário feminino e em menos de 3 minutos expressa toda a glória do reconhecimento. Uma cena belíssima.

7 – Jacob vira lobo (Lua Nova)


E não foram só as moçoilas afoitas pela saga de Stephenie Meyer que foram ao êxtase com essa cena não. O cuidado de Chris Weitz com os efeitos especiais e a própria tensão da cena (a despeito da antecipação nos trailers) contribuíram pra fazer desta uma das melhores e mais comentadas cenas da fita.

6 -Fetiche para que te quero (Garota infernal)

É sabido que 9 entre 10 homens tem um fetiche sexual sobre duas garotas juntas. Em Garota infernal, filme feito para esses homens, Megan Fox e Amanda Seyfried trocaram beijos e carícias íntimas para por fogo em qualquer um. Uma cena, por razões bem particulares, antológica.

5 – O salto da liberdade (O lutador)


Entre concessões, renúncias e arrependimentos, existem os sonhos e o desejo de se eternizar naquilo que se é bom. A cena final de O lutador, o grande filme da carreira de Darren Aronofsky, e da de Mickey Rouke, sintetiza tudo isso e muito mais em sua chocante, angustiante e emocionante cena final.

4 – O dia seguinte (Se beber não case)


A cena em que três amigos acordam depois de uma ressaca daquelas e descobrem que perderam um amigo, tem um tigre no banheiro, um bebê no armário, um deles está sem dente e outras coisitas mais, foi uma das cenas mais engraçadas do ano. Só de lembrar aquele sorrisão já dá as caras.

3 – O peso de uma escolha (Amantes)


Em um filme que procura esmiuçar o amor e suas circunstâncias, espera-se de seu final contundência e impacto. Amantes proporciona isso em uma cena final surpreendentemente anti climática, angustiante, poderosa e, em certo nível, triste.

2 – Não estou escondendo nada ( Abraços partidos)


Entre as inúmeras belas cenas que Almodóvar constrói em Abraços partidos, a cena em que Lena (Penelope cruz) recita para seu marido o que ela mesma está a dizer para um monitor de vídeo destaca-se pelo acúmulo de emoções que proporciona e pela transparência dos sentimentos ali expostos.

1 – O alvorecer de um novo mundo (Avatar)


Todo mundo estava morrendo de curiosidade para conhecer Pandora e toda a mitologia criada por James Cameron. Justamente por isso, a cena em que Jake Sully (Sam Worthington) desembarca em Pandora é arrebatadora. Ali, se tem a certeza de que a jornada começou.

Critica - Encontro de casais

Futucando os problemas!

Encontro de casais (Couples retreat EUA 2009) é um filme com a cara de Vince Vaughn. Humor frenético, tiradas irônicas ligeiras, sarcasmo calculadamente espontâneo e jeito de novidade. A fita promove o reencontro de Vaughn e seu companheiro de Swingers, o ator e diretor Jon Favreau. É bem verdade que eles também dividiram a cena em Separados pelo casamento, mas aqui a parceria é mais abundante.
Em Encontro de casais, quatro casais de amigos vão a uma ilha paradisíaca, cujo resort oferece um programa para que casais em crise possam reavivar a união. Os casais bastante heterogêneos são vividos por Vince Vaughn e Malin Akerman (de filmes como A proposta e Antes só do que mal acompanhado), Jason Bateman e Kristen Bell (do seriado Verônica Mars), Jon Favreau e Kristen Davis e pelos desconhecidos Faizon love e Tasha Smith. O ator Jean Reno faz uma participação no papel de um guru de relacionamentos.
A fita destila clichês e o diretor Peter Billingsley acerta ao deixar por conta do elenco o espetáculo. O roteiro escrito por Vaughn e Favreau já prevê que cabe aos atores fazer o filme funcionar.
E são eles os donos da festa. Encontro de casais tem muitos momentos engraçados e todos têm chance de brilhar. Favreau e Bateman, em especial, estão em grandes momentos. Bateman investe em um tipo neurótico que de tão irritante é engraçado. Todos abraçam seus estereótipos com graça e ajudam a elaborar o que se pode tomar como principal contribuição do filme. O lembrete de que se você estiver procurando por problemas e/ou empecilhos em sua vida conjugal, você vai achar. Afinal, casamento é uma batalha diária. Como encarar esse front é uma questão muito particular e cada casal tem seu jeito. A despeito do final politicamente correto da fita, e a bem da verdade era esse o final desejável, Encontro de casais é um bom ponto de partida para uma tradicional DR.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os 25 melhores filmes da década: 22 - Os infiltrados

“Eu não quero ser um produto do meio. Eu quero que o meio seja um produto de mim”.




Sinopse:
O jovem policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) é infiltrado na quadrilha do chefão Frank Costello (Jack Nicholson), da máfia irlandesa, e tem cada vez mais a confiança dos criminosos. Ao mesmo tempo, Collin Sulivan (Matt Damon), um violento integrante da gangue, é igualmente infiltrado na polícia e ganha o respeito de colegas e superiores.

Comentário:
Scorsese retoma o gênero e os personagens que fizeram sua fama e o consagraram como diretor, o mundo dos gangsters. Contudo, em Os infiltrados, o diretor exercita uma visão de mundo mais pessimista, mais aterradora, onde a violência, a desconfiança e a força se impõem como meio. Ao retratar um mundo bestial, com o calor das metáforas como a impotência sexual do protegido do gangster na policia, ou a própria sexualização permanente que Frank Costello promove de tudo e para tudo ou do furor sexual de Costigan e de sua paixão “proibida” justamente pela namorada de Sullivan.
Um filme que excede os parâmetros de filme de gangster e atinge níveis dramáticos impensados. Além de ser um excepcional thriller policial, Os infiltrados desvela a sordidez das relações humanas e o híbrido de ganância e egoísmo que movem nossa existência. E sepulta as expectativas de um final hollywoodiano, com seu final anticlimático e apoteótico. Catártico como muitos, mas verdadeiro como poucos.

Prêmios:
Venceu 4 Oscars (filme, direção, roteiro adaptado e montagem); 5 indicações ao Globo de ouro e vitória por direção; 8 indicações ao Bafta; melhor filme pelas associações de críticos de Boston Los Angeles, Detroit, Chicago, Nova Iorque, Washington, Phoenix, Las Vegas, Dallas e São Francisco; 7 indicações ao critic´s choice awards e 2 vitórias (filme e direção); prêmio do sindicato dos diretores; prêmios do National Board of Review de melhor elenco e diretor;

Curiosidades:
- É um remake de um filme de Hong Kong, do ano de 2002, chamado Conflitos internos.
- O diretor Martin Scorsese afirmou que só ficou sabendo que se tratava de um remake depois de ter o filme pronto
- Foi por este filme que Martin Scorsese finalmente ganhou o Oscar como melhor diretor. Até então ele já havia sido indicado 5 vezes e nunca havia ganhado. Era tido como uma das maiores injustiças da academia.
- Existem boatos sobre uma possível continuação de Os infiltrados. Já que há três Conflitos internos. Scorsese já demonstrou interesse em rodar a continuação, mas não há nada certo por enquanto.
- Esse filme marcou a terceira colaboração entre Leonardo DiCaprio e o diretor. A quarta colaboração está a caminho, Ilha do medo.
- Foi a última aparição nas telas de Jack Nicholson em um filme dramático. Depois disso, o ator foi visto em Antes de partir, comédia um tantinho dramática, ao lado de Morgan Freeman.
- É o décimo filme de Scorsese a contar com música dos Rolling Stones na trilha sonora. Não à toa, seu filme seguinte foi um documentário sobre a banda.
- O filme é produzido por Brad Pitt, que inicialmente ficaria com o papel de Leonardo DiCaprio.
- A montadora Telma Schoonmaker trabalha em todos os filmes de Scorsese desde Touro indomável. Tanto lá, quanto nesse último, ela recebeu o Oscar na categoria. Mas segundo ela, o Oscar é mais de Martin do que dela, uma vez que ele desfaz todo o trabalho dela.
- O título original The departed (os partidos) é a mais poderosa e alusiva metáfora do filme, cujo sentido só se completa após a subida dos créditos


Ficha técnica:
Título original: The Departed
Gênero: Drama
Duração: 02 hs 29 min
Ano de lançamento:2006
Estúdio:Warner Bros. Pictures / Vertigo Entertainment / Plan B Entertainment / Initial Entertainment Group
Distribuidora: Warner Bros.
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: William Monahan
Produção: Jennifer Aniston, Brad Grey, Graham King, Brad Pitt e Martin Scorsese
Música: Howard Shore
Fotografia: Michael Ballhaus
Direção de arte: Teresa Carriker-Thayer e Nicholas Lundy
Figurino: Sandy Powell
Edição:Thelma Schoonmaker
Efeitos especiais: Lola Visual Effects
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt damon, Jack Nicholson, Alec Baldwin, Mark Wahlberg, Vera Farmiga, Martin Sheen e Ray Winstone



Fonte: arquivo pessoal

Retrospectiva 2009 - Insight

O ano em revista

2009 está chegando ao fim. Um ano que por muitas razões se inscreve como um dos melhores e mais movimentados da década que se encerra. Por muitos ângulos diferentes o ano chama a atenção. Seja pelo recorde de bilheteria alcançado (2009 já registrou um faturamento de U$ 10 bilhões em venda de ingressos e contando...), seja pela solidificação de uma tendência tecnológica (o ano marcou uma verdadeira enxurrada de filmes em 3D), seja pelos grandes diretores que lançaram seus mais recentes trabalhos no ano (Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Michael Haneke, Sam Raimi, Alan Resnais e James Cameron, para citar alguns), seja pela consagração do modelo independente de produção (com a vitória do filme Quem quer ser um milionário? no Oscar e o triunfo comercial de Atividade paranormal que assumiu o posto de filme mais lucrativo da história).


Elenco e equipe de Quem quer ser um milionário?: Consagração de um modelo de produção

Os premiados
O ano começou com a pompa das cerimônias de premiação. Sean Penn, Kate Winslet, Penélope Cruz e Heath Ledger, póstumamente, foram consagrados os melhores intérpretes de 2008 no Oscar. Quem quer ser um milionário? recebeu os maiores prêmios da temporada, inclusive o Oscar de melhor filme. Os festivais de Berlim, Cannes e Veneza premiaram, respectivamente, os filmes A teta assustada (Peru), A fita branca (Alemanha) e Lebanon (Israel).



O ator da década: Nos anos 2000, Penn foi indicado 4 vezes ao Oscar e trinfou em duas oportunidades


Os blockbusters
E um ano não será completo sem blockbusters. Em 2009, eles foram muitos. Harry Potter e o enigma do príncipe, Transformers – a vingança dos derrotados, Up –altas aventuras, G.I Joe – a origem do cobra, Velozes e furiosos 4 e Exterminador do futuro 4 foram alguns dos principais destaques do ano.
O fim de ano também trouxe mais alguns exemplares desse típico produto americano que caracteriza o verão daquele país. 2012, Lua Nova e Avatar, os três ainda em cartaz, arrecadaram horrores e ajudaram a fazer de 2009 um dos anos mais lucrativos da história do cinema americano.
Em termos de faturamento, ninguém se deu melhor do que a Warner Brothers. O estúdio fechou o ano, pela terceira vez seguida, como detentor do título de estúdio mais lucrativo. Com os sucessos de Se beber não case e Harry Potter e a distribuição internacional do quarto filme da franquia do exterminador, o estúdio ficou anos luz a frente da Paramount (responsável por Transformers e Star trek), segunda colocada.
No Brasil o ano também foi de prodígios. A comédia valeu ao cinema brasileiro um crescimento de público de 20% em relação ao ano anterior. Foram os sucessos retumbantes de Se eu fosse você 2, A mulher invisível e Divã que aproximaram o brasileiro de seu cinema.

A Warner fecha o ano, pela terceira vez consecutiva, como o estúdio mais lucrativo de Hollywood

E o 3D apareceu
Outra coisa que caiu no gosto dos brasileiros foi o cinema 3D. Em 2009 o aumento de salas adaptadas para exibirem o formato foi assombroso. As animações continuam a ser a menina dos olhos da tecnologia (A era do gelo 3 quebrou recordes no Brasil, muito em parte por ter exibições em 3D), mas filmes em live action começam a se apropriar da tecnologia. Avatar de James Cameron quer ser a vanguarda nesse departamento. O tempo dirá se o 3D veio, de fato, para ficar ou se será apenas mais uma tendência passageira (como já foi nos anos 60).

A celebração do cinema
Com 3D ou sem 3D, o cinema em 2009 marcou. Os filmes mais uma vez nos transportaram para outros mundos, outras realidades. O riso e o choro dividiram espaço com o entusiasmo e o encantamento. Que venha 2010 e que possa ser tão bom ou melhor do que o ano que se encerra.



Logotipo do mais recente filme de Quentin Tarantino:um dos grandes momentos de 2009



Mais uma vez a poesia ganha destaque aqui em Claquete. Esse novo poema, em inglês, é na verdade um rap que estabelece uma narrativa fazendo uso de alguns dos maiores sucessos desse ano que se passou. Espero que gostem! Fica o desafio para os cinéfilos de listarem quais os filmes que fazem parte do rap. Lembrando que estão todos com o títulos originais. Postem nos comentários os títulos nacionais. Enjoy!

2009´s movie buzz

Hey you, slumdog, do you want to be a millionaire?
All you need to do is picking your avatar
Which is up there in the air
No Clooney, no Reitman
In Nine is all about women

Harry, aTransformer is after us
What do we do?
I don´t know I can´t think straight
Oh The hangover is killing me

No no, you gotta beat the Dark Night
If I get better than the latest twilight is good enough
What is called anyway?
How come you don´t know? It´s New moon bro

Which one did you like the most?
What are the contenders?
You have Wolvie, you also gotta Tom´s angels and demons
But I gotta tell you the best is my preciousssss

Who wants to be a millionaire? 2010 movies are ahead…

Retrospectiva 2009 - Os 10 pôsters mais cool do ano

10 -Arrasta-me para o inferno
A arte do poster impressiona e instiga. Alison Lohman em meio as chamas é uma imagem poderosa e, bem, muito cool.

9 – Um homem sério
O que esse cara faz em cima de um telhado? E essa pose meio banana? E aquela antena logo atrás? E o nome daqueles dois diretores lá em cima? Surreal é pouco!

8 -Se beber não case
Realmente precisa de alguma explicação?


7 – Up–altas aventuras
Um dos personagens mais rabugentos, e queridos, do ano, flagrado em pleno momento de rabugice. Existem coisas que o dinheiro não compra...

6 – O desinformante
Matt Damon bonachão, bigodudo e projetando uma sombra enorme? Demorou. Além do mais, o cartaz é uma bela metáfora visual para o sentido do filme.

5 – Velozes e furiosos 4
Repara como o carro tá lustradinho. Dá para ver a careca do Dom Toreto rapá!

4 – Transformers:A vingança dos derrotados
Sério que você achava que não ia entrar umzinho que fosse de Transformers? Os caras liberam uns 30 posters por filme. Por quê? Para entrar no top 10 anual de Claquete. Esse aí ficou bem bacana. Tem tudo o que o povo gosta: Robôs, Megan Fox e, bem, Shia Labeouf.

3 – Nine
Glamour. Mulheres lindas. Slogan matador e Daniel Day Lewis. Como não gostar?


2 – JCVD
Repara na cara de ator sério do Van Damme? Sério, ver o belga com essa cara de poucos amigos em um dos filmes mais melancólicos do ano foi qualquer coisa de fora de série. E vamos combinar: o poster é simples, mas fala tudo, né?


1 -The messenger
É reverente, dramático e pop ao mesmo tempo. Um poster que se comunica muito bem com o público em geral e que comunica a idéia do filme com sucesso. Mas ganhou mesmo porque a arte do cartaz é genial. Pare e veja.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Cenas de cinema: Gente - parte 2

Meu nome é trabalho!
O diretor Steven Soderbergh é o que se convenciona chamar por aí de workaholic. Prova disso foi o intenso e volumoso ano de 2009. Ele lançou três filmes (no Brasil foram 4). Che – guerrilha, Confissões de uma garota de programa e O desinformante. Participou de festivais de cinema pelo mundo e, bem, foi isso. E já está bom né? James Cameron passou 12 anos para fazer um filme. Mas comparar para quê?


E por falar no Diabo...
2009 marcou o retorno de James Cameron aos cinemas. Com a nítida disposição de revolucionar o cinema e de quebrar os próprios recordes, estabelecidos há mais de uma década com o mega hit Titanic. As nem um pouco modestas pretensões de Cameron são encaradas com seriedade por um mundo, e uma indústria, que vêem no diretor a mais perfeita personificação do mitológico Midas, o homem que transformava em ouro o que quer que tocasse.


Cameron bate um papo com Sigourney Weaver: Esse filme tem que dar lucro...

Sexy: Cabeludo ou engomadinho!
E Johnny Depp venceu, pela segunda vez, uma das mais aguardadas e comentadas eleições anuais. Em 2009, ele encabeçou a lista dos homens mais sexy do mundo da publicação americana People. Ganhou quando foi o descabelado e desengonçado Jack Sparrow de Piratas do caribe em 2003 e ganhou quando foi o engomadinho e bem passado John Dillinger em Inimigos públicos agora. Não importa o figurino, Depp é Depp.Que se você parar para pensar, vai reparar que rima com sexy. E ponto final.

Depp para todos os gostos

Muito além de Bourne
Matt Damon provou, noves fora, em 2009 que Jason Bourne é apenas um personagem na polivalente carreira do ator. Ele engordou 15 kilos e exercitou sua veia cômica para brilhar em O desinformante e emagreceu e aprendeu a apanhar no truculento rúgbi para viver um devotado jogador sul-africano em Invictus. Em 2010, ele retoma a parceria com o diretor de Bourne, mas em The green zone.

Um diretor em apuros
Roman Polanski viu passado e futuro lhe assombrarem por uma mesma fresta em 2009. Ao desembarcar em Zurique, onde seria homenageado no festival de cinema local, o diretor foi preso, em uma operação orquestrada pela justiça americana que tenta prender o diretor há mais de 30 anos. Mas o pesadelo de Polanski não terminou em 2009. Aliás, nada indica que vá terminar tão cedo.

Lobo mau
Christoph Waltz foi o coringa do ano. Literalmente. Sua performance arrebatadora no novo filme de Quentin Tarantino impressionou o mundo e o ator austríaco se prepara para aterrisar em Hollywood. Depois da rapa que deve fazer nos prêmios dessa temporada ele deverá viver outros vilões no cinema. Ai, essa fama de lobo mau.
Christoph Waltz é mau em inglês, alemão, francês e italiano

A América caiu de amores por ela!
Nenhuma latina é hoje mais poderosa do que Penélope Cruz na América. Até mesmo a juíza Sonia Sotomayor, primeira latina a integrar a suprema corte americana cativa tanto os americanos. Depois do Oscar o caso de amor da América com a espanhola que também embasbaca Almodóvar continua firme e forte. Ela dança, balança e manda beijinhos em Nine. Mais um Oscar?


Penélope faz acrobacias em Nine: Depois de Tom Cruise e Mathew McConaughey, a América

O provocador!
Daniel Radclife, o adolescente –quase adulto, mais rico do Reino unido é um artista. O protagonista da saga Harry Potter apareceu bastante em 2009. Além de brilhar no sexto filme da série. Apareceu fumando maconha e, mais recentemente, lançou a seguinte no ar: “Posso aparecer pelado no último filme de Harry Potter”. Não maliciosos de plantão. Ele não estava sob efeito de alucinógenos. O diretor David Yates confirmou a veracidade do boato, mas lembrou: “Pode, não quer dizer que vai”. Ah bom! Agora tudo ficou esclarecido.

Radclife e o cigarrinho: Vocês ainda não viram nada...

Um ano que foi uma roleta russa
A mais famosa cantora de Barbados, Rihanna, teve um 2009 intenso. Começou o ano sendo espancada pelo então namorado Chris Brown, passou boa parte do ano em isolamento (tocando o novo album), depois, mais uma vez, algumas fotos suas nua caíram na rede. Ela apareceu em alguns dos mais famosos talk shows americanos onde disparou perolas como " fui dormir Rihanna e acordei Britney Spears" em uma escancarada referência aos escandâlos em que se viu envolvida em 2009. A cantora no entanto fecha o ano com saldo positivo. Seu novo album Rated R é um primor e o single Russian Roulette, em velada homenagem ao ex Chris Brown é o que se convenciona chamar por aí de catchy.

Capa do novo CD de Rihanna: Só para maiores...

Critica - Avatar

Embarque no mundo azul de James Cameron!



É preciso reconhecer o tino empreendedor e revolucionário de James Cameron. O homem que se auto-intitulou o rei do mundo há uma década tinha na mente um projeto extraordinário. Avatar (EUA 2009) chega aos cinemas do mundo todo sob o peso das expectativas que o próximo projeto do homem que concebeu o Exterminador do futuro e Titanic pode despertar. É justamente o peso das expectativas o maior inimigo de Avatar. A bem da verdade, o novo filme de James Cameron é um filmaço. Extremamente bem realizado, serve-se muito bem da tecnologia de ponta (grande parte dela desenvolvida para o filme) e com uma história de grande apelo, a luta pela liberdade. Contudo, Avatar não configura em si a evolução cinematográfica que promete. E como história não é nada demais. A reciclagem perpetrada por Cameron na nova mitologia proposta tem desde 2001: uma odisséia no espaço até Matrix, sem deixar os westerns que fizeram a fama de Sergio Leone de fora.
Em Avatar, testemunhamos o renascimento de Jake Sully (Sam Worthington) um ex-fuzileiro que é enviado ao planeta Pandora para fazer parte de uma missão exploratória. Através de um humanóide, denominado avatar, ele irá se aproximar dos habitantes locais, os Na´vi, criaturas azuis com feições felinas.
A metáfora da segunda vida e as inúmeras possibilidades que ela acarreta nunca são exploradas satisfatoriamente por Cameron. A metáfora se dilui em uma bem intencionada alegoria ecológica (também ela nunca convence a contento) e nos efeitos especiais arrebatadores. É justamente o esmero visual, e conceitual, de Cameron o maior acerto de Avatar, mas isso simplesmente é insuficiente para relegar ao filme o lugar na história que seu criador pretende.
De qualquer maneira Avatar é um deleite. É uma aventura que equilibra muito bem todos requisitos do gênero. Quem gosta de uma boa ficção cientifica, um bom western ou uma boa história de amor vai curtir Avatar. E não há revolução cinematográfica que possa por abaixo essa verdade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Os 10 maiores tititis do ano

10 – Jude Law e o teste de paternidade
O ator Jude Law foi intimado a fazer um teste de DNA para saber se o filho da modelo Samantha Burke, era seu. Era. E Law foi obrigado a reconhecer a criança a qual, por julgar ser fruto de um golpe da barriga, ainda não quis conhecer. Enquanto isso, a mamãe fatura alto com o escândalo. Calcula-se que só para conceder entrevistas e fotografar com a filha, a modelo já tenha embolsado mais de 1 milhão de libras.

9 – Greve de atores
Depois que os roteiristas causaram um estrago, cancelando inclusive a cerimonia do Globo de ouro em 2008, e tiveram suas reivindicações atendidas, ameças de greve passaram a ser vistas com outros olhos em Hollywood. Esse ano, em pleno calor da crise econômica, um grupo dentro do sindicato dos atores iniciou uma mobilização para realizar uma greve (novamente na temporada de ouro de hollywood, a dos prêmios). O movimento não ganhou endosso geral e foi desacreditado em algumas semanas, mesmo assim nomes de peso como Martin Sheen, Alec Baldwin e Harrison Ford se manifestaram favoravelmente.

8 – Entrevista de Joaquim Phoenix no programa do David Letterman
Phoenix compareceu ao programa do apresentador para promover seu mais recente trabalho, e de acordo com o próprio, seu último, de cabelo desgrenhado, óculos escuros, uma barba de fazer inveja a papai Noel e mascando chiclete. Monossilábico, o ator irritou o sempre irônico Letterman que não conseguiu sair-se com nada melhor do que: “Que pena que não pôde estar conosco hoje Joaquim.” O ator virou piada até mesmo na cerimonia do Oscar, em impagável imitação de Ben Stiller.

7 – O escândalo sexual de David Letterman
E Letterman também aprontou das suas. Depois de ser chantageado por um de seus produtores, o apresentador admitiu ao vivo, em seu programa, ter tido relações sexuais com funcionárias suas. Ele virou o centro das atenções, e da mídia americana, por duas semanas. Foi o melhor desempenho de seu programa em anos. A confissão de Letterman foi um dos 100 vídeos mais assistidos no you tube em 2009.

6 – Jenifer Aniston e Angelina Jolie, rounds 230, 231, 232
Como sempre as rusgas entre as atrizes foi destaque na mídia. Em 2009, foram três momentos de consternação. O primeiro se deu no Oscar, primeiro evento de transmissão mundial em que elas iriam se encontrar. Jenifer Aniston estava no palco para apresentar um prêmio e a câmera focava a reação de Angelina, a espera de movimentos súbitos em sua face. Nada surgiu. Mais adiante, boatos davam conta de uma reaproximação entre Pitt e Aniston, já que Pitt estaria com problemas conjugais com Jolie. E por último, o triangulo novamente foi tema de boatos venenosos em virtude do lançamento de um livro que pretende lavar a roupa suja do casal 20 de Hollywood.

5 - Rusga entre Michael Bay e Megan Fox
Diretor e musa de Transformers não se bicam. Via imprensa deixaram isso bem claro. Ela começou, dizendo que sem ela o filme não seria o sucesso que foi. Ao passo que Bay respondeu que ela não seria inteligente o suficiente para chegar a essa conclusão. Fox retrucou dizendo que Bay era como um Hitler nos sets de filmagens. A equipe de produção do filme resolveu tomar as dores do diretor e escreveu uma carta aberta, publicada inclusive no jornal Los Angeles Times, dizendo que Megan Fox era metida, intratável, insuportável e outros adjetivos pouco lisonjeiros. Bay não ratificou a carta e a pedido dos produtores Tom de Santo e Steven Spielberg já fez as pazes com Megan. Para o bem geral da nação, ambos estarão de volta no terceiro filme, previsto para 2011.

4-Mariah Carey versus Eminen
Outra briga conjugal que ganhou os holofotes da mídia. Separados há um bom tempo. Eminem e Mariah não se falam. Ou melhor não se falavam até 2009. Em uma deturpação do romantismo que se pretende em fazer uma música para alguém, Eminem lançou a virulenta Bad news from Bagdha em que xinga, de todas as formas possíveis, sua ex. E ainda dá conselhos raivosos ao atual dela Nick Cannon. Mariah não deixou por menos. Obsessed foi sua resposta, um pouco mais elegante, aos ataques pesticidas de Eminem. O saldo disso tudo? Seu single fez muito mais sucesso, mas Eminem acaba de ser declarado pela Bilboard o artista da década. Por quê? Ninguém vendeu mais discos do que ele. O que isso indica? Tá na hora de começar a escrever músicas raivosas por aí gente.

3 – Kanye West no VMA 2009
Ele ouviu até mesmo de Obama, que ele é um babaca. Depois disso, como não colocá-lo nesse pódio? O rapper americano, num misto de embriaguez e da vaidade egocentrica que lhe é característica, subiu ao palco e retirou o microfone da mão de Taylor Swift, que havia acabado de ganhar um prêmio, para dizer que ela não mereceu. Que a Beyonce era melhor. Uma vergonha total. Swift chorou. West foi execrado pela opinião pública e se desculpou. O tema foi trending topic no twitter na segunda feira seguinte e desde então, Taylor Swift ganhou todos os prêmios que disputou.

2 – Lars Von Trier em Cannes
O egocêntrico diretor dinamarquês não se contentou em provocar apenas com o seu filme, o polêmico Anticristo, que traz cenas de sexo esplícito e mutilação. Ele precisou se embrenhar em outras duas pendengas no festival. A primeira delas se deu na ocasião da apresentação de seu filme para a imprensa. Conclamado por um jornalista a explicar seu filme, Von Trier chamou o jornalista de burro e disse que não explicaria nada. Que era o melhor diretor do mundo e que seu filme falava por si. A postura arrogante e o filme valeram a Von trier um anti prêmio entregue pelo júri ecumênico do festival. Nunca antes houvera um gesto como esse em nenhum festival de cinema. O diretor do festival entendeu o anti prêmio como um gesto de censura e o criticou. Mas que Von Trier levou, levou.

1- As puladas de cerca de Tiger Woods
Essa é bem recente, e os efeitos ainda reverberam. Tiger Woods, modelo de atleta, foi pego com a boca na botija. Prostitutas e amantes diversas estão dando com a língua nos dentes em efeito cascata. O casamento do atleta está por um fio. Seus patrocinadores já sumiram. Sua carreira está ameaçada e os olhos da América estão sobre sua mansão. Alguma dúvida, do por que Woods encabeça essa lista?

Retrospectiva 2009 - Cenas de cinema: Gente - parte 1

Nasce o herói de uma geração
2009 mostrou que é mesmo na Austrália que estão escondidos os astros mais carismáticos do cinema atual. Recentemente Russel Crowe e Hugh Jackman saíram da ilha da Oceania para dominar o mundo. Jackman, por sinal, brilhou intensamente em 2009 nos Oscars e como Wolverine. Contudo, o ano revelou um novo, belo e carismático “australian Nice and quiet kinda guy”. Sam Worthington apareceu primeiro roubando a cena de Christian Bale em O exterminador do futuro 4: a salvação e agora no épico scifi de James Cameron Avatar.Cameron, aliás, já reclama para si o titulo de descobridor de Worthington, que como todos já podem notar, vai longe. Em 2010, ele encabeça o elenco da esperada aventura Fúria de titãs que a Warner Brothers lança no verão americano.

Sam Worthington em momento descontração e como Perseus, o protagonista de Fúria de Titãs, que estréia em 2010

Para quem tinha dúvidas do meu outro eu
E Brad Pitt continua a desafiar os rótulos que costumam lhe atribuir por aí. Depois de um 2008 abençoado, em que apareceu no bem sacado Queime depois de ler e no acadêmico O curioso caso de Benjamin Button, o ator mostrou em 2009 que é antes de ser um cara bonito, um ator de extremo talento e um produtor cuidadoso. Reuniu-se com Quentin Tarantino para fazer um dos melhores filmes do ano, de quebra compôs um dos personagens mais engraçados e icônicos da temporada, o tenente Aldo Raine; não obstante como produtor lançou os delicados filmes A vida intima de Pippa Lee e Te amarei para sempre.

Pitt como Aldo Raine: Ahá, não contavam com minha astúcia!

E quando não é o ano dela?
Todo mundo concordou no inicio de 2009 que esse era o ano de Kate Winslet. A atriz que ganhou absolutamente todos os prêmios da temporada, inclusive dois globos de ouro em categoria de cinema (feito inédito), esteve linda por onde quer que tenha passado. Sempre muito simpática, a atriz mostrou em O leitor e Foi apenas um sonho que seu talento não conhece limites. Justamente por isso, há de se indagar: quando ela não está por cima da carne seca?

Um 2009 inesquecível: Kate Winslet e seu par de globos de ouro. Ainda viria o Oscar...

Reconhecimento já!
Mickey Rourke entrou em 2009 no estado de mais absoluta fascinação. Exaltado por colegas e críticos por seu desempenho, e volta por cima, em O lutador, o ator fez questão de se impor. Dificultou para a produção de Homem de ferro que o queria como o vilão chicote negro para o segundo filme. O acordo saiu. Rourke integra o elenco de um dos principais lançamentos de 2010, mas o Oscar ficou pelo caminho.

Jogando para os dois times
Que Ron Howard é um bom diretor, produtor tenaz e figura querida em Hollywood todo mundo sabe. Mas 2009 deixou bem claro o esforço dele para agradar a gregos e troianos. Frost/Nixon, que teve 5 indicações ao Oscar, é um filme pequeno, de teor rebuscado e que se direciona a uma platéia intelectualizada demais, não à toa saiu sem Oscar. Anjos & Demônios, continuação do sucesso O código DaVinci, é deleite para as massas. Roward foi bem sucedido em ambas as frentes. Super-homem é isso aí.

Eles passaram o ano juntos, mas não juntos.Entendeu?
As estrelas de Crepúsculo, Robert Pattinson e Kristen Stewart foram, durante todo o curso de 2009, vitimas das fofocas mais atrozes. Todos queriam saber se os pombinhos estavam ou não estavam, afinal, tendo um romance. Cabeça de político petista muda menos do que o estado das coisas entre Pattinson e Kristen. Pelo menos para quem os acompanha via celebrity press gossip. Na dúvida, fiquemos com o popular: onde há fumaça...


As mulheres que desapareceram...
Julia Roberts, Megan Fox e Diablo Cody, essas duas últimas por um mesmo filme, eram presenças esperadas para esse 2009. Julia ganhou seus tradicionais U$ 20 milhões para rodar Duplicidade e, embora o filme seja muito bom e Julia tenha recebido um indicação ao Globo de ouro, o filme não rendeu nem isso no mercado americano. Prova de que a atriz já não atrai público como outrora. No caso de Cody e Fox, a coisa foi ainda pior. Garota infernal foi decepção de público e critica, que deve ter doído muito para a vencedora do Oscar de roteiro por Juno e para a “sou mais linda do que você” Megan Fox.

Em sentido horário, Megan Fox, Julia e Diablo Cody: Meninas (nem tão) super poderosas...

...e a mulher que continua aparecendo
Para contrariar aquela máxima de que mulheres com mais de 30 não conseguem um bom trabalho em Hollywood, Meryl Streep não quebra só recorde após recorde no Oscar não. A atriz de 60 anos enfileira sucessos de bilheteira. Esse ano somou mais um. Julie & Julia foi uma das sensações do verão e ela estrela ainda o promissor Simplesmente complicado que estréia nos EUA nesse natal.


Meryl Streep em três grandes momentos de 2009: Como uma freira conservadora em Dúvida, como uma chef de cozinha em Julie & Julia e ao lado de Alec Baldwin no cartaz de Simplesmente complicado


Projeto de 2009: recuperar o status de astro em 2010
Tom Cruise veio ao Brasil para divulgar Operação Valquíria e para mostrar aquele outrora indefectível carisma. 2009 foi ano de muito trabalho. Além de tentar escolar sua filhinha Suri, recentemente eleita a criança mais fashion do mundo (pois é, tem dessas coisas), na doutrina da cientologia –contra a vontade de Mamãe Katie, Cruise gravou duas comédias. Uma ao lado de Cameron Diaz e outra de Ben Stiller. Em 2010 ele quer fazer o americano rir.

Cruise e sua filha em momento ternura: Sorri para ajudar a carreira do papai...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Cenas de cinema: datas - parte 2

1 de julho
Estréia no Brasil o terceiro filme da franquia A era do gelo. A fita dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha se tornaria a maior bilheteria da história do Brasil, superando a marca de Titanic que resistia há 12 anos.

2 de julho
A Universal confirma os boatos sobre a realização do filme sobre a vida de Frank Sinatra. Após intensas negociações para adquirir os direitos sobre a história de um dos maiores ícones americanos de todos os tempos, o estúdio confiou a Martin Scorsese a cadeira de diretor.

15 de julho
Estréia, depois de 2 anos de intensa espera, o sexto filme do bruxinho (que já deixou de ser bruxinho há muito tempo) Harry Potter. Harry Potter e o enigma do príncipe se tornaria a maior bilheteria mundial do ano.

7 de agosto
G.I Joe, a origem do cobra chega aos cinemas do mundo inteiro. A adaptação do brinquedo comandos em ação fechou o verão americano mais rentável dos últimos cinco anos.

28 de agosto

Estréia nas salas de cinema do país, Anticristo, novo filme, e nova polêmica, do cineasta dinamarquês Lars Von Trier. O filme marcou ainda o maior lançamento comercial do diretor no país.

4 de setembro
Estréia no Brasil O seqüestro do metrô 123 que opunha os astros John Travolta e Denzel Washington.

13 de setembro
O filme israelense Lebanon ganha o festival de Veneza que também consagrou o filme A single man do estilista, e agora diretor, Tom Ford com o prêmio de melhor ator para Colin Firth.

14 de setembro
O ator americano Patrick Swayze, famoso por filmes como Ghost e Dirty dance, morre vitima de um câncer, contra o qual lutava há dois anos.

9 de outubro
Estréia no Brasil o aguardado novo projeto do cineasta Quentin Tarantino. Bastardos inglórios foi sucesso de público e crítica no país.

16 de outubro
Depois de intenso bafafá no twitter a Paramount amplia o circuito exibidor de Atividade paranormal nos EUA e o filme alcança o topo das bilheterias americanas depois de um mês em cartaz. Feito inédito.

22 de outubro
Tem início a 33ª mostra internacional de cinema de São Paulo. Maratona cinéfila que transforma os ares da principal cidade do Brasil.

1 de novembro
Kristen Stewart e Taylor Lautner arrastam milhares de fãs brasileiros para vê-los em São Paulo, primeira parada internacional da turnê de divulgação de Lua nova.

13 de novembro
Estréia mundialmente 2012, nova fita do alemão Roland Emmerich. O filme tornou-se a maior abertura da história de uma produção original e que não seja continuação.

20 de novembro
Estréia a seqüência de Crepúsculo. Lua nova bate recordes e se firma como uma das principais bilheterias do ano.

15 de dezembro
Sandra Bullock confirma o bom ano ao receber duas indicações ao globo de ouro.

18 de dezembro
Estréia Avatar de James Cameron, filme que promete ser um marco no cinema.

20 de dezembro
A atriz Brittany Murphy morre, aos 32 anos, de parada cardíaca. As circunstâncias de sua morte ainda estão sendo investigadas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Contexto

A busca pela mulher interior

O novo filme dirigido por Rebecca Miller, A vida íntima de Pippa Lee, se debruça sobre a agonia do cotidiano que muitas mulheres vivenciam. Presas a uma vida de concessões, renúncias e arrependimentos. No filme, Pippa Lee (Robin Wright) após mudar-se de cidade para ajudar na recuperação do marido adoentado, põe-se a rememorar sua trajetória até aquele momento. Enquanto acompanhamos a protagonista nesse exercício de inflexão, somos testemunhas do ataque de ansiedade que lhe acomete. Isso porque, a medida que as escolhas de Pippa vão ganhando caráter definitivo, ou seja, elas a aproximam da pessoa que se tornou, a que nós encontramos no inicio da fita, mais frustrada Pippa fica.
O filme procura antes de advogar sua protagonista, entendê-la. Esse mérito é algo que escapa a produção corrente sobre esse universo almodovariano, por assim dizer. Pippa não sai com “direito” a um recomeço, sem antes passar pelos estágios inerentes a quem precisa, antes de qualquer coisa, se perdoar pelas besteiras que fez pelo caminho.
A despeito das soluções dramáticas do filme e de todo o discurso que se constrói em torno da figura de Pippa Lee, e da representatividade da mulher na casa dos 30 anos nesse principio de século 21, o filme valoriza o debate proposto pela opção de reconhecer a força de suas personagens e o contexto em que estão inseridos.
Outros filmes se servem do mesmo expediente ou enfocam a questão por perspectivas diferentes. A diretora Sofia Coppola se ocupa de explorar o universo feminino em toda a sua plenitude. Filmes como As virgens suicidas, Encontros e desencontros e Maria Antonieta têm em comum a sensação de deslocamento. É como se para Coppola, em uma sociedade machista como a nossa, ser mulher é estar deslocada. Woody Allen utilizou-se da fantasia para versar sobre o tema. Em A rosa púrpura do Cairo, uma mulher se apaixona por um personagem fictício e descobre que a fantasia é melhor do que a realidade. As voltas com um marido brutamontes, a descoberta não a acovarda, ela deixa-o em busca de escrever a própria história.
Almodóvar atingiu o ponto g da questão com Tudo sobre minha mãe. Ao cercar as fases da vida de toda mulher e a forma como isso influi na relação dela com o mundo a sua volta, o cineasta conquistou o título de cineasta do feminino.



Para quem gostou do tema abordado aqui ou deseja aprofundar a questão, Claquete recomenda:

Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar (ESP 1999)
O piano, de Jane Campion (EUA 1994)
As virgens suicidas, de Sofia Copppla (EUA 2000)
Encontros e desencontros, de Sofia Copolla (EUA 2003)
Thelma & Luise, de Ridley Scoot (EUA 1991)
A bela da tarde, de Luis Buñuel (ESP 1967)
A rosa púrpura do Cairo, de Woody Allen (EUA 1985)

Critica - A vida íntima de Pipa Lee

Sobrepondo o vazio da existência!

A rotina familiar, e todo o caos inerente a ela, é algo que sempre fomentou o cinema de Rebecca Miller. Sempre partindo da perspectiva feminina, a diretora e roteirista, elabora um painel sobre o deslocamento do que somos e do que objetivamos ser. Ela retoma essa questão em A vida íntima de Pippa Lee (The private lives of Pippa Lee, EUA 2009). Se em O tempo de cada um (2002) e O mundo de Jack e Rose (2005), os personagens eram flagrados em momentos de decisão, no novo filme, a decisão é evitada ao máximo. Vive-se da postergação da necessidade de se tomar certas decisões. A protagonista de A vida intima de Pippa Lee interioriza tudo, não à toa, descobre-se sonâmbula, um reflexo direto de seu estado de ansiedade.
O filme de Miller é um comentário, algo tenaz, sobre a luta cotidiana para preencher nossas vidas de sentido. Seja do homem de terceira idade que se aproxima da morte, seja da mulher que cada vez mais se identifica com a figura materna que tanto tentou se distanciar, seja da filha que se retira em uma zona de guerra para não conviver com a mãe de quem se ressente. A vida íntima de Pippa Lee versa sobre os insuspeitos rumos da vida. Sobre escolhas que não fazemos, sobre escolhas que fazemos, sobre a culpa que sentimos, sobre a que não sentimos, sobre a que não precisaríamos sentir, mas não conseguimos evitar; enfim, é um filme que assim como sua protagonista se divide em muitos. É justamente aí que A vida intima de Pippa Lee esmorece. O texto de Miller, que adapta obra de sua própria autoria, é muito bom, fluído, tem diálogos de muita força, mas sua direção é algo hesitante, desconexa, contemplativa. Cabia-lhe, no oficio de diretora, ser mais ativa em relação a alguns momentos de seu filme. Reforçar o sentido de algumas cenas e condensar outras. O filme estende-se na rememoração dos eventos que conduziram Pippa Lee a ser quem ela é no momento que a fita se inicia. A princípio, os flashbacks cativam e instigam, mais adiante, parecem apenas apêndices protocolares. Essa inconsistência deve-se a opções, equivocadas, da direção de Miller.
Na fita, testemunhamos Pippa Lee (Robin Wright, na fase adulta, Blake Lively, na adolescência, e Madeleine McNulty, na infância) se adequando a nova mudança que faz em sua vida (mais uma indesejada). Muda-se com o marido, Herb (Alan Arkin) um editor de livros bem mais velho do que ela, para uma cidadezinha mais tranqüila, para que ele possa descansar mais. A partir desse prelúdio, somos convidados a compartilhar da angústia dessa mulher que se descobriu dona de casa, sem ter de fato se questionado o que gostaria de ser quando crescesse. É na performance sutil e comedida de Robin Wright que toda a força do filme se assenta. Sem a contextualização proposta pelo desempenho da atriz, A vida intima de Pippa Lee não seria bem sucedido no comentário que pretende fazer.

Robin Wright e Keanu Reeves em cena do filme: Como foi que chegamos aqui?

No fim das contas, o filme de Miller poderia ser muito melhor do que é. Isso não implica rotular o filme como ruim, é um filme triste, romântico (não no sentido amoroso do termo) e muito honesto. Procura dar voz a um sem número de mulheres que se encaixam perfeitamente na vida de Pippa. Por essa disposição e pela atuação louvável de Robin Wright, o filme torna-se obrigatório.

Retrospectiva 2009 - Cenas de cinema: datas -parte 1

11 de janeiro
Quem quer ser um milionário? fatura quatro globos de ouro e se anuncia como o grande vencedor da temporada de premiações do ano, assim como Heath Ledger que recebe o prêmio póstumo por sua atuação em Batman – o cavaleiro das trevas.

16 de janeiro
Estréia no Brasil O curioso caso de Benjamim Button. O filme estrelado por Brad Pitt, cuja história é sobre um homem que nasce velho e rejuvenesce fez grande sucesso no país, mas fracassou no Oscar.

30 de janeiro
O ator Tom Cruise chega ao Brasil para divulgar o filme Operação Valquiria. O drama ambientado na segunda guerra, embora tenha feito boa bilheteria no Brasil, foi mais um revés na carreira do outrora inabalável astro.

6 de fevereiro
Estréia em primeiro lugar nas bilheterias americanas o filme, Ele não está tão a fim de você. A fita, adaptada de um best seller de auto ajuda, reunia grande elenco e marcava uma das primeiras adaptações de um livro do gênero.

10 de fevereiro
Se eu fosse você 2 bate o recorde de faturamento de uma produção nacional, R$ 40 milhões de reais com 38 dias em cartaz. A fita de Daniel Filho em que Tony Ramos e Glória Pires trocam de corpos ainda bateria outros recordes no ano. Como, por exemplo, o de filme de maior público da retomada (mais de 6 milhões de espectadores).

15 de fevereiro
O peruano A teta assustada leva o Urso de Ouro no festival de Berlim e denota o bom momento vivido pelo cinema latino americano que triunfara em 2008 no festival, com o brasileiro Tropa de elite.

22 de fevereiro
Acontece a 81ª cerimônia de entrega dos prêmios Oscar. A maior festa do cinema consagrou o filme Quem quer ser um milionário? e marcou também a estréia do australiano Hugh Jackman, primeiro não comediante a apresentar o evento, como mestre de cerimônias.

6 de março
Estréia mundialmente o aguardado Watchmen de Zack Sneider. O filme, no entanto, não cumpriu nas bilheterias as expectativas do estúdio e, em termos de qualidade, não atingiu as expectativas de fãs e críticos de cinema do mundo todo.

6 de março
Estréia no Brasil o vencedor do Oscar Quem quer ser um milionário?. O filme recebeu criticas esmagadoras no país. Quase ninguém gostou do filme vencedor do Oscar. Contudo, a fita fez carreira comercial satisfatória nos cinemas tupiniquins.

20 de março
O filme Medo privados em lugares públicos de Alan Resnais completa dois anos em cartaz em São Paulo e bate o recorde de outro filme cult, o semi-erótico 9 e ½ semanas de amor.

2 de abril
Vaza na internet uma cópia, ainda não finalizada, do filme X-men origens: Wolverine. A FOX, estúdio responsável pelo filme, dá inicio a investigações e intensifica a campanha de marketing do filme. O astro Hugh Jackman viajaria meio mundo para promover a fita.

14 de abril
Em alta novamente após o sucesso de O lutador, Mickey Rourke chega aos cinemas brasileiros com Killshot – tiro certo. Filme finalizado há dois anos e na gaveta do estúdio até então. No elenco, além de Rourke que vive um assassino profissional, Tomas Jane, Diane Lane e Joseph Gordon Levitt.

30 de abril
X-men origens: Wolverine estréia no Brasil, um dia antes de estrear nos EUA. O filme se tornaria uma das maiores bilheterias do ano.

6 de maio
Hugh Jackman chega ao Brasil para promover o novo filme mutante. Ele foi a São Paulo, onde encontrou o jogador do Corinthians Ronaldo, e ao Rio, onde vestiu a camisa do Flamengo e se encantou com a apresentadora do pânico na TV Sabrina Sato.

8 de maio
Estréia mundialmente Star Trek, 11º filme da poderosa marca de sci fi. O novo capitulo é, na verdade, um reboot imaginado pelo pop J.J Abrans, criador de Lost.

12 de maio
Começa o 63º festival de Cannes na França. Os novos filmes de Quentin Tarantino, Michael Haneke, Pedro Almodóvar, Ken Loach e Lars Von Trier fariam premiere no festival, cujo filme de abertura, pela primeira vez na história, seria uma animação. O filme UP-altas aventuras da Pixar.

23 de maio
O filme A fita branca de Michael Haneke ganha a Palma de Ouro em Cannes. E o desconhecido ator austríaco Christoph Waltz polariza as atenções ao receber o prêmio de melhor ator pelo vilão no filme de Tarantino.

5 de junho
Chegam as telas de cinema do Brasil o quarto filme da série O exterminador do futuro e A mulher invisível. O primeiro, tentava se revitalizar com McG na direção e Christan Bale a frente do elenco, enquanto que o segundo era o aguardado retorno de Selton Mello a comédia escrachada.

12 de junho
Público e critica se impressionam com o jovem Sam Worthington que, vivendo um exterminador, rouba a cena do astro Christian Bale em O exterminador do futuro: A salvação. Worthington é a estrela de Avatar de James Cameron. Tudo muito parecido com outro famoso exterminador; lembraram os mais ávidos.

19 de junho
Com duas semanas em cartaz, o fenômeno Se beber não case alcançava os U$ 170 milhões e deixava o posto de surpresa da temporada para se assumir como um dos blockbusters do verão. Pelo menos em termos de faturamento.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

OSCAR WATCH - Um olhar sobre as atuações indicadas ao globo de ouro

Não houve muitas surpresas na lista das atuações. Salvo um ou outro nome, todos já estavam meio que estabelecidos na disputa. Conforme esperado, a categoria de melhor ator em drama se anuncia como a mais disputada da noite. George Clooney e Morgan Freeman dividiram o prêmio de melhor ator do National Board of review. Ambos, junto com o concorrente Colin Firth (A single man) e o preterido Jeremy Renner(Guerra ao terror) vem dividindo os prêmios da critica. Será justamente o globo de Ouro, a primeira premiação de grande porte a entregar seus prêmios.A partir daí, poderá se ter uma idéia mais clara de quem está de fato no páreo e quem não deve concluir a corrida. Para os globos, Freeman sai na frente. Clooney foi premiado recentemente e recaí sobre Freeman, a oportunidade de honrar o filme de Clint Eastwood, que não deve vencer como diretor, e já que Matt Damon reúne poucas chances entre os coadjuvantes. É justamente Colin Firth, ator pouco afeito a premiações, e que arrebanhou o leão de ouro em Veneza, o grande adversário de Freeman. Uma vez que HFPA é mais suscetível a desempenhos extraordinários de atores tidos como medianos do que o Oscar. Vide o caso do ano passado em que Mickey Rourke (O lutador) ganhou no globo de ouro, mas não levou o Oscar.
Na categoria de comédia/musical há dois favoritos da HFPA concorrendo. Robert Downey Jr. por Sherlock Holmes e Daniel Day Lewis por Nine. Em tese, o último seria o favorito, mas essa categoria tem sido a mais ousada nos últimos anos, portanto o desconhecido Michael Stuhlbarg por Um homem sério e Joseph Gordon Levitt por 500 dias com ela tem chances reais de triunfo. Matt Damon (que concorre nessa categoria por O desinformante), com duas indicações por desempenhos bons, mas não tão expressivos quanto os de seus competidores não deve representar nenhuma ameaça.
E Damon que concorre por Invictus na categoria de melhor coadjuvante deve se juntar a Stanley Tucci (um olhar do paraíso), Christopher Plummer (The last Station) e Woody Harrelson (The messenger) para aplaudir Christoph Waltz (Bastardos inglórios). Esse é o resultado mais previsível da noite e qualquer coisa diferente será uma zebra homérica. Aliás, é a configuração dessa categoria, a única, que deve ser mantida para o Oscar.
O homem que deu vida ao sádico Coronel Landa em Bastardos inglórios é a única certeza nos prêmios de atuação

Atrizes
A disputa entre as atrizes parece mais fácil. Só parece. Com Sandra Bullock e Meryl Streep duplamente indicadas, percebe-se que o ano foi das mulheres, e intérpretes, fortes. E elas, em teoria, largam na frente. Bullock foi indicada como melhor atriz em comédia, por A proposta, e por um incomum papel dramático, em O lado cego. Como a HFPA adora celebrar as estrelas, não é demais arriscar em uma vitória sua. Até porque é difícil contar com um retorno seu tão peremptório assim. Se isso ocorrer, deve ser na categoria dramática, por que na de comédia, é difícil pensar em outro nome que não Meryl. É bem verdade que os Globos não devem tanto a ela quanto o Oscar, mas é difícil entregar o prêmio a outra quando uma atriz, da estatura de Meryl, apresenta não só um, mas dois trabalhos, no mínimo, no nível dos demais. Julia Roberts por Duplicidade e Marion Cottilard por Nine, tem seus méritos reconhecidos e amplificados nas indicações. Sandra Bullock no entanto, tem a sensação da temporada em seu encalço. Méritos por méritos, o prêmio de atriz dramática pode ficar com Carey Mulligan por Educação, e Deus sabe como a HFPA também adora uma novidade, principalmente se a consagração pode ter inicio ali, no palco do Globo de ouro. Resta saber que faceta da HFPA irá prevalecer. Entre as coadjuvantes, Mo´Nique por Preciosa parece nome certo. Mas não se espantem se a fofinha Anna Kendrick sair com o globo na mão por seu desempenho no gabaritado Amor sem escalas.

Meryl Streep com um Globo de ouro na mão: Grandes chances dela abocanhar outro em 17 de janeiro

OSCAR WATCH - Break 2

Passada a semana das indicações do Globo de ouro, do sindicato dos atores e de mais algumas divulgações de listas por parte da critica especializada, está na hora de fazer um balanço de como ficou a disputa pelo ouro, ou melhor, pelo Oscar.

Entre os filmes:

Em alta:
Amor sem escalas – As análises preliminares permitem qualificar o filme como o favorito da temporada. Aliás, o jornal Los Angeles Times foi categórico ao dizer que a nova fita de Jason Reitman é o filme a ser batido nessa temporada de premiações. Um elenco festejado, um roteiro poderoso e um diretor queridinho parecem ser a combinação ideal e que, frequentemente, resulta em Oscar.

Quando isso ocorreu: Em 2004 com Menina de Ouro; em 2005 com Crash; em 1996 com O paciente inglês e em 1991 com O silêncio dos inocentes.
Quando isso era esperado e não ocorreu: Em 2008 com O curioso caso de Benjamin Button; em 2007 com Sangue Negro; em 2005 com O segredo de Brokeback mountain e em 2001 com Assassinato em Gosford Park.

Guerra ao terror - A fita é daqueles filmes independentes que quase não conseguem chegar aos cinemas e que, mesmo sem ter grandes e vistosas qualidades, ganham a critica, mais por alguma lógica cotista do que por mérito. Esse ano, a fita de Kathryn Bigelow,que estava prevista para o ano passado e que não conseguiu um distribuidor – no mercado internacional foi lançada direto em DVD, acumula o maior número de vitórias em lista de críticos até agora. No entanto, sua força ainda não foi testada em nenhuma premiação major.

Quando isso ocorreu: Em 2008 com Quem quer ser um milionário
Quando isso era esperado e não ocorreu: Em 2003 com Encontros e desencontros; em 2006 com Pequena miss sunshine; em 2007 com Juno e em 1996 com Segredos e mentiras.

Preciosa – A mesma bateria que alimenta Guerra ao terror emana energia para Preciosa. O filme segue timtim por timtim o rastro de outro sucesso independente que chegou vitaminado ao Oscar e saiu-se muito bem; Pequena miss sunshine.Assim como no filme da Kombi amerela, Preciosa acompanha personagens disfuncionais e teve sua carreira iniciada em Sundance. De lá para cá, só colhe bons frutos.
Quando isso ocorreu: Em 2008 com Quem quer ser um milionário
Quando isso era esperado e não ocorreu: Em 2003 com Encontros e desencontros; em 2006 com Pequena miss sunshine; em 2007 com Juno e em 1996 com Segredos e mentiras.

Em baixa:
Nine
O musical era tido, antes da temporada de premiações começar, como o filme da temporada. Agora, em plenos trabalhos, Nine parece perder forças e admiradores. O filme distanciou-se do boca a boca e apesar de boas contemplações nas listas do globo de ouro e do critic´s choice paira aquele cheiro de fruta passada.

Invictus
O filme de Clint Eastwood foi tido desde sempre como um dos favoritos desse ano. Razões para o favoritismo não faltam. A começar pelo próprio diretor. Também ajuda o fato de ser sobre Nelson Mandela, um dos heróis do século XX, ser adaptado de uma prestigiosa obra e ter nomes como Morgan Freeman e Matt Damon no elenco. Mas tudo isso, por incrível que pareça, também pode ser prejudicial. Afinal de contas, o clássico (e o cinema de Eastwood é clássico) às vezes é sobrepujado pelo moderno (Bastardos inglórios e Amor sem escalas).

Um homem sério
Os irmãos Coen são americanos por alguma imprecisão geográfica ou por causa de uma cegonha bêbada. Prova disso, é que foram reconhecidos no Oscar mais europeu dos últimos anos. Depois da consagração com Onde os fracos não tem vez, eles fizeram o excelente Queime depois de ler e não chegaram ao Oscar. O elogiado Um homem sério corre os mesmos riscos.

Depende do valor das commoditties em fevereiro:
Bastardos inglórios
Quentin Tarantino já disse em quase toda a premiação que já participou que o Oscar não é importante para ele, nem sinônimo de reconhecimento de excelência. Esse desdém não é lido exatamente da forma que objetiva Tarantino. Bastardos inglórios, sem dúvidas o melhor filme do diretor, é um dos filmes mais festejados da temporada. Resta saber se a academia está disposta a perdoar Tarantino por andar falando bobagens.

Avatar
O filme de James Cameron é um acontecimento. E todos os acontecimentos chegam com pompa ao Oscar. Mas não necessariamente na disputa pelos principais prêmios. Se o primeiro Star wars foi indicado aos Oscars de filme e roteiro, Matrix ficou nas categorias técnicas.Contudo, em um Oscar com 10 indicados, fica difícil não computar Avatar.

Educação
Um filme de pedigree europeu e que se assenta fundamentalmente no poder de persuasão de seu elenco. Tal qual Dúvida no ano passado. Seu poder de fogo vai depender diretamente de sua campanha no SAG e nos prêmios preliminares.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Ponto crítico

A coluna Ponto crítico desse mês entra no clima do fim de ano. O momento é de olhar para esse ano de 2009 e ver o que ele trouxe de bom, de ruim, de surpreendente e de contraditório nessa fábrica de sonhos, e paixões, que é o cinema. Para passar o ano a limpo, Claquete recebe três críticos de cinema, e antes disso, cinéfilos incuráveis que abrilhantam esse blog com suas análises, divagações e percepções do que foi, afinal, 2009 nos cinemas. Ana Kamila Azevedo é editora do blog Cinéfila por Natureza, Eduardo Frota, jornalista e critico de cinema do Jornal do Brasil, também edita o blog Cinéfilo, eu? e, por fim, Bruno Soares, o responsável pelo blog que leva suas inicias BS movies. A pedido de Claquete os três falaram sobre os destaques de 2009. Demonstraram profundo senso critico e juntos construíram um inventário cinematográfico do ano.

“Uma tarefa complexa demais”

Balanço geral: “Fazer um balanço do ano é tarefa complexa demais. Acabo sempre deixando de fora um punhado de filmes que merecem destaque”, declara logo de inicio Eduardo Frota. O jornalista contextualiza sua opinião com um sintoma dos dias atuais: “O Festival Internacional do Rio deu um bom exemplo da quantidade de coisa interessante sendo filmada ao redor do mundo, mas que não chega aos olhos do público em geral”. Se para Eduardo muito do que teve de melhor no cinema, não chegou ao circuito comercial, para Bruno Soares aqueles que fizeram sucesso em festivais, em especial o de Cannes, e ganharam o circuitão foram destaque. Ele citou como os expoentes do ano Amantes (que participou do festival de Cannes de 2008), Bastardos inglórios (que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes esse ano), A fita Branca (o vencedor da Palma de ouro desse ano) e Abraços partidos (que concorreu na seleção oficial do festival).

Quentin Tarantino, a direita de Diane Krueger,e seus bastardos: Uma unanimidade na crítica brasileira

Diretores consagrados: Tanto em Cannes, como no ano, tivemos diretores consagrados. O ano sem dúvida alguma foi marcado por figuras como Almodóvar, Tarantino e Lars Von Tier. Com Anticristo, o dinamarquês voltou às polêmicas. “Para mim é difícil falar de Lars Von Trier. Considero o cineasta como um dos maiores provocadores do nosso tempo. E, tratando-se de cinema, gosto muito de ser provocado, de sair de um lugar cômodo. O filme não é a melhor obra dele, mas ainda assim consegue imprimir beleza em um tema extremamente pesado. A estética de Von Trier é absolutamente única e incrível. No fim das contas, para mim, não se tratou de um filme de terror. É um filme sobre terror, visualmente impecável!” 2009 também foi o ano de Tarantino recuperar o status de gênio que lhe parecia escapar. “O que aconteceu na cabeça do Quentin Tarantino quando resolveu fazer um filme europeu?”, pergunta Bruno, para depois emendar a resposta: “A cada fotograma, Tarantino demonstra amor incondicional aos grandes mestres - Leone e os grandes nomes da Nouvelle Vague, François Truffaut, Jean-Luc Godard, entre outros.”
Amantes, do diretor James Gray, é outro filme americano de alma européia na avaliação de Bruno. “Ao contrário de Bastardos Inglórios, o filme se passa em solo americano, mas segue a mesma virtude autoral que o trabalho do Tarantino quando se conjuga através de uma visão de mundo particularíssima, exposta por personagens que, sem pressa alguma, desenvolvem toda a narrativa - um olhar ambicioso sobre a alienação e o ceticismo da geração que encara o amor como uma grande paranóia.”

A fita branca, vencedor da Palma de ouro em Cannes, foi um dos filmes mais festejados esse ano. Contudo, o filme ainda não estreou comercialmente no país

2009 também foi o ano de Almodóvar retomar sua parceria com sua atual musa, Penélope Cruz. Para Bruno, Almodóvar se desafia ao propor um cinema com veia investigativa, algo que não costuma pontuar a obra do cineasta. “Abraços Partidos, pode não ser tão redondo quanto os melhores filmes do diretor espanhol, mas conquista justamente por essa ambição romântica. Em Abraços Partidos, uma mulher entra e sai despercebida de uma sala porque tudo o que ela tem pra dizer já está sendo exposto por uma projeção. Em Abraços Partidos, um homem financia um longa-metragem pra que este lhe conte a verdade sobre sua relação conjugal. É o cinema pelo cinema”. Outro diretor que mereceu destaque em 2009 foi Michael Haneke. “Do Michael Haneke tivemos A fita branca, mas do Haneke nós já devemos esperar essa curiosidade em atingir os limites do cinema como narrativa, afinal o homem já fez Violência Gratuita e Caché, entre outras teses extremamente complexas sobre o cinema e a relação que essa arte tende a ter com o público”, contextualiza Bruno. Eduardo lembra ainda de um diretor, Werner Herzog, que esteve com dois filmes em Veneza e que teve um deles, Vicio frenético, exibido no festival do Rio e na Mostra de São Paulo. “É espetacular!”

Almodóvar e Lars Von Trier foram figuras centrais em um bom ano para os realizadores

Cinema nacional: O cinema nacional teve um ano de frutos nas bilheterias como bem lembra Ana Kamila: “O cinema brasileiro teve um ano bastante fértil em 2009, porém a maior constatação da indústria, nestes doze meses, foi o tanto que ela está fortalecida, uma vez que tivemos dois grandes sucessos de bilheteria neste ano: Se Eu Fosse Você 2, de Daniel Filho, e A Mulher Invisível, do diretor Cláudio Torres. Não por coincidência os dois filmes são comédias – gênero que é um dos preferidos do público em geral – e são apoiados por atores carismáticos como Glória Pires, Tony Ramos, Selton Mello e Luana Piovani”.
Ana Kamila aponta o novo filme de Heitor Dhalia como a melhor produção brasileira do ano, segundo ela o filme “conta uma história de apelo universal com imagens belas e um ritmo totalmente envolvente.” Isso deve-se, de acordo com a editora do Cinéfila por Natureza, a uma percepção de que há espaço, e público, para um cinema que fuja do mainstream. “Nesse sentido, se destacam filmes como À Deriva, de Heitor Dhalia, que joga um olhar sobre a transição entre infância e adolescência de uma jovem que está em plena crise familiar; e Apenas o Fim, primeiro filme do diretor e roteirista Matheus Souza, o qual emula gente como Richard Linklater, porém mostra um enorme potencial e que nos deixa bastante otimistas em relação ao futuro de nossa indústria cinematográfica.” O entendimento de Ana Kamila é endossado por Eduardo: “À deriva é o melhor filme nacional do ano. Aliás, um dos melhores do ano e ponto final. Heitor Dhalia se consagra como um dos grandes realizadores brasileiros. Roteiro, fotografia, atuações – é tudo convincente demais. Me lembrou os belos e fortes argumentos de Wim Wenders. Saí do cinema dolorido, extasiado, embasbacado. Um filme forte, intenso, tocante e escandalosamente bem feito”, exalta o crítico.
Justamente, por ter em mente a qualidade de À deriva, que Ana Kamila lamenta a escolha de Salve geral para ser o representante brasileiro na briga por uma indicação ao Oscar. “Representa a reunião de todos aqueles tiques e clichês presentes em alguns dos nossos mais bem-sucedidos filmes: a tentativa de fazer um retrato da violência, um dos problemas mais sérios da nossa sociedade, mas sem a coragem de um Cidade de Deus ou de um Tropa de Elite”. E a crítica lança o desafio: “Quando será que iremos aprender a destacar as singularidades de nossa indústria, como outras escolas da América Latina, especialmente a argentina?”

O Francês Vincent Cassel e a estreante Paula Neiva em cena de À deriva: Vem do Brasil, um dos melhores filmes do ano

Os documentários musicais, uma nova tendência: Mas o cinema brasileiro se fortaleceu. Um dos indicadores mais robustos dessa musculatura adquirida, é justamente o documentário. Além de Garapa, que nas palavras de Ana Kamila, “lança um olhar dilacerante sobre a fome ao acompanhar a rotina de famílias cearenses”, a música, em suas várias expressões, ganhou atenção do cinema. “Somente neste ano, foram lançadas obras como A Vida Até Parece uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, que fala sobre os Titãs; Favela on Blast, de Leandro HBL e Wesley Pantz, que mostra o funk carioca; Loki, Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle, sobre o ex-integrante dos Mutantes; Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Micael Langer, Cláudio Manoel e Calvito Leal, que tenta fazer justiça à história do cantor Wilson Simonal e Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, que enfoca o líder dos Paralamas do Sucesso”, lembra a editora do Cinéfila por Natureza.

As angústias de Caetano Veloso foram tema de Coração vagabundo: O documentário honrou a música brasileira em 2009

O melhor do resto: Mas o ano não foi só isso, é claro. Filmes como o sul coreano O caçador, o indie americano 500 dias com ela e o misto de ficção e documentário Entre os muros da escola também chamaram a atenção em um ano marcado por bilheterias homéricas de bruxos e robôs gigantes. O que motiva a reflexão de Bruno: “A verdade é que hoje Hollywood não sobrevive sem seus super-heróis. Mas o que fere a indústria como todo não é nem a dependência, mas sim o custo das produções atuais. Para cada Homem-Aranha feito, dezenas de projetos menores são deixados de lado. Não é à toa que Tarantino, sonhador nato, fugiu para longe dessa realidade.”